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Espaço em estruturas do cérebro ajuda a identificar autismo

Por| Editado por Luciana Zaramela | 20 de Dezembro de 2023 às 10h30

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Tara Winstead/Pexels
Tara Winstead/Pexels

O espaço excessivo em determinadas estruturas do cérebro pode servir como um marcador precoce do autismo. É o que revela um estudo conduzido pela UNC School of Medicine’s Department of Psychiatry e publicado na JAMA Network Open

O estudo descobriu que bebês com maiores espaços perivasculares (estruturas preenchidas por fluido ao redor de artérias) no cérebro tinham uma chance 2,2 vezes maior de desenvolver autismo em comparação com aqueles com o mesmo risco genético. 

Para garantir que os participantes tivessem o mesmo risco genético, os pesquisadores acompanharam bebês que tinham um irmão mais velho diagnosticado com o transtorno do espectro autista (TEA, o famoso autismo). O aumento nesses espaços perivasculares também mostrou uma relação com problemas de sono.

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Nesses espaços — pequenos canais cheios de líquido que circundam os vasos sanguíneos do cérebro — está o líquido cefalorraquidiano. Sua função é eliminar a neuroinflamação e outros resíduos neurológicos. Uma interrupção no processo pode levar a disfunções neurológicas, declínio cognitivo ou atrasos no desenvolvimento.

O estudo deles, publicado na  JAMA Network Open , descobriu que 30% dos bebês que mais tarde desenvolveram autismo tinham espaços perivasculares aumentados aos 12 meses. Aos 24 meses de idade, quase metade das crianças diagnosticadas com autismo apresentava espaços perivasculares aumentados.

Autismo e problemas de sono

O estudo mostrou que o volume excessivo de líquido cefalorraquidiano aos 6 meses estava associado ao aumento dos espaços perivasculares aos 24 meses. O processo de limpeza do líquido é especialmente eficiente quando dormimos, pois a maior parte da circulação e eliminação ocorre durante o sono.

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O sono interrompido gera dilatação dos espaços perivasculares, e os pesquisadores perceberam que anomalias desse líquido na infância estariam relacionadas a problemas de sono posteriores. A análise também revelou que crianças que tinham espaços perivasculares maiores apresentavam taxas mais elevadas de distúrbios do sono.

Dito isso, o grupo defende que publicações anteriores levam a crer que o autismo está fortemente ligado aos problemas do sono. Agora, a equipe trabalha para quantificar o tamanho dos espaços perivasculares e a gravidade dos resultados comportamentais.

Anteriormente, estudos revelaram que alterações cerebrais ligadas ao autismo já ficam notáveis três meses antes do nascimento, e que o autismo altera a substância branca do cérebro.

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Fonte: JAMA Network Open