Homem morre após contrair ameba "comedora de cérebros" enquanto nadava
Por Fidel Forato • Editado por Luciana Zaramela |

Na última sexta-feira (28), as autoridades de saúde do estado da Geórgia, nos Estados Unidos, confirmaram a morte de um homem após ter sido infectado pela ameba “comedora de cérebro” da espécie Naegleria fowleri. O agente infeccioso destrói o tecido cerebral e, na maioria das vezes, provoca o óbito do paciente.
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Não foram compartilhados detalhes sobre o caso, como o estado de saúde prévio do paciente e nem a idade. O único detalhe fornecido foi o possível local de transmissão: a vítima "foi provavelmente infectada enquanto nadava em um lago ou lagoa de água doce", sem especificar nenhuma região do estado norte-americano.
Além disso, as autoridades lembraram que “a ameba ocorre naturalmente e não há testes ambientais de rotina para Naegleria fowleri em corpos d'água [como rios e lagos de água doce]”. “Como é muito comum no meio ambiente, os níveis das amebas que ocorrem naturalmente não podem ser controlados", acrescentam.
Embora os casos de amebas comedoras de cérebro sejam bastante raros, outro caso do tipo foi confirmado há pouco mais de um mês nos EUA. Em junho, uma criança teria morrido após visitar uma fonte de água termal no estado de Nevada, segundo a CBS News. Nos últimos 10 anos (2013-2022), foram relatados 29 casos oficiais, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Nesta lista, está outro caso de um homem que contraiu a doença ao nadar em um lago.
Onde vive a ameba comedora de cérebro?
O problema relacionado com a ameba comedora de cérebro é que é difícil prever em quais locais ela será encontrada ou não. Em tese, o CDC explica que a Naegleria fowleri “pode estar presente em qualquer corpo de água doce nos Estados Unidos, independentemente do estado, especialmente durante os meses mais quentes de julho, agosto e setembro”.
Em caso de águas contaminadas, a pessoa pode contrair a ameba ao inalar água pelo nariz, sem querer. Neste caso, o agente infeccioso sobe até o cérebro, onde destrói o tecido cerebral e causa a doença conhecida como meningoencefalite amebiana primária (PAM). A doença não é transmitida de pessoa para pessoa.
Além do mergulho em águas contaminadas, a ameba pode ser contraída, “em casos muito raros”, em piscinas ou parques aquáticos, quando não é usado cloro suficiente na hora da limpeza. Outra possibilidade é contrair a ameba ao usar água contaminada da torneira para limpar (enxaguar) o nariz.
Ameba é mais comum em águas mornas e quentes
Ainda não se sabe exatamente quais são os hábitos deste tipo de ameba e nem o porquê dela ser mais comum em determinados locais, mas um fator importante para a sua proliferação é a questão da temperatura. Em média, é comum em águas mais quentes ou mornas, já que é termofílico (“ama” o calor). Inclusive, pode sobreviver longos períodos em temperaturas de 46 °C.
Por causa dessa conexão com as águas mais quentes, o CDC considera que as mudanças climáticas podem tornar mais comuns os casos de amebas comedoras de cérebro em todo o país.
“As ondas de calor, quando as temperaturas do ar e da água podem ser mais altas do que o normal, também podem permitir que as amebas prosperem”, afirma o CDC. Neste momento, os EUA enfrentam uma das ondas de calor mais intensas dos últimos anos, o que pode ter alguma relação, ainda não investigada, com este caso recente.
Sintomas de infecção pela Naegleria fowleri
Após ser contaminado, o paciente começa a manifestar os primeiros sintomas a partir do quinto dia, podendo se estender por até o 12º dia. Por afetar o cérebro, a infecção pela ameba pode ser facilmente confundida com casos de meningite bacteriana. Afinal, alguns sintomas são semelhantes, como:
- Dor de cabeça;
- Febre;
- Náusea e vômitos;
- Torcicolo (dor e rigidez muscular no pescoço);
- Confusão mental;
- Falta de atenção;
- Convulsões;
- Alucinações;
- Coma.
Embora alguns sintomas sejam compartilhados, existem vacinas amplamente disponíveis contra os principais tipos de meningites bacterianas. No caso da doença causada pela ameba, não existe vacina e nem mesmo um tratamento 100% eficaz. Além disso, a maioria das terapias são consideradas experimentais ou foram usadas poucas vezes contra a ameba, como o remédio Miltefosine.
Taxa de letalidade da infecção cerebral
Para a maioria dos pacientes, a infecção pela ameba comedora de cérebros será fatal. Considerando os 157 casos conhecidos dos EUA, que foram registrados entre 1962 e 2022, a taxa de letalidade é maior que 97%, segundo o CDC.
Nas análises do CDC, o ponto é observar que, nos últimos 10 anos, foram apenas 29 casos, diante de um número incalculável de pessoas que nadaram em lagos e rios. Bem diferente, no mesmo período, foram identificadas 4 mil mortes anuais por afogamento no país, algo estatisticamente muito mais provável de ocorrer.