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Sensor de movimentos ajuda postura de crianças com autismo

Por| Editado por Luciana Zaramela | 22 de Fevereiro de 2024 às 14h13

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stevanovicigor/envato
stevanovicigor/envato

O TEA —  transtorno do espectro autista, conhecido popularmente apenas como autismo — afeta o neurodesenvolvimento e compromete fatores como a coordenação motora, o equilíbrio e a propriocepção (percepção do corpo no espaço). Diante dessa questão, uma equipe da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) passou a testar sensores de movimento para analisar o controle postural de crianças com o transtorno.

O chamado Sistema de Análise do Movimento Tridimensional captura o movimento humano em três dimensões com a ajuda de marcadores reflexivos colocados em pontos anatômicos específicos do corpo, como articulações e segmentos corporais, para rastreá-los.

A tecnologia conta com câmeras infravermelhas que capturam a imagem dos marcadores em várias posições ao longo do tempo. Em seguida, softwares capazes de determinar a posição tridimensional de cada marcador em relação ao espaço analisam e processam essas posições. O procedimento também envolve uma série de análises específicas, como:

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  • Cinemática: movimento sem considerar as forças que o causam, ou seja: “o quê” e “quão rápido” o corpo se move, mas não “por que” se move dessa maneira.
  • Cinética: forças que agem sobre os corpos em movimento, fricção, gravidade e como essas forças afetam o movimento.
  • Amplitude de movimento: extensão completa de movimento de u ma articulação.
  • Velocidade e aceleração: o tempo que leva para uma parte do corpo mudar de posição.

A tecnologia também deve analisar a postura das crianças quando estão sentadas, e não apenas quando estão de pé. Isso é importante, uma vez que tal posição pode impactar o desenvolvimento de várias habilidades na infância, considerando que para o público infantil, passar o dia sentado é um hábito comum, por conta da escola.

Desafios motores do autismo

As crianças com autismo podem ter hipersensibilidade sensorial, então essa sobrecarga de estímulos sensoriais (como luzes, sons e texturas) pode interferir diretamente no envolvimento em atividades motoras, especialmente aquelas que envolvem contato físico.

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Assim, as dificuldades na integração sensorial (processar e interpretar informações sensoriais) pode gerar consequências no que diz respeito à capacidade de coordenar movimentos e responder adequadamente a um ambiente.

As preferências sensoriais limitam a disposição (ou, dependendo do caso, a capacidade) de participar de atividades motoras que estão fora de suas zonas de conforto ou que não se alinham com suas preferências sensoriais específicas.

Consequências

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Como consequência das limitações do TEA, os envolvidos podem ter problemas para andar (fazendo isso de maneira descoordenada), dificuldades com manipulação de objetos e escrita, problemas para coordenar os movimentos entre os lados esquerdo e direito do corpo entre os diferentes membros.

Em outros casos, esse público pode ter baixo tônus ​​​​muscular e problemas para manter a postura ou o equilíbrio. Outros ainda podem ter problemas com ações como pegar uma bola ou imitar os movimentos de outras pessoas, e com o planejamento de uma série de movimentos ou gestos.

Fisioterapia para crianças com autismo

Ao Canaltech, Letícia Paes Silva — mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências da Reabilitação (PPGCR) da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO) — conta que "tradicionalmente, as deficiências motoras não são descritas como características inerentes às pessoas com TEA", então essas crianças não eram reportadas para a fisioterapia, e não se tinha muita atenção a essas questões motoras.

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No entanto, a fisioterapeuta diz que a situação tem mudado: "Ao longo dos anos, a literatura vem crescendo e demonstrando a presença das dificuldades motoras das crianças com TEA e hoje em dia a gente já tem uma evidência robusta". Na prática, existem crianças com TEA com maiores dificuldades motoras e existem aquelas com menores dificuldades. 

Como o sensor de movimento ajuda?

De acordo com Letícia, esse sistema é considerado o padrão-ouro para análise do movimento em geral. "É a partir dele que a gente consegue fazer as avaliações mais detalhadas e entender a fundo como é essa dificuldade, de onde vem, e depois de entender um pouco da base de como esse movimento acontece, seguir no caminho de melhores intervenções, um raciocínio clínico mais apurado, mais específico e correto", esclarece a pesquisadora.

A especialista explica por que os sensores são colocados em pontos específicos do corpo: "A gente marca pontos específicos [proeminências ósseas, por exemplo] para que depois, no sistema, a gente consiga reconstruir o esqueleto. A partir dessa reconstrução, eu consigo analisar toda a cinemática do movimento da criança, as dimensões corporais. É importante que esses pontos anatômicos sejam identificados de maneira correta", conclui. 

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Filme Avatar

Uma curiosidade é que a ferramenta desenvolvida pelo Laboratório de Análise de Movimento (LAM) da EEFFTO em parceria com a Faculdade de Ceilândia da Universidade de Brasília (FCE/UnB) teve, como principal ponto de partida, a ideia dos sensores de movimento usados na franquia Avatar, de James Cameron.

Vale lembrar que esses trajes de captura de movimento de Avatar já foram usados para detectar doenças como a neurodegenerativa ataxia de Friedreich, ou a Distrofia Muscular de Duchenne, caracterizada pela fraqueza muscular progressiva).

Por enquanto, os pesquisadores da UFMG buscam voluntários de seis a oito anos — tanto crianças com o TEA (autismo) quanto crianças sem nenhuma peculiaridade de saúde — que possam participar do estudo envolvendo o sensor de movimentos. Os interessados devem preencher um formulário.

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Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais, Spectrum