Próxima geração de vacinas contra COVID-19 pode ser no formato de... pílulas!

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 27 de Abril de 2021 às 14h08
DragonImages/Envato

Para combater a pandemia do coronavírus SARS-CoV-2, todas as vacinas disponíveis para o uso são aplicadas através de uma ou duas injeções, mas este cenário pode mudar em breve. Novas pesquisas investigam outras formas de imunização contra a COVID-19, como vacinas de spray nasal (inclusive, pesquisadores brasileiros trabalham em uma versão do tipo). Agora, a aposta da nova geração é em pílulas de vacina.

Em forma de comprimido, esta potencial vacina poderá ampliar a imunização contra a COVID-19 no mundo inteiro, porque o formato permite que o armazenamento seja feito em temperatura ambiente, um fator fundamental para simplificar a sua administração. Outra vantagem é que será uma alternativa em locais onde falta seringas esterilizadas. E ainda facilitará a vacinação de pessoas com fobia de agulhas.

Pílulas poderão imunizar contra a COVID-19 no futuro, apostam pesquisadores (Imagem: Reprodução/HalGatewood/Unsplash)

“É emocionante. Isso mostra a inovação de que cientistas, governo e academia estão trabalhando para melhorar o que temos”, afirmou William Schaffner, médico e diretor da Fundação Nacional para Doenças Infecciosas (NFID, em inglês), nos Estados Unidos. “Se você pudesse administrar as vacinas através de um spray nasal ou uma pílula eficaz, poderia aplicá-las com segurança em um grande número de pessoas muito rapidamente. Você não precisaria de pessoas treinadas para aplicar injeções. Todos os problemas de uso de agulhas e seringas com segurança desapareceriam”, completou.

No entanto, ainda há um longo caminho para ser percorrido até uma fórmula segura e eficaz de vacina contra a COVID-19 no formato de pílula e, por enquanto, as pesquisas mais promissoras estão na primeira fase dos estudos clínicos (com humanos).

Um comprimido e pronto?

Segundo o levantamento de pesquisas sobre vacinas em desenvolvimento, feito pelo FasterCures — um centro de aceleração para soluções médicas do Instituto Milken —, cinco pesquisas trabalham em uma fórmula que pode ser aplicada por via oral contra a COVID-19. Destaque no formato, esta a pesquisa da empresa ImmunityBio já na fase 1 de estudos clínicos, na África do Sul. No mesmo estudo, são testadas também formulações subcutâneas e sublinguais.

A fórmula da ImmunityBio trabalha com dois alvos do coronavírus, baseada na tecnologia de vetor viral e construída com um adenovírus editado geneticamente. "Com o objetivo de criar uma proteção de longo prazo contra o vírus, a [vacina] hAd5-COVID-19 tem como alvo a proteína de pico externo (S) e a proteína mais estável do nucleocapsídio interno (N), ativando anticorpos, células B de memória e células T", explica a empresa, em comunicado.

No entanto, a pílula ainda é vista como uma possibilidade de reforço. “Este ensaio de Fase I e a estratégia de desenvolvimento planejada para esta vacina são essenciais para nós, na África do Sul, para enfrentar a crise social e de saúde que a COVID-19 causou em nosso país e a ameaça representada pela disseminação de novas variantes. A possibilidade de cápsulas orais para doses de reforço é muito animadora", afirma o Dr. Graeme Meintjes, professor da Universidade da Cidade do Cabo e um dos responsáveis pelo projeto.

Fonte: HealthLine e ImmunityBio   

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