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S. pyogenes: bactéria perigosa força fechamento de escolas em MG

Por| Editado por Luciana Zaramela | 27 de Outubro de 2023 às 18h55

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NIAID/CC-BY-2.0
NIAID/CC-BY-2.0

Dentro de um mês, três crianças vieram a óbito e quatro foram internadas no município de São João del Rei, no interior de Minas Gerais. Os casos ainda estão sendo investigados e não possuem conclusão, mas há suspeitas da atuação de uma infecção bacteriana, especialmente perigosa para crianças, o que levou ao fechamento de algumas escolas. Ainda assim, a Secretaria de Saúde do estado afirma que não há razão para pânico e que não se trata de uma epidemia.

Quando do primeiro óbito, o médico responsável declarou que o menino, com 10 anos de idade, teria sofrido uma infecção pela bactéria Streptococcus pyogenes, levando à sua morte. Não foi coletado, no entanto, material biológico para confirmação da patogenia em laboratório, deixando o caso em aberto.

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A S. pyogenes é, na verdade, uma bactéria relativamente comum, que costuma ser encontrada na garganta dos seres humanos, onde é inofensiva. Nos adultos, infecções pelo micróbio em outros locais do corpo são leves e de tratamento simples, mas alguns pacientes — em especial infantes — podem ter sintomas mais severos e até ir a óbito em decorrência de complicações.

Sintomas da infecção

O microorganismo também é conhecido como estreptococo beta-hemolítico do grupo A, e seus principais sintomas são:

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  • Febre;
  • Dor no corpo;
  • Faringite;
  • Amigdalite;
  • Infecções de pele.

O problema é que, em alguns infectados, o quadro pode evoluir para pneumonia ou septicemia. Segundo contou o infectologista Marcelo Simão Ferreira à Folha de S. Paulo, certas cepas da bactéria são mais agressivas e fabricam toxinas que podem levar à morte dos tecidos infectados. Caso chegue ao sangue, o micróbio acaba se multiplicando e invadindo outros órgãos, levando à septicemia, ou sepse, mais conhecida como infecção generalizada.

Secreções respiratórias transmitem facilmente a bactéria, ou seja, espirros e tosses são formas muito eficientes de disseminação. Em ambiente escolar, é fácil que crianças acabem passando a doença de umas para as outras, deixando resquícios em bebedouros, carteiras e afins, segundo Ferreira. Como o patógeno não é resistente à penicilina, no entanto, antibióticos derivados costumam ser o suficiente para curar os infectados, caso os sintomas sejam notados cedo.

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Outra bactéria do grupo, a Streptococcus sp. alfa-hemolítico, também foi responsável pela internação de outra criança, uma menina de 9 anos com febre e lesões no pé. Ela já foi tratada e recebeu alta. A investigação das mortes infantis em MG está nas mãos da Fundação Ezequiel Dias (Funed), vinculada à Secretaria de Estado da Saúde local.

Em São João del Rei, duas das crianças infectadas seguem internadas, e escolas foram fechadas tanto no município quanto em Conceição da Barra de Minas, Ritápolis e Santa Cruz de Minas.

Fonte: Folha de S. Paulo