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Crioablação | Congelar câncer de mama gera eficácia preliminar de 90%

Por| Editado por Luciana Zaramela | 06 de Outubro de 2023 às 10h38

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svetlaya_83/envato
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Quando o diagnóstico do câncer de mama é precoce, pesquisadores do Hospital do Coração (HCor) testam uma nova técnica que consiste no congelamento do tumor. Conhecida como crioablação ou crioterapia, a terapia pode substituir a tradicional cirurgia. Dados preliminares apontam para eficácia superior a 90%, o que é uma excelente evidência para o Outubro Rosa.

A validação de tratamentos menos invasivos, como o congelamento do tumor, é mais do que necessária. Afinal, são estimados cerca de 73 mil novos casos de câncer de mama por ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Técnica que congela o câncer

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“Atualmente, conseguimos diagnosticar tumores muito pequenos, mas precisamos desenvolver técnicas para tratá-los na mesma proporção”, afirma Afonso Nazário, mastologista do Hcor e um dos pesquisadores envolvidos, em nota. Entre as possíveis técnicas da área oncológica, está o congelamento do câncer de mama, quando o quadro está em estágio inicial e com baixo risco de recorrência.

Na pesquisa brasileira, feita em parceria com diferentes hospitais na cidade de São Paulo, 30 mulheres já foram submetidas à crioablação. “Ainda há muito o que avaliar, mas, além da alta eficácia no tratamento do câncer, verificamos uma grande satisfação de pacientes e médicos com a técnica”, pontua o mastologista.

Como funciona a crioablação?

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De modo geral, a técnica de congelamento do câncer de mama é classificada como minimamente invasiva e, por isso, a recuperação das mulheres tende a ser mais rápida e com menos riscos. Além disso, a intervenção pode ser realizada em ambiente ambulatorial, usando apenas anestesia local.

“O procedimento envolve a aplicação de ciclos alternados de congelamento e descongelamento em tecido neoplásico utilizando criosondas, popularmente conhecidas como ‘agulhas’. Essas criosondas alcançam temperaturas extremamente baixas, variando de -40 °C a -160 °C, resultando na destruição e morte das células cancerígenas”, detalha Vanessa Sanvido, que também é mastologista do Hcor.

Para visualizar o impacto da terapia, vale pensar na formação de uma “bola de gelo”, composta pelas células necrosadas do tumor e as da margem de segurança em torno dele, na mama da paciente. Após 15 dias da intervenção, essas células estarão completamente destruídas.

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Pós-tratamento do câncer de mama

Para confirmar se a crioablação foi bem-sucedida, as pacientes fazem uma ressonância magnética, onde serão buscadas possíveis células malignas sobreviventes. Passadas algumas semanas, elas são submetidas à cirurgia para a retirada da região onde se localizava o tumor — isso pode confirmar a eficácia do congelamento do câncer de mama, mas não deve integrar o protocolo final da terapia.

Neste momento, “o objetivo é analisar se a crioablação é eficaz na destruição do tumor e se os resultados dos exames de imagem conseguem prever quando o tumor é totalmente destruído. Assim sendo, a cirurgia poderia ser descartada em casos de câncer de mama inicial, como já acontece em alguns países”, afirma Nazário.

As próximas etapas do tratamento do câncer de mama dependem exclusivamente do quadro da paciente. Por exemplo, depois da crioablação, tanto radioterapia quanto a quimioterapia podem ser feitas, sem prejuízos, conforme a equipe médica recomendar.