Especialista explica "rosto de cortisol", ligado ao hormônio do estresse
Por Fidel Forato • Editado por Luciana Zaramela |

o TikTok e em outras redes sociais, começou a viralizar a expressão “rosto de cortisol” (ou “cortisol face”, em inglês) para explicar o inchaço na região ligado ao hormônio do estresse. De fato, o excesso de cortisol afeta o corpo, mas nem sempre esta é a causa e há informação distorcida.
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O inchaço do rosto pode ser provocado por diferentes fatores, como questões alimentares (excesso de sal e de sódio na comida), bebidas alcoólicas ou mesmo falta de sono. Em algumas pessoas, o excesso de cortisol também pode causar essa alteração.
"Rosto de cortisol" existe?
"Existe uma síndrome clássica na medicina chamada síndrome de Cushing, onde o excesso de cortisol leva ao que a gente chama de face em lua cheia”, explica a médica endocrinologista Lorena Lima Amato para o Canaltech.
A pessoa apresenta “uma face redonda, avermelhada, inchada, com excesso de pelos, inclusive”, detalha a especialista. Então, sim, o excesso do cortisol leva a alterações típicas classificadas popularmente como “rosto de cortisol”.
Embora seja causada pelo hormônio do estresse, o quadro tem diferentes causas não necessariamente conectadas a situações estressantes no dia a dia. Por exemplo, tumores na hipófise ou na glândula adrenal, além de excesso de medicamentos (corticosteroides), são associados ao quadro.
| Em caso de suspeita de síndrome de Cushing, o indicado é buscar a orientação de um endocrinologista, já que a medição do hormônio pode ser feita por um exame de sangue. |
O que é cortisol?
Para entender o que está por trás do “rosto de cortisol”, é preciso conhecer a importância do hormônio. Afinal, a sua função no corpo não é apenas negativa, como se costuma pensar.
Produzido pelas glândulas adrenais (acima dos rins), o hormônio tem papel importante no ciclo circadiano, no metabolismo (converte aminoácidos em glicose), na resposta inflamatória e no controle da pressão arterial.
Quando a pessoa se sente ameaçada (situação estressante), como parte do mecanismo de "luta ou fuga", doses de cortisol são liberadas no corpo. É daí a origem do nome de hormônio do estresse. Longe de ser negativa, a liberação desse hormônio permite que o indivíduo tenha energia (e a dinâmica biológica necessária) para encarar a situação desafiadora.
Quando uma pessoa é atropelada e perde muito sangue, “o cortisol é secretado em grandes quantidades, o que eleva a pressão sanguínea dessa pessoa”, explica a Dra. Amato. Nestas circunstâncias, a medida é benéfica, já que isso pode impedir que o atropelado morra devido a quadro de hipotensão.
Além disso, uma pessoa que não produz cortisol (por um quadro de insuficiência adrenal) pode morrer de hipotensão e falência de diversos sistemas do organismo.
Problemas do excesso de hormônio do estresse
Por outro lado, altas quantidades do hormônio do estresse são nocivas para o organismo, como o já mencionado “rosto de cortisol” da síndrome de Cushing.
Para além disso, “o cortisol em excesso pode levar à resistência à insulina, predispondo ao diabetes, ao ganho de peso, principalmente na região central do organismo, aumenta o risco cardiovascular, leva à predisposição de osteoporose e contribui com a perda de massa muscular”, detalha a médica.
Como controlar o estresse?
Independentemente da causa, é preciso lembrar que "o estresse afeta nosso corpo de diversas maneiras", prejudicando a produção de diferentes hormônios (indo além do cortisol), como destaca a especialista.
Então, é preciso buscar maneiras de lidar com ele, especialmente quando o quadro evolui para o estresse crônico. Entre as alternativas, estão:
- Prática regular de atividade física;
- Boa qualidade de sono;
- Alimentação adequada e saudável;
- Apoio profissional, incluindo psicólogo e psiquiatra.