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É possível "impedir" as superbactérias e a resistência antimicrobiana

Por| Editado por Luciana Zaramela | 25 de Outubro de 2023 às 10h26

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Adrian Lange/Unsplash
Adrian Lange/Unsplash

Com o uso excessivo de antibióticos, agrotóxicos, fungicidas e herbicidas, a humanidade tem selecionado os agentes infecciosos mais resistentes. Este é o princípio por trás da resistência antimicrobiana e das superbactérias. A boa notícia é que esta evolução pode ser pelo menos controlada com o uso das análises genômicas.

Esta é a proposta de pesquisadores da Universidade de Tecnologia Sydney (UTS), na Austrália, ao publicarem um apelo sobre a importância de acompanhar a evolução dos agentes infecciosos locais e compartilhar os resultados para toda a comunidade científica.

“Para compreender e gerir a ameaça que representa para a saúde (humana, animal, vegetal e ambiental) e para a segurança (segurança alimentar e hídrica e biossegurança), é necessária uma abordagem multifacetada de ‘One Health’ à vigilância da resistência antimicrobiana”, afirmam os autores, em artigo na revista científica Nature Reviews Genetics.

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O que é resistência antimicrobiana?

Aqui, é importante explicar que a resistência antimicrobiana ocorre quando um agente infeccioso — como bactérias, vírus, fungos ou parasitas — “muda” ao longo do tempo e já não responde aos medicamentos e produtos químicos que eram rotineiramente utilizados para inativá-lo.

No caso específico das bactérias, elas se tornam superbactérias, já que as infecções ficam mais difíceis de tratar e aumentam o risco de evoluírem para formas graves e mortais. A questão é que, em parte significativa das vezes, essa evolução dos patógenos é causada pela ação humana, como o uso excessivo de químicos, da forma “errada”.

Hoje, se não for adotada uma intervenção abrangente para controlar este problema, em 2050, a resistência antimicrobiana poderá provocar até 10 milhões de mortes. Desse total, 90% dos óbitos estarão concentrados em países de baixa e média renda.

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Como impedir as superbactérias?

Para impedir o avanço das superbactérias, a ideia defendida pelos cientistas australianos é investir no conhecimento e no monitoramento ativo da evolução desses patógenos, através de análises genômicas, como foi feito durante a pandemia da covid-19.

“Compreender a evolução e a propagação da resistência antimicrobiana entre humanos, animais, plantas e ambientes naturais é fundamental para mitigar os impactos colossais associados a este fenômeno”, afirma Steven Djordjevic, professor da UTS e um dos autores do estudo, em nota.

Através das tecnologias genômicas, combinadas com Inteligência Artificial (IA) e aprendizado de máquina, os cientistas conseguirão determinar novas tendências na área de resistência. Com isso, poderão se antecipar na busca de remédios específicos, antevendo potenciais ameaças, ainda mais se esse monitoramento for feito de forma colaborativa e internacionalmente.

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Iniciativas que devem ser adotadas

Para impedir o avanço das superbactérias e da resistência antimicrobiana globalmente, os autores do estudo sugerem algumas iniciativas para serem adotadas em larga escala:

  • Programas nacionais de vigilância da resistência antimicrobiana, com resultados compartilhados para toda a comunidade científica;
  • Maior conscientização sobre a resistência antimicrobiana, envolvendo o público geral;
  • Melhorar a capacidade de análise genômica em países de baixa renda;
  • Incentivar a inovação nesta área, como o desenvolvimento de novos remédios antibióticos;
  • Ampliar a regulamentação e a supervisão na agricultura devido ao uso excessivo de agrotóxicos;
  • Rever a administração de antibióticos dentro da indústria da medicina voltada para humanos e na agropecuária.

Fonte: Nature Reviews GeneticsUTS