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Por que ratos são usados como cobaias em pesquisas científicas?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 16 de Julho de 2021 às 20h15

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Tibor Janosi Mozes/Pixabay
Tibor Janosi Mozes/Pixabay

Diversos estudos científicos, principalmente os que são relacionados à área da saúde, precisam testar sua metodologia em animais antes mesmo de chegar aos humanos. Você já deve ter percebido, inclusive, que a maioria das escolhas são ratos, certo?

Mas você já parou para pensar no motivo de os roedores serem os escolhidos? Para sanar essa dúvida e mais algumas, conversamos com Juliana Nascimento, biomédica especialista em vacina e biofármacos pelo Instituto Butantan e mestranda em biotecnologia pela USP (Universidade de São Paulo).

Por que ratos?

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A primeira dúvida que temos em relação aos testes com ratos é o motivo de eles serem os escolhidos. Nascimento conta que isso acontece porque existem semelhanças genéticas entre humanos e roedores, e também porque as fêmeas procriam muito rápido. "Então, quando um determinado grupo de pesquisa solicita um grupo de roedores para o biotério, ele não precisará esperar muito, pois as fêmeas sempre estão dando crias", explica a biomédica. Ela diz ainda que por serem animais de porte pequeno eles ocupam menos espaço e que a criação é de baixo custo.

Em relação às semelhanças, a biomédica explica que o genoma humano é composto por 30 mil genes, assim como o dos roedores. A descoberta aconteceu em 1990 através do projeto Genoma Humano, e o que nos diferencia desses animais são aproximadamente 300 genes, apenas.

Ética

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O uso de animais em testes é algo que é questionado em relação à ética, mas existem diversas espécies liberadas pelo Comitê de Ética Animal, como cães, gatos e outros mamíferos. Nascimento diz que estudos já mostraram que os gatos são um ótimo modelo animal para avaliar as vacinas contra a COVID-19, uma vez que o sistema imunológico dos felinos responde bem à infecção por vírus do tipo.

"Macacos, coelhos, porcos e porquinho-da-índia também são tipos de mamíferos usados em experimentação animal", explica a especialista. "Mais de um modelo animal pode ser usado em um projeto. Geralmente as pesquisas começam em células, depois em animais de porte pequeno e depois em animais de porte maior", completa.

Importância dos animais na ciência

Afinal, por que precisamos fazer testes em animais? A reposta pode ser óbvia, mas a biomédica explica que os testes são feitos em animais justamente por uma questão ética. Os experimentos com bichos acontece ainda na fase pré-clínica, e antes disso são feitos em células in vitro. Caso o resultado seja positivo, é hora de testar em animais e depois em humanos, o que seria o teste de fase 1.

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"Se os testes falham em qualquer uma das etapas, as próximas etapas não acontecerão. Então, os testes em células funcionam para que animais não sejam utilizados sem a real necessidade, e os testes em animais funcionam para que humanos não corram riscos de saúde", esclarece Juliana.

E a causa animal?

Quando se fala em testes realizados em animais, logo pensamos na questão de proteção animal, com diversas causas ainda se opondo à prática. Mesmo com toda a evolução tecnológica que existe hoje nos laboratórios, os testes ainda precisam ser feitos, e Nascimento explica o motivo.

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Ela conta, primeiramente, que muitos métodos alternativos já foram criados para diminuir a prática. Alguns casos, inclusive, como na área de cosméticos, não é mais necessário o uso de animais, pois os testes in vitro já são suficientes para revelar se tal produto traz risco aos humanos. Porém, na pesquisa de fármacos, vacinas e doença ainda não é possível dispensar os animais.

"Ainda precisamos entender como determinada substância funciona no organismo como um todo, por exemplo, ou como o organismo funciona quando é infectado por dois patógenos ao mesmo tempo", explica a biomédica, ressaltando ainda que o comitê de ética animal preza pelo bem-estar daqueles que serão testados, evitando que sintam frio, fome, dor, entre outros sofrimentos. "Também existem vários estudos que nos mostram como melhorar o ambiente em que esses animais vivem, pensando sempre no bem-estar deles", completa.

Quais respostas os testes trazem?

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Pedimos para que Juliana Nascimento nos desse um exemplo de como, na prática, os testes em animais trazem respostas importantes. A biomédica explica que fez parte de um grupo de pesquisas que estuda compostos naturais para o tratamento da diabetes mellitus do tipo II.

"Induzimos a doença nos roedores e administramos o nosso tratamento com compostos naturais para ver se eles seriam eficazes ou não para reduzir o índice glicêmico no sangue dos roedores", exemplifica. "Tivemos resultados muito positivos nesses estudos e posteriormente começamos a estudar o efeito dos nossos compostos no tratamento de tumores. Seguindo a mesma linha, induzíamos os tumores nos animais, e depois administramos nossos compostos para estudar os efeitos", diz a biomédica.

Sendo assim, o objetivo dos testes é entender como as doenças avançam e se desenvolvem, como uma vacina ou medicamento irá agir no organismo, sendo eficaz para combater uma doença ou se pode ser tóxica. As pesquisas também informam a melhor dosagem a ser utilizada, entre outros fatores importantes.

"Animais são usados em pesquisas de infecções virais e bacterianas, doenças respiratórias como asma, doenças como ansiedade, depressão e autismo, entre outras", completa.