Sintomas do novo coronavírus levam cerca de 5 dias para aparecer, diz estudo

Por Fidel Forato | 12 de Março de 2020 às 17h48

Após quase três meses desde o surgimento dos primeiros casos do novo coronavírus (SARS-CoV-19) e de a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter classificado a situação da COVID-19 como uma pandemia, os pesquisadores já chegam a importantes conclusões a respeito da doença. É o caso do estudo publicado pela universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que sugere que o período médio de incubação do vírus é de 5,1 dias. 

Isso significa que, em média, os sintomas do novo coronavírus levam cerca de cinco dias para aparecer após a exposição, de acordo com o estudo norte-americano. Em termos comparativos, os coronavírus humanos que causam resfriados comuns, por exemplo, têm períodos médios de incubação de cerca de três dias.

Além disso, cerca de 97,5% das pessoas que desenvolvem sintomas da COVID-19 terão seu quadro de saúde afetado dentro de até 11,5 dias após a exposição, ou seja: esse é o tempo "limite" mais comum para um infectado apresentar os sintomas da doença. 

Tempo padrão para os primeiros sintomas do novo coronavírus é de cinco dias, segundo pesquisa (Imagem: Getty Images)

De acordo com esses dados, o período de quarentena de 14 dias, usado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, e também pelo Ministério da Saúde brasileiro para indivíduos com provável exposição ao novo coronavírus, é adequado para o monitoramento dos suspeitos.

"Com base em nossa análise de dados publicamente disponíveis, a recomendação atual de 14 dias para monitoramento ativo ou quarentena é razoável, embora com esse período alguns casos sejam perdidos a longo prazo", afirma o autor sênior do estudo Justin Lessler.

Dados da pesquisa

De acordo com os números levantados, para cada 10.000 indivíduos, cerca de 101 desenvolveriam sintomas depois de serem liberados de uma quarentena de 14 dias, mostram os resultados. Para essa conclusão, os pesquisadores analisaram 181 casos da China e de outros países que foram detectados antes de 24 de fevereiro, durante os estágios iniciais do surto.

Naquela época, a maioria dos casos envolvidos viajava ou passava pela cidade de Wuhan, na China, onde o surto surgiu em dezembro do ano passado. Por isso mesmo, é a região onde há mais histórico sobre o vírus e onde é possível se aprofundar mais nas pesquisas.

Questões da quarentena

Uma estimativa precisa do período de incubação da doença para um novo vírus facilita o trabalho dos médicos em avaliar a provável dinâmica do surto. Também permite que as autoridades de saúde pública planejem medidas eficazes de quarentena e outras ações de controle.

As quarentenas geralmente diminuem e podem parar a propagação da infecção, mesmo que haja alguns casos em que o período de incubação exceda os 14 dias. No entanto, Lessler observa que controlar pessoas, de uma maneira que as impeça de trabalhar por muito tempo, tem custos pessoais e sociais que devem ser considerados.

É mais claro entender essas situações quando se trata de profissionais de saúde e bombeiros, por exemplo, que ao estarem de quarentena podem trazer sérios desafios para a sociedade. Outra questão importante é a dos profissionais autônomos que dependem diretamente de suas atividades para se sustentarem.

O estudo da Universidade Johns Hopkins foi publicado na revista Annals of Internal Medicine.

Fonte: The Wall Street Journal e Universidade Johns Hopkins

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