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O tamanho do cérebro não determina o nível da inteligência humana

Por| Editado por Luciana Zaramela | 15 de Dezembro de 2023 às 10h55

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Pete Linforth/Pixabay
Pete Linforth/Pixabay

O cérebro humano é uma máquina extremamente potente e capaz de fazer conexões únicas, através dos neurônios. Inclusive, foi este órgão ainda misterioso que permitiu a humanidade chegar tão longe. No entanto, os cientistas ainda não sabem explicar o que o torna tão único, quando comparado a outras espécies. Muito possivelmente, a resposta não está apenas no tamanho.

Apesar do tamanho não ser o fator determinante, é preciso pontuar: sim, o cérebro humano é grande. “Os humanos são de longe os primatas com o maior cérebro”, afirma o neurocientista Martijn van den Heuvel, da Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda, para a BBC Future.

Além disso, nos últimos 6 milhões de anos de evolução dos hominídeos — grupo que envolve os humanos e os seus ancestrais extintos, como os neandertais —, há uma tendência evidente do aumento do cérebro, com algumas exceções.

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Teorias antigas

No século XX, prevaleceu a ideia de que o nível de inteligência de um indivíduo era determinado exclusivamente a partir do tamanho do seu cérebro. Defendida pelo anatomista escocês Arthur Keith, a teoria era que o volume mínimo deveria ser de 600 a 750 centímetros cúbicos, podendo chegar até 900 centímetros cúbicos. Se o órgão fosse menor, ele não teria capacidade para desenvolver as funções de raciocínio.

Como era de se esperar, o conceito errôneo foi superado. Hoje, sabe-se que o tamanho do cérebro não é fundamental para determinar a inteligência. O mais importante são as conexões cerebrais (sinapses) entre os neurônios, que estão ligadas com a capacidade intelectual, ainda que não se compreenda exatamente este mecanismo.

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Olhando a pré-história

Embora os cérebros dos hominídeos tenha crescido ao longos dos milhões de anos, existem pelo menos duas exceções de espécies com o órgão diminuto, mas bastante inteligentes:

  • Homo floresiensis: conhecidos como os “hobbits” da vida real, estes hominídeos viviam na Indonésia e tinham cérebros que mediam entre 380 a 430 centímetros cúbicos. Apesar disso, fabricavam e usavam ferramentas com maestria;
  • Homo naledi:originários da África do Sul, estes também tinham cérebros pequenos. Só que isso não os impediu de controlar o fogo — há marcas de fuligem nas cavernas que habitavam. Também é possível sugerir que tivessem alguns tipos de rituais fúnebres. Ambos os comportamentos apontam para elevada inteligência.

Cérebros de humanos modernos

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A resposta para a inteligência humana está, muito provavelmente, na presença de 86 milhões neurônios no cérebro e sua intrincada rede de conexões, enviando sinais para todos os lados. Estas complexas ligações começam a ser reveladas, agora, a partir dos conectomas, ou seja, mapas fluorescentes que detalham as conexões neurais, produzidos por cientistas.

A seguir, veja um conectoma do cérebro humano, algo tão surpreendente que parece uma obra de arte:

“Mesmo pequenas mudanças na conectividade [dos neurônios], especialmente na conectividade de longo alcance, provocam mudanças cognitivas e comportamentais realmente profundas”, afirma o neurocientista Nenad Sestan, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

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A equipe de Sestan já investigou o que diferencia o cérebro humano e o dos chimpanzés em artigo publicado na revista PNAS. Segundo o pesquisador, as duas espécies compartilham muitos padrões de conectividade, mas os humanos têm um nível muito maior desse tipo de ligação em regiões envolvidas com a linguagem, dentro do córtex.

Genes específicos

Em pesquisas anteriores envolvendo os chimpanzés, foi comparado o genoma desta espécie com o dos humanos. Neste caso, foram descobertos inúmeros genes com funções específicas envolvendo o cérebro, como o SRGAP2C, que é exclusivo do gênero Homo.

A partir desta descoberta, pesquisadores da Universidade Columbia, nos EUA, incluíram no DNA de ratos este gene exclusivamente hominídeo. Com o experimento descrito na revista Nature, a equipe observou que o gene alterou significativamente o conectoma dos roedores. Novas conexões neuronais tinham se formado no córtex, o que muda o funcionamento do cérebro desses animais.

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Agora, mais estudos são necessários para entender todos os mecanismos que levam o ser humano a ser tão inteligente, incluindo questões envolvendo o seu DNA. No entanto, já se sabe que o tamanho do cérebro não é um fator decisivo.

Fonte: PNAS, Nature e BBC Future