Cientistas descobrem nova forma de detectar doenças cardiovasculares

Cientistas descobrem nova forma de detectar doenças cardiovasculares

Por Ingrid Oliveira | Editado por Luciana Zaramela | 02 de Dezembro de 2021 às 14h40
Jesse Orrico/ Unsplash

O colesterol é um tipo de gordura fundamental para o bom funcionamento do organismo. Apesar disso, ter os níveis altos desse lipídio nem sempre é bom. Agora, um novo estudo realizado por pesquisadores do Instituto Karolinska, Suécia, mostra agora que duas proteínas que transportam partículas de colesterol LDL (ou colesterol ruim) no sangue, podem aumentar as chances de doenças cardiovasculares. Os resultados foram publicados na PLOS Medicine.

Dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) mostram que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. Em 2016, cerca de 17,9 milhões de pessoas morreram em consequência delas, representando 31% de todas as mortes em nível global.

Para descobrir as informações sobre a ligação do LDL e problemas cardíacos, pesquisadores analisaram valores de apoB / apoA-1 (proteínas do colesterol usadas como base para avaliar risco cardíaco elevado) em mais de 137 mil homens e mulheres suecos com idades entre 25 e 84 anos. Os voluntários foram acompanhados durante 30 anos, durante os quais 22 mil (16%) sofreram alguma forma de evento cardiovascular.

O colesterol pode se acumular nas artérias do coração e causar doenças cardíacas (Foto:brgfx / Freepik)

Interpretando os resultados

Os cientistas usaram exames simples, baratos e seguros, que não necessitavam de jejum, como é o caso dos testes de LDL e HDL (colesterol "bom"). Cruzando os resultados com uma base de dados do banco de dados (AMORIS), os pesquisadores vincularam as análises laboratoriais a vários registros de diagnósticos clínicos.

Os pacientes com os valores mais altos de apoB/apoA-1 tiveram risco 70% maior de doença cardiovascular grave e quase o triplo de risco de infarto do miocárdio, em comparação com aqueles com os valores mais baixos de proteínas.

Göran Walldius, autor principal e professor emérito do Instituto de Medicina Ambiental, na Unidade de Epidemiologia do Instituto Karolinsk, disse que os resultados mostram que quanto maior o valor de apoB / apoA-1, maior o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e necessidade de cirurgia coronária. O estudo também mostrou que o risco foi amplificado na presença de baixos níveis de proteção de apoA-1.

Doenças cardiovasculares

No grupo de doenças cardiovasculares (uma série de complicações no coração) se enquadram: acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, cardiopatia congênita, endocardite, angina e muitas outras. Na maioria dos casos, a patologia pode ser prevenida e interrompida com mudanças no estilo de vida e tratamentos para redução de lipídios.

Segundo a OPAS, os maiores riscos de desenvolver esses problemas estão associados a dietas inadequadas, sedentarismo, uso de tabaco e uso nocivo do álcool. Os efeitos dos fatores comportamentais podem se manifestar em indivíduos por meio de pressão arterial elevada, glicemia alta, hiperlipidemia, sobrepeso e obesidade.

Esses “fatores de risco intermediários” podem ser mensurados em unidades básicas de saúde (UBS) e indicam um maior risco de desenvolvimento de ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, insuficiência cardíaca e outras complicações. Os sintomas incluem dor ou desconforto no centro do peito, dor ou desconforto nos braços, ombro esquerdo, cotovelos, mandíbula ou costas.

Com a nova descoberta, os pesquisadores acreditam que a introdução de novas diretrizes para a detecção de risco cardíaco são necessárias e que os resultados podem abrir caminho para o tratamento precoce — algo que pode ajudar a reduzir as altas taxas de morbidade e mortalidade no mundo.

Fonte: PLOS Medicine; OPAS  

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