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Aspirina aumenta taxa de insuficiência cardíaca em 26% dos pacientes de risco

Por| Editado por Luciana Zaramela | 25 de Novembro de 2021 às 16h30

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 twenty20photos/Envato
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No maior estudo envolvendo a Aspirina (ácido acetilsalicílico) e as possíveis complicações cardiovasculares que decorrem do remédio, pesquisadores da Alemanha e da Bélgica observaram que o uso contínuo do medicamento está associado a um risco aumentado de 26% de insuficiência cardíaca em pessoascom pelo menos um fator risco anterior.

"Este é o primeiro estudo a relatar que, entre os indivíduos com pelo menos um fator de risco para insuficiência cardíaca, aqueles que tomam Aspirina têm mais probabilidade de desenvolver a doença posteriormente do que aqueles que não usam a medicação", explicou Blerim Mujaj, um dos autores da pesquisa e professor da Universidade de Freiburg, na Alemanha.

Durante o estudo, publicado na revista científica ESC Heart Failure, foram considerados os seguintes fatores de risco para a insuficiência cardíaca associada ao uso de aspirina:

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  • Tabagismo;
  • Obesidade;
  • Hipertensão;
  • Colesterol alto;
  • Diabetes;
  • Doenças cardiovasculares.

No entanto, o pesquisador Mujaj observa que a descoberta ainda deve ser confirmada por outros estudos científicos. “Grandes ensaios clínicos multinacionais randomizados em adultos com risco de insuficiência cardíaca são necessários para verificar esses resultados. Até então, nossas observações sugerem que a aspirina deve ser prescrita com cautela para aqueles com insuficiência cardíaca ou com fatores de risco para a doença”, explica.

Vale lembrar que, em outubro deste ano, um painel de especialistas dos Estados Unidos recomendou que pessoas com altas chances de desenvolver doenças cardíacas não deveriam iniciar tratamentos a base de Aspirina. No caso, os riscos não superam os potencias benefícios.

Aspirina e insuficiência cardíaca

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No estudo da equipe de Mujaj, a ideia era entender se existia alguma relação entre a incidência de insuficiência cardíaca e pessoas com e sem cardiopatia. Além disso, os pesquisidores avaliaram se o uso do medicamento estava relacionado (ou não) a um novo diagnóstico de insuficiência cardíaca em pessoas de risco.

A pesquisa, batizada de HOMAGE, incluiu 30.827 indivíduos com risco de desenvolver insuficiência cardíaca, vindos da Europa Ocidental e dos EUA. Os participantes tinham mais de 40 anos e poderiam usar ou não Aspirina. Cerca de 7,6 mil voluntários (25%) estavam tomando o remédio.

Em seguida, os voluntários foram acompanhados pela equipe por 5,3 anos. Neste período, 1,3 mil voluntários desenvolveram insuficiência cardíaca e precisaram de hospitalização. A idade média deles era de 67 anos, sendo que apenas 34% eram mulheres. De acordo com os cientistas, o uso de Aspirina foi associado a um risco aumentado de 26% de um novo diagnóstico de insuficiência cardíaca.

Para verificar os resultados, os pesquisadores repetiram a análise, mas excluíram pacientes com histórico de doença cardiovascular anterior. Em cerca de 22,6 mil participantes (74%) sem alterações cardiovasculares, o uso de Aspirina foi associado a um risco aumentado de 27% de insuficiência cardíaca incidente.

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Segundo Mujaj, os resultados alertam para cuidados necessários entre aqueles que usam a medicação e que têm algum fator de risco. Afinal, "a Aspirina é comumente usada — em nosso estudo, um em cada quatro participantes estava tomando o medicamento. Nesta população, o uso de aspirina foi associado a insuficiência cardíaca incidente, independente de outros fatores de risco”, completou.

Fonte: ESC Heart Failure