Rato com "superpoderes" de regeneração pode revolucionar a medicina

Rato com "superpoderes" de regeneração pode revolucionar a medicina

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 25 de Abril de 2022 às 16h45
Pressmaster/Envato

Mamíferos não costumam se recuperar de lesões graves na medula espinhal ou outras lesões no sistema nervoso central, mas um rato da espécie Acomys wilsoni chamou a atenção de pesquisadores da Universidade de Porto (Portugal) por uma capacidade de regeneração que tem potencial para revolucionar a medicina.

Em artigo publicado na revista científica Development Cell, pesquisadores destacaram a capacidade do rato de reparar a medula espinhal e se recuperar da paralisia em apenas algumas semanas. Vários animais podem regenerar algumas partes do corpo, como as salamandras, mas os nenhum que esteja tão intimamente relacionado aos seres humanos, geneticamente falando, quanto o roedor.

Os cientistas portugueses levantam a hipótese de que os Acomys wilsoni evoluíram essa habilidade por causa da necessidade de trocar a pele para fugir dos predadores que tentavam agarrá-los. Outro motivo que pode justificar essa habilidade é a possibilidade de tolerar um número maior de parasitas.

Em um estudo preliminar, cientistas da University of Kentucky (EUA) citam que camundongos da espécie Lophuromys também parecem ter capacidades regenerativas semelhantes. A expectativa desses grupos de pesquisadores é que as descobertas possam levar a novos tratamentos.

Super Mouse: ciência destaca habilidades de regeneração em roedores (Imagem: Twenty20photos/Envato)

No artigo da Universidade de Porto, os pesquisadores contam que separaram os roedores em dois grupos, sendo que apenas os integrantes do primeiro receberam alguns cortes incompletos nas medulas espinhais. Em uma análise posterior, os tecidos cortados haviam se regenerado quase completamente. Ratos de outras espécies também participaram do estudo, mas não conseguiram se recuperar dessas lesões.

Os pesquisadores também descobriram que o tecido cicatricial presente nos corações desses roedores contém grandes vasos cheios de sangue mesmo após procedimentos cirúrgicos que bloquearam as artérias temporariamente, o que parece ser uma parte fundamental da recuperação.

A ideia da equipe, agora, é descobrir quais mecanismos existentes nos corpos desses roedores permitem a regeneração tão bem-sucedida. Estudos anteriores já sugeriram que o sistema imunológico desses animais funciona de maneira diferenciada, capaz de moderar ou conter a inflamação após uma lesão grave, o que pode ajudar a permitir que os tecidos voltem a crescer. Com isso, mais estudos devem ser conduzidos futuramente.

Fonte: Development Cell, Inflammation and RegenerationBBC Future

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