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Qual é a diferença entre febre oropouche e outras arboviroses

Por| Editado por Luciana Zaramela | 16 de Maio de 2024 às 14h08

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Dunpharlain/Wiki Commons/CC BY-SA 4.0 DEED
Dunpharlain/Wiki Commons/CC BY-SA 4.0 DEED

Historicamente, a febre oropouche é uma doença concentrada na região Norte do Brasil, especialmente em áreas próximas à floresta amazônica. Por conta disso, a maioria das pessoas pouco sabe sobre as diferenças e semelhanças dessa infecção quando comparada com outras arboviroses, como dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana.

Para entender, as arboviroses compõem um grupo de doenças causadas por arbovírus. Em outras palavras, vírus que são transmitidos por artrópodes, os insetos. Isso significa que mosquitos ou mesmo moscas contaminadas podem transmitir essas doenças.

Outra semelhança importante entre todas essas doenças é que a febre costuma ser um sintoma central, como ocorre na febre oropouche e na dengue, o que pode dificultar o diagnóstico. 

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No entanto, exames de laboratório podem confirmar, de fato, qual infecção causa o quadro. No caso da febre oropouche, o agente infeccioso responsável é o Orthobunyavirus oropoucheense (OROV), identificado pela primeira vez nos anos 1960, em um animal silvestre. 

Semelhanças da febre oropouche com dengue

A febre oropouche "pode produzir sintomas muito parecidos com a dengue, a zika e a chikungunya", explica Andrea Almeida, médica infectologista do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), para o Canaltech.

Na maioria das arboviroses, “o paciente começa a sentir febre, dor de cabeça, dor nos músculos, muito mal-estar, dor nas juntas — que é nas articulações — náuseas e diarreia”, detalha a médica.

Como "os sintomas são muito parecidos”, é fácil confundir qual vírus provoca o quadro infeccioso. Inclusive, Almeida conta que “não existe nenhuma característica que diferencia a febre oropouche das outras arboviroses” em relação aos sintomas, como a dengue. 

A exceção pode ser a picada, se o paciente for infectado a partir da picada de um maruim (ou mosquito-pólvora). Isso porque a região afetada costuma coçar e irritar bastante, desencadeando processos alérgicos. Entretanto, o indicativo nem sempre pode ser usado para confirmar o quadro.

Como diagnosticar a febre oropouche?

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Com sintomas inespecíficos, o diagnóstico depende do histórico recente da pessoa. "É muito importante saber de onde veio o paciente para que a gente possa pensar na existência dessa suspeita”, detalha a médica sobre o processo de diagnóstico.

Mais uma limitação nesse processo é que não são todos os locais que realizam os exames específicos da oropouche — isso ocorre pelo fato da doença ter ficado, muitos anos, centrada em uma região específica do país, o que começa a mudar só agora.

Então, o exame mais acessível é o teste de sorologia, ou seja, uma análise do sangue do paciente para identificar anticorpos contra o vírus da febre oropouche. Dependendo da localidade, pode ser solicitado o exame de RT-`PCR, considerado padrão-ouro no diagnóstico, já que investiga e analisa o material genético do vírus.

Diferença com outras arboviroses

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Enquanto os sintomas são bastante parecidos, as diferenças ficam mais claras quando se analisa o vetor (o transmissor da doença). No Brasil, a dengue, a zika e a chikungunya são arboviroses transmitidas, na maioria das vezes, pelo popular mosquito da dengue (Aedes aegypti). Esse mosquito é bastante urbano, e a chance de ser picado cresce dentro das cidades. No entanto, ele não transmite a febre oropouche.

No caso da febre oropouche, a maioria das infecções ocorrem em áreas de mata no que é conhecido como o ciclo silvestre da doença. “O mosquito Culicoides paraenses, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, é considerado o principal transmissor nesse ciclo”, afirma o Ministério da Saúde, em nota.

Além dessa espécie, outros mosquitos podem transmitir a doença nas áreas de flroesta, como Coquilletti diavenezuelensis e o Aedes serratus. Eles podem picar animais silvestres e, possivelmente, transmitir o vírus aos humanos.

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Dentro das cidades, no ciclo urbano, a Saúde destaca novamente o papel do maruim como vetor principal da doença. No entanto, o Culex quinquefasciatus também consegue transmitir a febre oropouche.

Risco da doença no Brasil

O vírus que causa a febre oropouche já foi isolado em diferentes lugares do país, como São Paulo e Rio de Janeiro. Então, “existe a possibilidade, sim, da doença vir a se tornar mais urbana”, pontua a médica Almeida.

Independente do cenário, investimentos na vigilância epidemiológica e na conscientização da doença são importantes. Além disso, é preciso desenvolver medicamentos e até vacinas contra a febre oropouche, já que ainda não existe um tratamento específico, além de repouso, hidratação e remédios para aliviar os sintomas.

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Fonte: Com informações: Ministério da Saúde