Nariz e garganta não estão sendo levados em conta no combate à COVID; entenda!

Nariz e garganta não estão sendo levados em conta no combate à COVID; entenda!

Por Nathan Vieira | 02 de Dezembro de 2020 às 13h00
outsideclick/pixabay

É muito comum que, ao realizar um teste para a COVID-19, uma amostra seja coletada do nariz ou da garganta, onde o vírus é mais facilmente detectado. Pesquisadores da Universidade de Buffalo lançaram um artigo ressaltando a importância de estudos acerca da doença em questão, enaltecendo a importância da imunidade das mucosas do nariz e da boca.

No artigo, os pesquisadores expressaram preocupação de que a imunidade das mucosas não tenha sido o foco de muitas pesquisas sobre COVID-19 até então. "Achamos que é uma omissão séria ignorar a resposta imune da mucosa ao SARS-CoV-2. Claramente, a resposta da imunoglobulina G [um tipo de anticorpo] é importante e não negamos isso, mas por si só é insuficiente", diz Michael W. Russell, professor do Departamento de Microbiologia e Imunologia da Jacobs School of Medicina e autor sênior do artigo.

Segundo Russell, o foco inicial da pesquisa sobre a doença estava nos casos de doença grave quando o vírus desce para o trato respiratório inferior, especialmente os pulmões, mas, como o trato respiratório superior (o que inclui o nariz e a garganta, bem como adenoides e amígdalas) é o ponto inicial de infecção do vírus SARS-CoV-2, as respostas imunológicas desencadeadas são de extrema relevância.

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Especialistas ressaltam importância de estudar imunidade da mucosa em relação à COVID-19 (Imagem: fernando zhiminaicela/Pixabay)

Além disso, a alta taxa de transmissão assintomática de COVID-19 é outra razão pela qual a imunidade das mucosas é tão importante, de acordo com os autores. "Dado que muitas pessoas infectadas permanecem assintomáticas, e que um grande número daqueles que desenvolvem sintomas sofrem apenas de doença leve a moderada, isso sugere que algo, em algum lugar, faz um trabalho razoavelmente bom no controle do vírus. Será que isso se deve às primeiras respostas imunológicas da mucosa nasofaríngea que consegue conter e eliminar a infecção antes que ela se torne grave? Não saberemos, a menos que essas questões sejam abordadas", refletiu Russell.

De acordo com o artigo em questão, estudos são necessários para determinar a natureza das respostas de anticorpos da imunoglobulina, e as respostas imunes da mucosa podem variar dependendo das diferentes faixas etárias e populações. Eles apontam que o foco na imunidade da mucosa também pode possibilitar o desenvolvimento de um tipo de vacina, como a intranasal, que inclusive pode não ter requisitos especiais de temperatura, por exemplo.

"A vantagem potencial de uma vacina de mucosa, especialmente uma que seja intranasal, é que ela deve induzir respostas imunes, incluindo de anticorpos SIgA, no local — neste caso, especialmente no trato respiratório superior, onde o coronavírus faz o primeiro contato", explicou Russell, acrescentando que as vacinas injetáveis ​​geralmente não fazem isso.

Entre as áreas de estudo que os autores sugerem que seriam construtivas estão os estudos moleculares sobre anticorpos IgA e sua relação com o estágio da doença de COVID-19. "Como imunologistas da mucosa com várias décadas de experiência, ficamos perturbados com isso e esperamos chamar a atenção para esta omissão. Afinal, o sistema imunológico da mucosa é, de longe, o maior componente de todo o sistema imunológico e evoluiu para proteger as superfícies da mucosa, onde surge a grande maioria das infecções", concluiu Russell.

Fonte: EurekAlert!

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