Quais são os sintomas da varíola dos macacos em humanos?

Quais são os sintomas da varíola dos macacos em humanos?

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 31 de Maio de 2022 às 10h00
R. Robinson/CDC

As erupções e lesões na pele são consideradas o principal sintoma da varíola dos macacos (monkeypox) em humanos. Este sinal da infecção tende a surgir alguns dias após o início da febre no paciente infectado pela zoonose viral — uma doença comum em animais, mas que também pode afetar seres humanos.

O vírus da varíola dos macacos foi descoberto, pela primeira vez, em 1958. No entanto, o primeiro caso humano data o ano de 1970, quando casos da infecção foram identificados na República Democrática do Congo. Desde então, especialistas estudam os sintomas da doença no organismo humano.

Hoje, alguns países do continente africano encaram a doença de forma endêmica, ou seja, anualmente um número esperado de casos são confirmados. Desde maio de 2022, casos atípicos da infeção são relatados, principalmente, na Europa e na América do Norte.

Para a maioria dos casos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) explica que a varíola dos macacos é "uma doença autolimitada com os sintomas que duram de 2 a 4 semanas". Inclusive, a letalidade é baixa, mas, em alguns casos, pode levar ao óbito.

Sintomas da varíola dos macacos

"O período de incubação — intervalo desde a infecção até o início dos sintomas — da varíola dos macacos é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias", detalha a OMS. Em outras palavras, os primeiros sintomas da doença começam a aparecer após o quinto dia da infecção.

De forma geral, os primeiros sintomas da varíola dos macacos são:

  • Febre;
  • Dor de cabeça intensa;
  • Linfadenopatia (inchaço dos gânglios linfáticos);
  • Dor nas costas;
  • Mialgia (dores musculares);
  • Astenia intensa (falta de energia).

Entre 24 e 36 horas do início da febre, os especialistas apontam para o aparecimento de um novo sintoma da infecção:

  • Erupções na pele.

Quando a infecção não é controlada, o vírus monkeypox pode causar graves desdobramentos para a saúde do indivíduo. "As complicações da varíola dos macacos podem incluir infecções secundárias, como broncopneumonia, sepse, encefalite e infecção da córnea com consequente perda de visão", explica a OMS.

Como são as erupções do monkeypox?

Erupções na pele são o principal sintoma da varíola dos macacos em humanos (Imagem: Brian W.J. Mahy/CDC)

As erupções da varíola dos macacos tendem a se concentrar na face e nas extremidades do corpo, como as mãos e os pés, do que no tronco, explicam os especialistas. A OMS aponta que o rosto é afetado em 95% dos casos. Nas extremidades do corpo, a taxa de identificação das lesões caí para 75%.

Além disso, as mucosas orais (em 70% dos casos), a genitália (30%) e os olhos (20%) também podem ser afetados pelo vírus monkeypox.

Evolução das "marcas" na pele

De forma geral, as erupções na pele evoluem na seguinte sequência:

  • Primeiro estágio: aparecem as máculas, ou seja, lesões com base plana;
  • Segundo estágio: as máculas se tornam pápulas, que são lesões firmes levemente elevadas;
  • Terceira estágio: as lesões são preenchidas por um líquido claro, quando recebem o nome de vesículas;
  • Quarto estágio: o líquido claro das lesões se torna amarelado e, com isso, as erupções recebem o nome de pústulas;
  • Quinto estágio: por fim, as lesões vazam e se formam crostas, que secam e caem.

É importante observar que número de erupções varia de indivíduo para indivíduo. Dependendo do caso, podem se formar centenas de lesões.

Como distinguir da catapora e do sarampo?

"A linfadenopatia é descrita como uma característica distintiva da varíola dos macacos em comparação com outras doenças que inicialmente podem ter sinais e sintomas semelhantes como a catapora, sífilis e o sarampo", explicam os cientistas brasileiros da CâmaraPox MCTI.

Vale explicar que este grupo de especialistas foi formado pelo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) para acompanhar a evolução de casos atípicos do vírus monkeypox no mundo. Entre os cientistas, estão pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Fonte: OMS e MCTI    

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