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Psilocibina de cogumelos alucinógenos pode tratar depressão severa

Por| Editado por Luciana Zaramela | 03 de Novembro de 2022 às 13h06

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Simol1407/Envato
Simol1407/Envato

A psilocibina, composto que vem de cogumelos alucinógenos, já mostrou sucesso em diversos tratamentos, como do alcoolismo, com mais e mais estudos sendo feitos em torno de sua eficácia quando aliada ao acompanhamento psicológico. Agora, um novo estudo mostrou que a droga ajuda a diminuir os sintomas de depressão por até 12 semanas — com algumas ressalvas.

Ao utilizar cápsulas de 25 mg de psilocibina, os pacientes ficam em um estado onírico (de sonho), tornando a terapia com psicólogos mais bem-sucedida: mas há alguns efeitos adversos de curto prazo que precisam de atenção. Além disso, especialistas urgem por estudos maiores e mais longos com o composto.

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Psilocibina contra depressão severa

Cerca de 100 milhões de pessoas sofrem, por todo o mundo, de depressão clínica severa, que não responde aos tratamentos atualmente dispensados aos pacientes da condição. Destes, 30% já tentaram suicidar-se. O estudo mais recente com a psilocibina envolveu testes com doses de 1 mg, 10 mg e 25 mg, em 233 pessoas de 10 países europeus e norte-americanos. Os melhores resultados, mostrando o caráter promissor da droga como um novo tratamento aos depressivos, foram obtidos com 25 mg.

A maioria dos pacientes já vinha apresentando depressão severa por mais de um ano, com idade média de 40 anos. Após uma dose de 25 mg de psilocibina Comp360, acompanhada de psicoterapia, 1 a cada 3 deixou de ser diagnosticados com depressão em 3 semanas; 1 a cada 5 apresentou melhora significativa em 12 semanas de tratamento.

Segundo os cientistas responsáveis, a droga age diretamente no cérebro, deixando o paciente em um estado mental mais flexível e dando uma janela de oportunidade para a terapia. Após a dose, eles ficam deitados em uma cama, num quarto calmo, onde têm a experiência de uma "viagem" psicodélica — descrita, por um deles, como um sonho acordado — por 6 a 8 horas.

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É aí, aliás, que surgem os efeitos adversos. A viagem pode ser tanto positiva quanto negativa: memórias difíceis do passado podem vir à tona enquanto uma sensação de reconexão consigo mesmo e com seus sentimentos está ocorrendo, por exemplo. Por isso, um terapeuta ficou de prontidão para ajudar os participantes.

Problemas e necessidades

No dia e semana seguintes, os pacientes tiveram suporte psicológico para falar sobre a experiência. Segundo os psicoterapeutas, eles vão de "o que tem de errado comigo?" para "o que aconteceu comigo?". Alguns deles tiveram efeitos adversos como dores de cabeça, náuseas, cansaço extremo e pensamentos suicidas. Isso não é incomum, dizem os cientistas, mas pode ser uma preocupação para alguns especialistas.

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Acompanhando o estudo, psiquiatras notam ser preciso investigar os efeitos da psilocibina mais a fundo e por mais tempo, com testes randomizados. A mais recente pesquisa, publicada no New England Journal of Medicine, seria a evidência mais forte dessa necessidade. Entre elas, nota-se uma diminuição do efeito benéfico após 12 semanas, então o acompanhamento dos pacientes após esse período é de suma importância.

Um novo teste, ainda maior, terá início em breve, com o objetivo de descobrir quantas doses são necessárias para evitar o retorno da depressão. Como o distúrbio pode se instalar por longos períodos, é importante saber se o composto pode substituir os remédios atualmente utilizados no tratamento. Segundo especialistas, pode levar até 3 anos para que a droga possa ser autorizada para utilização oficial em terapias.

Fonte: NEJM