Varíola dos macacos: OMS rastreia surtos da doença em 23 países

Varíola dos macacos: OMS rastreia surtos da doença em 23 países

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 30 de Maio de 2022 às 13h35
Ryasnyansky/Envato Elements

A Organização Mundial da Saúde (OMS) registra a presença de surtos da varíola dos macacos (monkeypox) em pelo menos 23 países, onde a doença não é endêmica. No total, são 257 casos confirmados da infecção e outros 120 suspeitos. Até o momento, nenhuma morte foi relatada.

"A situação está evoluindo rapidamente", explica a OMS, em comunicado divulgado no domingo (29). Inclusive, é esperado que casos sejam identificados à medida que a vigilância se expande em países não endêmicos. No momento, estes são os cinco países que mais registraram casos da infecção:

  • Reino Unido: 106 casos da varíola dos macacos;
  • Portugal: 49 casos;
  • Canadá: 26 casos;
  • Espanha: 20 casos;
  • Holanda: 12 casos.

Vale explicar que, segundo a OMS, "um caso de varíola em um país não endêmico é considerado um surto". Por isso, a situação da Europa é considerado um alerta para a saúde global.

OMS já identificou casos da varíola dos macacos em 23 países (Imagem: Twenty20photos/Envato Elements)

Qual é o risco para a saúde global?

Atualmente, "o risco geral de saúde pública em nível global é avaliado como moderado, considerando que esta é a primeira vez que casos e aglomerados de varíola são relatados simultaneamente em áreas geográficas da OMS amplamente díspares e sem vínculos epidemiológicos conhecidos com países não endêmicos na África Ocidental ou Central", explica a organização.

Aqui, é importante explicar que, diferente do atual surto, alguns países do continente africano lidam anualmente com números significativos da doença. Em áreas endêmicas, já foram contabilizados 1.365 casos da infecção desde o começo deste ano. Além disso, foram contabilizados 69 óbitos. Entre os países, o mais afetado é a República Democrática do Congo, com 1,2 mil casos e 58 mortes.

Risco de infecção pode aumentar

Apesar do risco "moderado", a OMS adianta que "o risco à saúde pública pode se tornar alto se esse vírus explorar a oportunidade de se estabelecer como um patógeno humano e se espalhar para grupos com maior risco de doenças graves, como crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas".

No mundo, a maior parte da população é vulnerável ao vírus da varíola dos macacos, já que a vacinação contra a varíola — que confere proteção cruzada contra a varíola dos macacos — foi descontinuada desde 1980 ou antes em alguns países. No Brasil, as doses deixaram de ser aplicadas em 1975, por exemplo.

Testes devem ser feitos em todos os suspeitos

"Qualquer indivíduo que atenda à definição de caso suspeito deve receber testes", explica a OMS. Além disso, o paciente deve ser isolado, o que impede que a infecção seja transmitida para outras pessoas saudáveis.

Além do isolamento, as equipes de saúde devem estar atentas para a infecção. Segundo a OMS, "existe um risco potencial para os profissionais de saúde se eles não estiverem usando equipamentos de proteção individual (EPI) adequados para evitar a transmissão".

O que sabemos sobre os casos de varíola dos macacos?

Atualmente, as autoridades de saúde e cientistas investigam as origens dos surtos atípicos da varíola dos macocos. Por exemplo, ainda não se sabe se o atual vírus sofreu alguma mutação, o que pode favorecer a sua transmissão.

"A grande maioria dos casos notificados até agora não tem vínculos de viagem estabelecidos para uma área endêmica e foram apresentados por meio de cuidados primários ou serviços de saúde sexual", explica a OMS. Em comum, alguns casos estão relacionados com o comportamento de seus indivíduos. "Os casos foram notificados principalmente entre homens que fazem sexo com homens (HSH)", detalha.

"O aparecimento súbito da varíola dos macacos simultaneamente em vários países não endêmicos sugere que pode ter havido transmissão não detectada por algum tempo, bem como eventos amplificadores recentes", completa.

Fonte: OMS  

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