Neuralink: Elon Musk demonstra implante cerebral para tratar transtornos

Por Natalie Rosa | 28 de Agosto de 2020 às 21h48
TechNetium
Tudo sobre

Elon Musk

Saiba tudo sobre Elon Musk

Mais de um ano depois da apresentação oficial dos trabalhos da Neuralink, Elon Musk, fundador da empresa (além da SpaceX e da Tesla), finalmente revelou como está o andamento do projeto que promete a implantação de um chip no cérebro humano. O evento aconteceu nesta sexta-feira (28).

Em julho do ano passado, Musk revelou o seu receio de que a inteligência artificial ultrapassasse a humana, sendo o fator crucial para a criação da Neuralink, pontuando ser um problema que precisaria ser solucionado o quanto antes. Então, o executivo e sua equipe anunciaram o desenvolvimento de um microchip para ser implantado próximo às orelhas, vinculando eletrodos que chegariam até o cérebro. Com isso, a promessa era que seria possível controlar computadores, smartphones e outros dispositivos.

Porém, por a Neuralink se tratar de uma empresa médica, o objetivo principal do projeto acaba sendo ajudar pessoas com atividades motoras limitadas, o que já vem sendo feito em outras companhias. Chips semelhantes ao da companhia de Musk já são usados para o tratamento da doença de Parkinson, ou ainda para ajudar pessoas com paralisia a moverem um braço robótico. A proposta do executivo, no entanto, sempre pareceu mais ousada e inovadora do que tudo o que a concorrência já criou.

Ideia inicial para o implante (Foto: Divulgação/Neuralink)

Evolução

Meses após a primeira apresentação, muita coisa mudou. O evento atrasou cerca de 40 minutos, mas assim que começou, Musk já foi direto ao ponto, falando sobre a finalidade do projeto, reforçando a preocupação com a saúde. Ainda antes de começar o evento, Elon Musk adiantou em resposta a uma seguidora no Twitter que existe um espaço gigante entre o uso do produto para fins médicos, apenas para pessoas com condições graves de saúde, e para o público em geral. Isso deixou bem claro que nada que fosse apresentado no evento chegaria ao consumidor final tão facilmente.

Em seus slides, Musk mostrou que quase todo mundo adquire problemas neurológicos com o passar do tempo e que precisamos de um dispositivo cerebral viável para ajudar a contornar condições como:

  • Perda de memória;
  • Perda de audição;
  • Cegueira;
  • Paralisia;
  • Depressão;
  • Insônia;
  • Dor extrema;
  • Convulsões;
  • Ansiedade;
  • Vícios;
  • Derrames;
  • Danos cerebrais.

Elon Musk chegou a comparar o dispositivo da Neuralink com projetos já existentes, como o Utah Array, que possui bem menos eletrodos, conta com pequenas garras para serem afixadas na cabeça e que depende de fios e caixas grandes, o que não aparenta ser confortável, nem agradável visualmente — e, segundo ele, ainda oferece riscos de infecção. A comparação também foi feita com a estimulação cerebral profunda (ECP), tratamento que funciona com um marcapasso cerebral usado em doenças neurológicas, com o executivo revelando que nem sempre funciona e que pode destruir um pouco de matéria do órgão, apesar de já ter ajudado mais de 150 mil pessoas.

Um ano depois, o implante é feito no topo da cabeça e não é visível (Imagem: Reprodução/Neuralink)

Logo depois, Musk mostrou que o dispositivo se tornou mais discreto, mas um pouco mais invasivo. O que antes era conectado atrás das orelhas, com os eletrodos percorrendo um caminho até o cérebro, agora é um implante que fica localizado no topo da cabeça. "É como uma Fitbit no seu crânio, com fios muito finos", disse o executivo, contando que o chip será capaz de não só fazer o monitoramento de saúde do usuário, o que já é conhecido em relógios e pulseiras inteligentes, mas também para executar funções do dia a dia, como colocar música para ouvir, por exemplo.

O dispositivo se chama Link V0.9, conta com 1.024 canais, mede 23 mm x 8 mm, é incorporado ao crânio e sua bateria dura um dia inteiro, sendo preciso carregar apenas à noite. A instalação do chip, que é redondo e parece ter o tamanho de uma moeda, é feita com uma cirurgia realizada por um robô desenvolvido pela própria Neuralink, permitindo que todo o procedimento seja feito em apenas uma hora no hospital, sob anestesia geral, com o paciente voltando para casa no mesmo dia.

Principais especificações do implante (Imagem: Reprodução/Neuralink)

A máquina vai cortar o crânio e retirar um pedaço para que o dispositivo caiba perfeitamente. Uma vez inserido, ele é coberto e pode ser escondido. "Eu posso estar usando um e vocês nem perceberam. Ou não", brincou o bilionário. Musk chegou a mostrar imagens do dispositivo sendo inserido no cérebro, sem sangramento. A máquina que faz a cirurgia é separada em cabeça, corpo e base, câmeras e sensores que fazem o mapeamento do cérebro do paciente, e a agulha que vai fazer o corte.

Robô cirurgião da Neuralink (Foto: Woke Studio)

Nada de humanos, por enquanto

Apesar dos avanços, o chip ainda não foi testado em humanos, nem em macacos ou hamsters, mas sim em porcos. A Neuralink levou à apresentação três porcos: um sem o implante, um que teve o implante e foi retirado, e um com o implante instalado há dois meses. O objetivo foi mostrar que o comportamento dos três porcos estavam iguais, que mesmo se o paciente decidir retirar o implante algum dia não haverá nenhum dano e ele continuará vivendo normalmente.

O porco que estava com o implante teve a sua atividade cerebral mostrada na tela, ao mesmo tempo em que ele era alimentado por um dos cuidadores, mais uma vez comprovando que não foi causado nenhum dano ao órgão do animal. Os cientistas afirmaram ter escolhido o porco como cobaia por ele contar com o cérebro de tamanho similar ao humano, mas que no fim descobriram que seu comportamento era bastante curioso e parecido com o nosso.

Implante detectando a atividade cerebral do porco (Foto: Reprodução/Neuralink)

O executivo contou também que o dispositivo recebeu em julho a aprovação do Breakthrough Designation da FDA (Food and Drugs Administration), órgão regulador norte-americano, para que o dispositivo seja usado para tratamento de doenças ou condições debilitadoras. Além disso, a companhia está se preparando para a inserção do primeiro implante em humanos, precisando apenas aguardar a aprovação e conduzir um teste de segurança.

Musk finalizou a apresentação contando que a Neuralink está com vagas abertas para diversos setores, afirmando que a companhia precisa de vários funcionários para continuar aprimorando o dispositivo e garantindo toda a segurança necessária. O chip, inicialmente, vai ser bem caro — mas com o tempo o valor deve cair consideravelmente, segundo o executivo.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.