Publicidade

Dá para controlar o pensamento acelerado?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 17 de Março de 2023 às 12h31

Link copiado!

Simeon Jacobson/Unsplash
Simeon Jacobson/Unsplash

Já sentiu que a sua mente não consegue parar de pensar, nem mesmo quando você está pronto para dormir, deitado na cama e com o celular desligado? Parece surreal, mas a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) é conhecida exatamente por este fluxo incessante e exaustivo de novos pensamentos, que dificultam a capacidade de concentração, aumentam a irritabilidade e provocam fadiga.

Embora não exista uma cura para este sintoma — observe que, aqui, não usamos a palavra doença — associado a quadros de ansiedade ou outros distúrbios, diferentes estratégias podem controlar o ritmo de pensamentos de uma pessoa, incluindo mudanças no estilo de vida e acompanhamento de profissionais da saúde.

"Cuidados com a mente e o corpo são essenciais, assim como o controle ao acesso à tecnologia e à informação", explica Cristiane Duez Verzaro dos Santos, psicóloga do Núcleo de Apoio Psicológico e Psicopedagógico (NAPP) da Faculdade Santa Marcelina.

Continua após a publicidade

Como é viver com a Síndrome do Pensamento Acelerado?

Para a psicóloga Santos, a síndrome está relacionada com a vida nas grandes capitais ou ainda com os dependentes das redes sociais. Neste ponto, ela explica que "o ritmo alucinante dos grandes centros, acaba produzindo um número excessivo de informações, produzindo uma mente hiper pensante, agitada, impaciente, com dificuldades no campo criativo e baixo nível de tolerância".

Sintomas mais comuns do fluxo constante de pensamentos

Continua após a publicidade
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia

De forma geral, aquelas pessoas que têm o pensamento acelerado costuma relatar e sofrer com:

  • Preocupação excessiva;
  • Instabilidade emocional;
  • Inquietação;
  • Intolerância à frustração;
  • Déficit de concentração;
  • Fadiga excessiva;
  • Cansaço ao acordar;
  • Dores físicas, incluindo as de cabeça e/ou musculares;
  • Sofrimento por antecipação;
  • Prejuízos da memória.

Fatores de risco para a condição

"A SPA tem origem no momento de vida em que o indivíduo está inserido. Se dá na vida adulta como consequência de situações sociais a que o indivíduo está exposto", afirma a especialista em saúde mental. Podendo acometer qualquer indivíduo, o risco é maior em pessoas com os seguintes transtornos ou consequência de hábitos nocivos:

Continua após a publicidade
  • Ansiedade;
  • Bipolaridade;
  • Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
  • Borderline;
  • Uso de drogas que estimulam o cérebro, como cocaína.

Afinal, é possível controlar o ritmo dos pensamentos?

Antes de tudo, é preciso explicar que quando se fala em pensamento acelerado não cabe discutir cura, mas, sim, o controle da mente e hábitos que ajudem o próprio indivíduo a ter autonomia sobre si mesmo. Nesse contexto, o primeiro passo é adotar mudanças no estilo de vida.

Continua após a publicidade

"Exercícios físicos se mostram muito efetivos no tratamento, pois servem como um momento de relaxamento", orienta Santos. Entre as modalidades, a pessoa pode optar por caminhadas, yoga, corridas ou mesmo esportes em grupo, desde que ela consiga se concentrar no momento presente.

Pensando na rotina, é interessante dividir as tarefas em etapas que podem ser concluídas durante o período de trabalho. Outra ideia é ter um planejamento diário, onde se determina quais são as prioridades do dia e focar exclusivamente nelas. Entre as tarefas, realizar pausas são importantes, mesmo que seja olhar para a janela ou tomar um pouco de sol.

"Diminuir os acessos às redes sociais é excelente para combater a mente acelerada, visto que isso também diminui a exposição as informações", reforça a psicóloga. Estimular o hábito de leitura também é benéfico, mesmo que a pessoa tenha dificuldades iniciais de concentração.

Acompanhamento com psicólogos e psiquiatras pode ajudar

Continua após a publicidade

Em paralelo a essas mudanças, o acompanhamento psicológico é fundamental. Com a ajuda do terapeuta, a pessoa com pensamento acelerado vai trabalhar toda essa ansiedade, buscando entender que não há como resolver todos os problemas.

Quando o caso é mais complexo, a busca por um psiquiatra pode ser necessária. "O acompanhamento psiquiátrico vai auxiliar na identificação e indicação de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos. Medicações ansiolíticas ajudarão o paciente com a redução da ansiedade e da tensão, enquanto medicamentos antidepressivos poderão equilibrar o humor", completa.