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Resistência antimicrobiana já está entre as principais causas de morte no mundo

Por| Editado por Luciana Zaramela | 24 de Janeiro de 2022 às 19h30

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Arek Socha/Pixabay
Arek Socha/Pixabay

Resistência aos medicamentos disponíveis, principalmente aos antibióticos, é considerada como a principal causa de morte por doenças no mundo, segundo dados da Pesquisa Global sobre Resistência Antimicrobiana (Gram). Por dia, 3,5 mil pessoas morrem em decorrência da resistência antimicrobiana (RAM) em todo o mundo, mas a intensidade é maior em países de baixa renda.

Mais de 1,2 milhão de pessoas morreram, oficialmente, em 2019 como resultado direto dessas infecções. Só que estes números oficiais são bastante limitados, segundo os cientistas. Isso porque, na realidade, os impactos podem ser maiores.

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Por exemplo, a equipe estima que 4,95 milhões de mortes foram associadas somente à RAM bacteriana no mesmo ano. Esta estimativa são dos óbitos causados por superbactérias, que resistem aos remédios disponíveis para o controle de determinadas infecções, como os antibióticos.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), casos de resistência antimicrobiana ocorrem quando microrganismos — como bactérias, fungos, vírus e parasitas — sofrem alterações e mutações, quando expostos a antimicrobianos — como antibióticos, antifúngicos, antivirais, antimaláricos ou anti-helmínticos — e se tornam mais resistentes. As bactérias representam os patógenos mais perigosos para esta questão.

Riscos para saúde global

Diante desses números, pesquisadores alertam que a resistência antimicrobiana representa uma ameaça significativa para a humanidade. “Esses novos dados revelam a verdadeira escala da resistência antimicrobiana em todo o mundo e são um sinal claro de que devemos agir agora para combater a ameaça”, afirmou Chris Murray, pesquisador e professor da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.

“Precisamos aproveitar esses dados para corrigir o curso e impulsionar a inovação se quisermos ficar à frente na corrida contra a resistência antimicrobiana”, destacou Murray em entrevista para o The Guardian. É necessário investir em novas pesquisas para o desenvolvimento de remédios e também reduzir o uso "abusivo" de antibióticos, por exemplo.

Estudo sobre resistência antimicrobiana

Publicado na revista científica The Lancet, o relatório do Gram engloba dados sobre a saúde pública de 204 países e territórios, referentes ao ano de 2019. No total, mais de 470 milhões de registros individuais foram usados na extensa pesquisa. A partir desses dados, os autores concluem que, por exemplo, a resistência antimicrobiana (1,27 milhões de óbitos) mata, anualmente, mais que o HIV (860 mil) e a malária (640 mil).

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A análise rigorosa que abrange mais de 200 países e territórios foi publicada no Lancet. Diz que a RAM está matando mais pessoas do que HIV/Aids ou malária. Muitas centenas de milhares de mortes estão ocorrendo devido a infecções comuns anteriormente tratáveis, diz o estudo, porque as bactérias que as causam se tornaram resistentes ao tratamento.

No levantamento, os óbitos ligados diretamente por RAM foram estimadas como mais altas na África Subsaariana e no sul da Ásia, consideradas áreas de menor renda. Respectivamente, foram calculadas 24 mortes por 100 mil habitantes e 22 mortes por 100 mil habitantes.

Segundo os autores, a RAM representa uma ameaça para pessoas de todas as idades, mas as crianças com até 5 anos correm risco mais alto de complicações para essas infecções que, em muitos casos, não têm tratamento.

Fonte: The Lancet, Opas The Guardian