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Febre oropouche: o que é? Há riscos do Brasil enfrentar surto?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 11 de Abril de 2024 às 11h41

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Koldunov/Envato
Koldunov/Envato

Nos últimos meses, está mais comum escutar sobre a febre oropouche, uma doença transmitida por mosquitos, como a dengue, a zika e a chikungunya. Apesar de pouco conhecida e quase sempre restrita aos estados do Norte, como o Amazonas, esta infecção ocorre no Brasil há mais de 50 anos. 

A diferença é que, neste ano, os casos da febre oropouche “explodiram”. Até o momento, o Ministério da Saúde identificou 3,3 mil casos da arbovirose — vírus transmitido por artrópodes, como mosquitos. O número é quatro vezes maior que o registrado ao longo do ano passado. No entanto, nenhuma morte foi confirmada até o momento.

O que é Febre do Oropouche?

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Identificado pela primeira vez nos anos 1960 em um animal silvestre, o vírus da febre oropouche é endêmico na região da Amazônia. A transmissão para humanos ocorre a partir da picada de insetos, como o Culicoides paraensis, também conhecido como maruim ou mosquito-pólvora.

Este inseto tem a cor escura, e a sua picada costuma ser bastante dolorida, causando coceira e até hematomas. A picada é bastante diferente da associada ao mosquito da dengue, por exemplo.

No entanto, as espécies Culex quinquefasciatusCoquilletti diavenezuelensisAedes serratus também podem carregar o vírus que causa a febre oropouche, segundo o Ministério da Saúde. 

Sintomas da doença transmitida por mosquitos

Na maioria dos pacientes, os sintomas da febre oropouche podem ser confundidos com a de outras arboviroses, já que são generalistas. A seguir, confira os mais comuns, segundo o Ministério da Saúde:

  • Febre de início súbito;
  • Dor de cabeça;
  • Dor nas articulações;
  • Dor muscular;
  • Náuseas;
  • Diarreia.

Até o momento, “não existe tratamento específico”, lembra a Saúde. Por isso, o paciente deve permanecer em repouso, usando remédios para aliviar os sintomas, enquanto se recupera. Para se proteger, é possível usar repelentes e roupas que reduzem a exposição da pele.

Surto de febre oropouche no Amazonas

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Entre os estados brasileiros, o mais afetado é o Amazonas, com mais de 2,5 mil casos identificados desde o começo do ano. Diante da situação, as autoridades do estado declararam surto de febre oropouche em março.

No entanto, a medida é questionável, já que o surto foi declarado tardiamente, como explica Jesem Orellana, pesquisador da Fiocruz Amazônia. A situação no estado estava crítica desde dezembro do ano passado, especialmente em Manaus.

“Surto, em teoria, é um evento de baixa magnitude, ou seja, que atinge um baixo número de pessoas e por um período de tempo curto. Nós estamos falando de uma epidemia em curso há oito meses, pelo menos, e que já foram diagnosticados cerca de 2 mil casos”, afirma Orellana para a Agência Brasil

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“Na prática, nós devemos ter, pelo menos, 10 mil pessoas que tiveram a doença, mas que não foi possível fazer esse diagnóstico”, acrescenta o pesquisador. Inclusive, um dos desafios é o diagnóstico, já que não existem testes rápidos, e a única alternativa são os testes moleculares, que identificam o RNA viral.    

Casos da Febre Oropouche no Brasil

Para entender o cenário nacional, o Informe Semanal nº 09, da Saúde, confirma a ocorrência de 3,3 mil casos positivos da febre oropouche neste ano, contra 832 casos confirmados em 2023.

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As pessoas mais infectadas são aquelas que têm entre 20 e 49 anos. No entanto, há casos em crianças pequenas (com menos de 10 anos) e em idosos (com mais de 60 anos).

Surto nacional da febre oropouche?

Perto de outras arboviroses, a situação da febre oropouche é menor numericamente. Neste ano, já foram identificados 3,6 mil casos prováveis de zika, 131 mil casos de chikungunya e 3 milhões de casos de dengue, segundo o Painel de Arboviroses, atualizado pela última vez na quarta-feira (10). 

Nesse contexto, o risco de um surto nacional de febre oropouche é baixo, mas isso não significa que a doença não seja um problema de saúde pública. 

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Estados endêmicos para a doença

Um dos fatores que reduz o risco de uma epidemia nacional é que, até o momento, os casos estão associados com regiões específicas, classificadas como endêmicas, mais ao norte do país. 

"Os casos detectados de FO [febre oropouche] tiveram local provável de infecção (LPI) em estados da região Norte”, explica o informe da Saúde. De forma mais simples, quase todas as infecções já detectadas da febre oropouche envolvem pacientes que estiveram em algum dos cinco seguintes estados:

  • Amazonas; 
  • Rondônia; 
  • Acre; 
  • Roraima; 
  • Pará.
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A possível exceção são casos, ainda em investigação, da febre oropouche na Bahia. Além disso, alguns pacientes diagnosticados e tratados no Brasil eram residentes da Bolívia — por lá, infecções pelo vírus também ocorrem.

Na verdade, outros países da América do Sul também enfrentam essa doença, o que inclui Panamá, Argentina, Equador, Peru e Venezuela.

Fonte: Painel de Arboviroses, Agência Brasil e Ministério da Saúde (1) e (2)