Medicamento anticâncer bloqueia multiplicação do coronavírus, aponta estudo

Por Nathan Vieira | 26 de Janeiro de 2021 às 17h00
freestocks.org/Pexels

Na última segunda (25), uma equipe constituída por especialistas da Universidade da Califórnia em San Francisco, do Instituto Pasteur de Paris e da empresa PharmaMar trouxe à tona um estudo sobre a eficácia de um remédio contra a COVID-19. Trata-se da plitidepsina, uma droga sintética, produzida sob o nome comercial de Aplidina, para tratar o câncer do sangue (mieloma múltiplo). Por enquanto, o medicamento só foi aprovado na Austrália.

Segundo o estudo, que foi publicado na revista Science, esse medicamento é cerca de 100 vezes mais potente que o remdesivir, o primeiro antiviral aprovado para tratar a COVID-19. A equipe rastreou todas as proteínas do coronavírus que interagem com as proteínas humanas e analisou drogas já conhecidas que pudessem interferir nessas interações. Resumidamente, o grupo identificou 47 promissoras, com a plitidepsina demonstrando ser uma das mais viáveis.

Como funciona a Aplidina contra a COVID-19?

Segundo o estudo, Aplidina é cerca de 100 vezes mais potente que o remdesivir contra a COVID-19 (Imagem: Kjpargeter/Freepik)

Conforme a equipe analisou, a molécula não ataca diretamente o vírus, mas uma proteína humana de que ele precisa para sequestrar o maquinário biológico das células e usá-la para fazer centenas de milhares de cópias de si mesmo. Além disso, a plitidepsina bloqueia uma proteína humana conhecida como eEF1A. Sem ela, a replicação do vírus é incapaz de funcionar.

A equipe também publicou outro estudo comparando tratamentos com plitidepsina e ralimetinibe (outra molécula usada contra o câncer) e perceberam eficácia semelhante contra a variante britânica do coronavírus. Frente a isso, a PharmaMar está finalizando o documento oficial para solicitar o início de um ensaio de fase III, no qual será estudada a eficácia do medicamento em pacientes hospitalizados por COVID-19. Resta esperar para obter resultados mais concretos.

Fonte: Science via El País

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