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Autismo: como melhorar qualidade de vida e conscientizar mais pessoas

Por| Editado por Luciana Zaramela | 26 de Abril de 2023 às 18h15

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LightFieldStudios/envato
LightFieldStudios/envato

Abril é o mês de conscientização do autismo (nome popular do TEA, transtorno do espectro autista). É um período em que se aproveita para trazer informações a um assunto que ainda não é totalmente compreendido pela sociedade, e que exige muita empatia. Mas como aumentar a qualidade de vida dos envolvidos e preparar a população?

Foi para responder essa questão que a comediante e produtora Julie Reis — que além de se enquadrar no espectro, tem um filho (Heiko, de quatro anos) também diagnosticado com autismo — deu início ao projeto Inclusão TEA. A ideia é capacitar os funcionários de um determinado estabelecimento para lidar com clientes que tenham o transtorno.

Assim, depois que a capacitação acontece, o estabelecimento ganha um selo (ou seja, é sinalizado como inclusivo para os clientes com autismo). Além da sinalização, o comércio em questão também ganha um kit com objetos que fornecem uma experiência sensorial agradável para esses clientes.

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"Eu brinco que sobrevivi 35 anos sem diagnóstico, mas de repente me vi com uma criança pequena e dois diagnósticos de autismo em um mundo nada adaptado para nós, então comecei a buscar por ideias e soluções de como melhorar o mundo, não apenas para nós, mas para todos atípicos e famílias atípicas, e o resultado é este projeto", afirma a produtora.

Julie conta que os desafios são muitos, principalmente no que diz respeito aos excesso de estímulos, como barulhos (buzinas, freios, pessoas falando), luzes, toques, etc. "Sentimos tudo de uma forma muito intensa e sobrecarregada, agora imagine ter que enfrentar isso tudo para buscar um pão, pagar uma conta, comprar um remédio?", reflete.

A população com autismo costuma usar a identificação (um cordão estampado com girassóis, que quer dizer uma deficiência que não está visível, ou estampado com quebra-cabeças, o próprio símbolo do autismo) para ter direito a fila preferencial e reduzir o tempo sob estresse.

Assim, a ideia do projeto é "criar um sistema de apoio básico e simples para que não haja constrangimento nem exposição desnecessária." A estratégia é sinalizar que o local recebe e trata bem autistas e familiares, através de uma placa que fica no balcão da recepção ou na entrada do estabelecimento. Para que o projeto conquiste o devido espaço, a ideia de Julie é buscar o apoio das prefeituras.

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A placa também contém um QR code com a página do projeto e os recursos disponíveis no local, tais como o menu sensorial, que contempla itens como:

  • Massa de modelar
  • Bola squich
  • Bola anti-stress
  • Pop-it
  • Cubo clicker
  • Cubo infinito

Julie também dá algumas dicas de como lidar com uma pessoa com autismo: em casos de crises mais intensas como muito choro e gritos, ou que a pessoa possa apresentar riscos evidentes para si ou a outros, a sugestão é uma abordagem cautelosa:

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Se houver identificação como os cordões ou alguém anunciar a deficiência, ofereça apoio imediatamente, perguntando sempre primeiro como pode ajudar e mostrando o menu sensorial em seguida. Lembre-se de nunca colocar a mão em um autista em crise a não ser que ele ou os pais permitam, assim como falar baixo e com tom calmo é essencial. Evite aglomeração a todo custo. Isso pode piorar a situação.

Empregabilidade para pessoas com autismo

Outra questão pertinente é a empregabilidade para as pessoas diagnosticadas com o transtorno. Segundo o portal Autism Speaks, 85% da população autista está desempregada. Alguns especialistas acreditam que é preciso capacitar pessoas com TEA para o mercado de trabalho.

A organização social Specialisterne oferece um programa de capacitação onde são desenvolvidas habilidades sociais e profissionais para os participantes, com possibilidade de inclusão em empresas parceiras.

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O projeto já proporcionou a formação de 350 pessoas com autismo, contribuindo com a inclusão de mais de 300 profissionais no mercado de trabalho. Além da formação para os alunos, a organização oferece apoio para as empresas receberem esses profissionais e assim, realizar as adaptações necessárias para a inclusão acontecer.

Como parte da formação nas empresas e das equipes, a organização realiza acompanhamento e suporte especializado dos profissionais com autismo e promove workshops de sensibilização sobre autismo e neurodiversidade, preparo para as entrevistas dos profissionais, entre outros.

Tratamento alternativo

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O tratamento alternativo com cannabis medicinal também tem potencial para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Estudos e as práticas clínicas têm mostrado que medicamentos à base de cannabis são fortes aliados na melhora dos sintomas do autismo.

Através do tratamento com canabinoides, é possível reduzir a ansiedade e os comportamentos autolesivos da pessoa com autismo, além de regular o sono e melhorar a interação social. Anteriormente, o Canaltech já destacou informações pertinentes sobre a cannabis medicinal.