Quanto vão custar as primeiras vacinas contra COVID-19?

Por Fidel Forato | 28 de Setembro de 2020 às 16h30
Karolina Grabowska/Pexels

Na corrida por uma vacina eficaz e segura contra a COVID-19, o mundo está cada vez mais próximo de uma fórmula "vencedora". Isso porque nove potencias vacinas contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) estão na terceira e última fase de testes antes da aprovação. De acordo com o cronograma, os resultados preliminares de muitos laboratórios estão previstos para os meses de outubro e novembro. Nese cenário, já é possível se perguntar quanto custarão a ou as vacinas.

Com a divulgação dos primeiros resultados de segurança e eficácia de fase 3, muitos países podem acelerar as etapas de aprovação de uma vacina e emitirem uma autorização de uso emergencial por causa da pandemia da COVID-19. Antes mesmo da última fase, a Rússia e a China adotaram o procedimento para imunizantes próprios.

Farmacêuticas começam a discutir valores de vacina contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Gustavo Fring / Pexels)

Quanto deve custar a vacina contra a COVID-19?

Mesmo que haja ansiedade por uma vacina eficaz e segura contra o coronavírus, por enquanto, não há uma previsão formal de venda e muito menos o preço que o imunizante deve chegar para o consumidor final. Por outro lado, há uma série de acordos milionários entre empresas, organizações (como a OMS) e governos que auxiliam a entender o preço das vacinas contra a COVID-19.  

A Johnson & Johnson e a AstraZeneca — parceira comercial da vacina, em desenvolvimento, pela Universidade de Oxford, no Reino Unido —, por exemplo, se comprometeram a vender os respectivos imunizantes desenvolvidos sem lucro durante a pandemia, o que não significa, necessariamente, que serão baratos e acessíveis. 

Em acordo comercial com os Estados Unidos, a dose da AstraZeneca deverá custar cerca de US$ 4 (valor aproximado de R$ 22), sendo que serão necessárias duas para a imunização completa. Já os países da União Europeia devem pagar £ 2,20 por dose do imunizante (cerca de R$ 15). Por outro lado, o governo brasileiro liberou R$ 1,5 bilhão para a compra da fórmula de Oxford, mas esse acordo também prevê a transferência de tecnologia para a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), ou seja, poderá acontecer produção nacional do composto.

Agora, o imunizante desenvolvido pela farmacêutica da Johnson & Johnson, a Janssen, a média da dose será de US$ 10 (cerca de R$ 55), baseado em um acordo com o governo norte-americano. A vantagem é que, até o momento, a pesquisa aponta para a aquisição de imunidade contra o coronavírus a partir de uma única dose.

Mais acordos sobre vacinas

Com valores mais elevados, a empresa Moderna — em parceria com o National Institutes of Health (NIH), o maior centro de pesquisa biomédico dos EUA —  prevê um valor entre US$ 32 a US$ 37 (um valor a partir de R$ 177) por dose. Já se sabe que serão necessárias duas doses para a imunização completa.

No entanto, o valor final do imunizante pode ser outro. Isso porque o CEO da Moderna, Stéphane Bance, já defendeu que “estamos trabalhando com governos de todo o mundo e outros para garantir que uma vacina seja acessível, independentemente da capacidade de pagamento”.

A partir de um acordo de US$ 1,95 bilhão com os EUA para o fornecimento de 100 milhões de doses, é possível estimar que a vacina contra a COVID-19 da Pfizer e da BioNTec custe cerca de US$ 19,50 (cerca de R$ 108) por dose do imunizante.

Em uma entrevista, o CEO da farmacêutica Sinopharm, Liu Jingzhen, disse que a vacina contra a COVID-19 deve chegar ao mercado, ainda em dezembro, com um custo menor que  US$ 145 (menos de R$ 806), somando as duas doses necessárias para a imunização.

Caso a pesquisa com a vacina BCG contra a COVID-19 apresente bons resultados, conforme o centro de Pesquisa Infantil Murdoch investiga. Está poderá ser uma das vacinas mais acessíveis contra a COVID-19, já que é amplamente produzida e é usada, inclusive no Brasil, para evitar casos graves de tuberculose. Nas redes privadas, o imunizante custava aproximadamente R$ 100 a dose, segundo dados do ano passado.

Fonte: VejaThe Guardian e Uol      

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