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Pela 1ª vez, HIV é encontrado no cérebro em estado dormente

Por| Editado por Luciana Zaramela | 19 de Junho de 2023 às 19h53

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NIAID/CC-BY-2.0
NIAID/CC-BY-2.0

Cientistas provaram, em novo estudo, que o vírus da imunodeficiência humana (HIV, na sigla anglófona) consegue ficar em estado dormente no cérebro. O reservatório persistente do patógeno é a microglia, um tipo de célula que forma parte do sistema imune humano. Agora que essa presença foi confirmada, é possível buscar formas de erradicar o vírus do órgão, bem como de outros locais do corpo.

O HIV é um retrovírus, o que significa que, como parte do seu ciclo de vida, ele copia seu material genético e o insere dentro de células humanas hospedeiras. Geralmente, a infecção ocorre em um subtipo específico de glóbulos brancos, parte chave do nosso sistema imunológico. A perda gradual deles à medida que sucumbem ao patógeno causa a diminuição da função imune do corpo e, sem tratamento, leva à síndrome da imunodeficiência adquirida — AIDS.

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Em alguns casos, no entanto, as células infectadas pelo HIV tomam um caminho diferente, entrando no chamado estado de latência, ou seja, tornando-se dormentes ou inativas, podendo ficar assim por muitos anos. Atualmente, os tratamentos recebidos pelas pessoas HIV-positivas levam ao estado indetectável do vírus, ou seja, a infecção fica sob controle e elas não passam mais o patógeno à frente.

As células dormentes, no entanto, seguem existindo, embora inofensivas, o que significa que parar com o tratamento dá margem para a infecção poder causar problemas.

Descobrindo o HIV no cérebro

A ciência já sabia que as micróglias servem de reservatório persistente no cérebro, então suspeitava-se, no passado, que o HIV pudesse chegar até lá, mas não havia como provar esse acontecimento. Já é difícil coletar tecido cerebral normalmente, e, em pacientes recebendo medicação contra o HIV, o procedimento se torna particularmente arriscado. O que mudou a situação foi o programa The Last Gift (o último presente, em tradução livre).

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As amostras vieram de pessoas vivendo com o HIV, passando por terapia, mas enfrentando alguma doença fatal. No programa, elas não apenas concordam em doar seus corpos à ciência, mas também se prontificam a participar de pesquisas nos últimos meses de vida. Além de estudar as amostras de tecido cerebral doado, os cientistas também fizeram experimentos em cérebros de macacos-rhesus (Macaca mulatta) infectados com o vírus da imunodeficiência símia (VIS), um parente próximo do HIV.

Detectando o DNA do HIV na micróglia coletada dos tecidos cerebrais, foi possível provar que o patógeno fica dormente no órgão. O plano dos pesquisadores, agora, é descobrir quão grande o reservatório cerebral é, e como o vírus consegue se esconder no local por tanto tempo. Aparentemente, é um mecanismo diferente do que permite a presença do HIV em glóbulos brancos.

O HIV, segundo os cientistas, é “muito esperto”. O vírus evoluiu para ter controle epigenético de sua expressão, ou seja, consegue silenciar a si mesmo para conseguir se esconder no cérebro, livre de ameaças imunes. Com o achado, começamos a desvendar como o patógeno consegue fazer isso. Conseguir, finalmente, entender HIV pode nos dar uma forma de erradicá-lo em seu estado latente, atingindo a verdadeira cura para a doença que causa.

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Fonte: UNC School of Medicine, The Last Gift via IFLScience