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Chip brasileiro detecta nível da vitamina C e D na saliva em minutos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 10 de Abril de 2024 às 12h06

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Drobotdean/Freepik
Drobotdean/Freepik

Para monitorar os níveis de vitamina C e D no organismo, pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram um chip bioeletrônico capaz de realizar a medição dessas vitaminas em menos de 20 minutos, através de uma amostra de saliva. O invento deve deixar para trás a necessidade de exames de sangue para a detecção de micronutrientes.

Hoje, a avaliação do nível de vitamina C e da vitamina D no organismo só pode ser feita através de equipamentos laboratoriais. Como as amostras de sangue precisam ser analisadas por profissionais especializados, todo o processo leva um tempo significativo e tende a ser caro, o que pode comprometer os cuidados à saúde.

Monitor da vitamina C e D

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Monitorar os níveis de vitaminas no organismo tem diferentes funções, desde o uso em dietas personalizadas até a prevenção de deficiências nutricionais, passando por casos de intoxicação e atendimentos médicos de urgência.

Para citar um único exemplo prático, em caso de deficiência de vitamina C, o paciente tende a apresentar cansaço, fraqueza, dor muscular, irritabilidade e dor nas articulações. Em casos extremos, a condição pode evoluir para o escorbuto, o que é potencialmente mortal.

Além disso, tanto a vitamina C quanto a vitamina D são classificadas como micronutrientes de suporte imunológico. Em outras palavras, ambas contribuem para a ativação de vias metabólicas envolvidas no combate de patógenos, como bactérias e vírus.

Como funciona o chip brasileiro?

Para construir o chip, os pesquisadores da USP buscaram utilizar recursos acessíveis e de custo relativamente baixo, como o carbono. Nesta primeira versão de testes, ele é descartável e composto por dois sensores distintos, que utilizam uma corrente elétrica para detectar cada uma das vitaminas. 

No caso da vitamina C, o sensor específico é feito de nanopartículas de carbono. Enquanto isso, o sensor que detecta a vitamina D é mais complexo. Este é constituído por nitreto de carbono grafítico e nanopartículas de ouro, além de uma camada de anticorpos que detecta o micronutriente, como detalha o estudo publicado na revista ACS Applied Nano Materials

Para realizar a medição, é preciso apenas conectar o chip a um dispositivo eletrônico portátil (como um medidor de glicose), inserir a amostra de saliva e aguardar os sinais de corrente elétrica que indicarão a presença das vitaminas e seus níveis. Todo o processo é concluído em minutos.

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“Devido à sua flexibilidade, [o chip] pode ser adaptado para sensores vestíveis, integrados em um mordedor bucal ou até mesmo aplicados diretamente sobre a pele”, sugere Thiago Serafim Martins, primeiro autor do estudo, para a Agência Fapesp. Atualmente, o pesquisador atua no Imperial College London, na Inglaterra.

Futuro da pesquisa com chip bioeletrônico 

Antes do novo chip medidor de vitaminas chegar ao mercado, os pesquisadores irão realizar testes adicionais para validar e aperfeiçoar os resultados entregues pela tecnologia. Em seguida, a patente será solicitada, o que viabilizará a produção em escala industrial no futuro.

Fonte: ACS Applied Nano Materials e Agência Fapesp