Coronavírus: antiga vacina pode ter resposta para prevenção contra Covid-19

Por Fidel Forato | 26 de Fevereiro de 2020 às 18h25
Stock News Press

Novos casos do coronavírus SARS-CoV-2 continuam a se espalhar pelo mundo, mesmo que em velocidade menor de propagação, e sem nenhuma vacina ou medicamento para a prevenção — pelo menos até agora. Já são mais de 81 mil infectados pelo vírus e mais de 2.700 mortes em decorrência da infecção respiratória chamada de Covid-19, de acordo com os dados da Universidade Johns Hopkins. No ocidente, a Itália anunciou a sua décima segunda vítima fatal e, hoje (26), o Brasil confirmou o primeiro caso na América Latina.

Enquanto o vírus da Covid-19 se espalha, médicos de todo o mundo se mobilizam contra o coronavírus e procuram desenvolver ou ainda resgatarem vacinas (já existentes) que podem ser administradas contra essa cepa. É o caso do médico e pesquisador norte-americano Peter Hotez, especialista em vacinas e doenças infecciosas da Baylor College of Medicine, no Texas, que investiga o uso de medicamentos desenvolvidos para o combate da SARS (Síndrome respiratória aguda grave).

Número de casos do Covid-19 continua a crescer no mundo e pesquisadores estudam vacinas para conter o vírus (Captura de tela da Universidade Johns Hopkins: Fidel Forato/ Canaltech)

Em desenvolvimento

Durante o surto da SARS, também originária da China em 2002, Hotez trabalhou no desenvolvimento de uma vacina capaz de proteger ratos, em laboratório, contra o vírus. No entanto, o projeto foi abandonado e a vacina nunca foi testada em seres humanos, porque foram necessários 16 anos (após o término do surto de SARS) para fabricá-la. 

Agora, Hotez acredita que pequenos ajustes possam transformar essa vacina em uma defesa viável contra o Covid-19. Isso porque a SARS e o Covid-19 são altamente semelhantes, por serem ambos coronavírus — um termo genérico para uma categoria de vírus que leva a infecções do trato respiratório superior — e compartilham 82% de seu genoma.

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Mesmo assim, a vacina, que ainda não foi testada em humanos e está parada há quatro anos em um "freezer", provavelmente não ajudará na maneira em que está configurada hoje. Mesmo assim, Hotez acredita que ela seja um bom ponto de partida. 

"Pode exigir alguns ajustes, mas é estável", afirma James LeDuc, diretor do Laboratório Nacional de Galveston, financiado pela Universidade do Texas, que colaborou com os pesquisadores da Baylor. "Todo vírus é diferente, apresenta algumas adaptações", esclarece LeDuc sobre a necessidade de algumas adaptações na vacina. 

Para alterar a fórmula da vacina e testar em humanos, Hotez solicita subsídios para financiar seu projeto. Segundo o cientista, esse não será um caminho fácil, porque as empresas farmacêuticas não estão interessadas neste financiamento — a não ser que o Covid-19 se torne uma doença sazonal, ou seja, recorrente.

Fonte: Houston Chronicle

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