Queda da eficácia da vacina da Pfizer em crianças sugere importância da 3ª dose

Queda da eficácia da vacina da Pfizer em crianças sugere importância da 3ª dose

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 01 de Março de 2022 às 17h20
Davidpereiras/Envato Elements

Pesquisadores do departamento de Saúde do Estado de Nova York, nos Estados Unidos, identificaram que a taxa de proteção da vacina da Pfizer/BioNTech contra a covid-19 é reduzida com o passar do tempo, principalmente para casos sintomáticos da infecção, em crianças e adolescentes. Proteção contra hospitalizações ainda é significativa para a maior parte do grupo, mas dados preliminares apontam para importância da terceira dose.

Publicado na plataforma MedRxiv, o preprint — estudo que ainda não passou por revisão de pares — observou as taxas de proteção da vacina da Pfizer em 365 crianças de 5 a 11 anos e em cerca de 850 adolescentes de 12 a 17 anos, durante os meses de dezembro de 2021 e janeiro de 2022. Neste período, a variante Ômicron (B.1.1.529) do coronavírus SARS-CoV-2 era predominante no estado norte-americano.

Estudo aponta para baixo efeito protetor de duas doses da vacina da Pfizer em crianças contra a covid-19 (Imagem: Reprodução/Oneinchpunchphotos/Envato)

"Na era da Ômicron, a eficácia da BNT162b2 [nome oficial da vacina da Pfizer] contra casos da covid-19 diminuiu rapidamente para crianças, particularmente aquelas de 5 a 11 anos. No entanto, a vacinação de crianças de 5 a 11 anos foi protetora contra doença grave e é recomendada", afirmam os autores do estudo.

"Esses resultados destacam a potencial necessidade de estudar a dosagem alternativa de vacinas para crianças e a importância contínua das proteções em camadas, incluindo o uso de máscaras, para prevenir a infecção e a transmissão", completam os pesquisadores.

Estudo sobre a vacina da covid em crianças

No estudo norte-americano, foi observada a eficácia da vacina da Pfizer contra a variante Ômicron em crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos. Na pesquisa, os voluntários receberam duas doses do imunizante contra a covid-19. Os dados apontam para a rápida perda de proteção do imunizante no atual esquema vacinal.

Por exemplo, a eficácia da vacina contra a infecção — para casos leves e sintomáticos — entre crianças de 5 a 11 anos caiu de 68% para 12% entre os meses de dezembro e janeiro. Para os adolescentes de 12 e 17 anos, a proteção foi de 66% para 51% no final de janeiro.

"A VE [eficácia estimada da vacina] contra hospitalização diminuiu de 85% para 73% para crianças de 12 a 17 anos e de 100% a 48% para aqueles 5 a 11 anos", detalham os autores do estudo. No entanto, é preciso observar que o número de crianças incluídas no estudo é significativamente menor que as das outras faixas etárias.

Interpretando os resultados

Após as semanas de pico de proteção, "não é surpreendente que a proteção contra doenças leves diminuiria", explicou Paul Offit, especialista em doenças infecciosas pediátricas do Hospital Infantil da Filadélfia, para a CBC. Além disso, Offit destaca que a maioria das vacinas apresenta uma menor eficácia contra a Ômicron, já que a variante possui significativas mutações na proteína spike (S) e existe o maior risco de escape imunulógico.

Outro ponto levantado pelo especialista é o baixo número de voluntários incluídos e o ainda menor número de internações em decorrência da covid-19 registrados pelo estudo.

Três doses?

Terceira dose da vacina pode ser necessária para proteger crianças contra a Ômicron (Imagem: Reprodução/WildMediaSK/Envato)

Para entender os possíveis motivos que desencadearam o menor efeito protetor da vacina, principalmente em crianças de 5 a 11 anos, é necessário considerar três fatores: a dosagem da vacina pediátrica da Pfizer; a possível importância da terceira dose; e a formulação da vacina.

Na vacinação contra a covid-19, as crianças recebem uma dose menor do imunizante que a versão usada em adolescentes de 12 a 17 anos e em adultos. Na atual concentração, o efeito protetor pode ser reduzido, ainda mais para variantes de Preocupação (VOC), como a Ômicron.

Estudos da Pfizer em adultos já apontaram que a proteção contra a Ômicron é turbinada com a terceira dose do imunizante, incluindo casos leves, moderados e graves. Pesquisas da farmacêutica apontam para o fato de que apenas duas doses podem ser insuficientes para a proteção contra esta variante.

Todas as questões envolvendo a menor proteção da vacina da Pfizer também estão relacionadas com a formulação do imunizante. Isso porque a atual versão ainda é desenvolvida a partir da cepa original do coronavírus, descoberta em Wuhan, na China, no final de 2019. Diante do atual número de mutações, cientistas investigam a necessidade de novas formulações.

Fonte: MedRxiv e CBC  

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