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Por que remédio tem gosto amargo?

Por  • Editado por Luciana Zaramela | 

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gstockstudio/envato
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Já parou para pensar por que remédio tem gosto amargo? Esse é um problema que nos acompanha desde a infância: a dificuldade de tomar algum medicamento justamente por conta do sabor que, na maioria das vezes, é bem desagradável. Mas existem algumas razões que ajudam a entender que nada é em vão.

De acordo com a American Chemical Society, a maioria dos produtos químicos presentes nas fórmulas farmacêuticas são derivados de plantas e, portanto, essencialmente amargos. Alguns medicamentos mais potentes muitas vezes até cheiram mal e causam irritação na boca.

A raiz de todo amargor está nas papilas gustativas humanas, ou receptores gustativos. Embora existam apenas alguns receptores para sabores doces, a evolução trouxe ao homem com cerca de 27 para os amargos. Nos tempos pré-históricos, essa maior sensibilidade ao amargor impedia os primeiros humanos de comer plantas tóxicas ou outros alimentos desagradáveis ​​e possivelmente venenosos.

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Já a rejeição das crianças a medicamentos desagradáveis ​​e a alimentos com sabor amargo é um produto complexo do amadurecimento dos sistemas sensoriais, da variação genética, das experiências e da cultura, segundo a instituição. Isso porque as crianças nascem com uma preferência muito mais forte por sabores doces, algo que já começa na relação entre os bebês e o leite materno.

Por que remédio tem sabor ruim?

Para alguns medicamentos, é possível mascarar o amargor encapsulando a substância química amarga em forma de pílula ou comprimido, ou usando bloqueadores especiais que entorpecem os receptores da língua. No entanto, é extremamente difícil mascarar os sabores de alguns dos medicamentos líquidos verdadeiramente amargos, e uma melhor compreensão dos receptores do sabor amargo pode produzir novas formas de superar os sabores desagradáveis.

Mas a grande questão é que os medicamentos são feitos para conter o mínimo possível de aditivos, pois podem interferir na ação dos princípios ativos. A adição de aromas e sabores está no final da lista de prioridades e pode causar mais problemas do que resolver.

Cientistas já identificaram genes que codificam certos receptores de sabor amargo. Uma variação no gene TAS2R38, por exemplo, está ligada à percepção de amargor. Chamado de gene do "supergosto", permite que as pessoas experimentem o amargor do café ou do brócolis de forma melhorada. Nesse caso, a pessoa deve herdar o gene T2R38 de ambos os pais. Além disso, o mesmo gene desempenha um papel no sistema imunológico.

IA prevê remédio amargo

Mas com base nisso, neste ano, pesquisadores da University College London (UCL), na Inglaterra, passaram a desenvolver um novo modelo de inteligência artificial capaz de prever o sabor de uma medicação.

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A ideia é que, ao entrar em contato com uma substância, a tecnologia possa fornecer uma pontuação, dizendo assim se o remédio tem gosto amargo, e estimar o nível de aversão que provocará na dose clínica recomendada.

Fonte:  American Chemical SocietyNational Institutes of Health