China instala sensores térmicos para detectar vítimas do coronavírus em público

China instala sensores térmicos para detectar vítimas do coronavírus em público

Por Fidel Forato | 06 de Fevereiro de 2020 às 16h50
Yonhap/ Shutterstock

Depois de ser usado em aeroportos internacionais de países na Ásia, como Japão e a própria China, agora, funcionários de cidades chinesas começam a implantar sensores infravermelhos que medem a temperatura dos indivíduos, também em ferrovias e áreas públicas. Com as análises, é possível escanear a população em busca de sinais do novo coronavírus, chamado provisoriamente de 2019-nCoV.

O sistema, desenvolvido pela gigante tecnológica Baidu, usa um feixe infravermelho detectar febre nos passageiros enquanto andam, de acordo com o South China Morning Post. Se o sistema encontrar alguém com temperatura corporal elevada (um dos principais sintomas do novo coronavírus, ao lodo de problemas respiratórios, como pneumonia), a pessoa é chamada pelas autoridades e deve passar por uma triagem. Isso fará com que, provavelmente, seja impedida de viajar. É uma atitude radical para a contenção do surto, e que vem levantando polêmica devido à sua abordagem.

O novo vírus já levou ao óbito mais de 490 e infectou mais de 24.600 pessoas. Também foram cerca de 1.020 pacientes recuperados após contraírem a infecção, de acordo com o mapa interativo da Johns Hopkins University.

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Como funciona?

Esses aparelhos térmicos utilizam sensores que podem detectar o calor gerado pelo corpo de uma pessoa ou objeto, criando uma imagem 2D com os diferentes níveis de temperatura. Isso significa que, quando um passageiro está diante da câmera, os pontos mais quentes são destacados com uma paleta de cores diferente das demais, na tela de um monitor. O interessante é que essas câmeras podem ser calibradas para detectar temperaturas corporais anormais, como acima de 38 graus (febre).

Sensores infravermelhos são usados em locais públicos da China para identificar portadores do novo coronavírus (Foto: Reprodução/ LiveMint) 

Como regiões de grande circulação de pessoas apresentam um tráfego intenso, verificar a temperatura corporal de todos os passageiros com termômetros é inviável. Pensando nisso, as câmeras térmicas podem digitalizar grandes multidões e identificar pessoas com temperaturas mais altas que as demais.

Esta não é a primeira vez que a digitalização térmica é usada no rastreamento da temperatura corporal mais alta, relacionada a infecções que podem surgir pela presença do novo coronavírus. Durante o surto de vírus SARS, em 2002, também originário da China, os aeroportos de Cingapura e do país de origem implantaram o sistema.

Vale lembrar que estar com a temperatura corporal elevada não significa obrigatoriamente que o passageiro esteja infectado com coronavírus. Por isso, as pessoas identificadas devem ser direcionadas para uma triagem adicional, onde de fato poderão ser diagnosticadas.

Mais medidas de controle

Os sensores de registro de temperatura são apenas uma das tecnologias que as autoridades chinesas utilizam em seus esforços para impedir que o novo coronavírus se espalhe.

Hospitais de Xangai usam robôs de limpeza para desinfetar as enfermarias dedicadas exclusivamente a cuidar de pacientes com 2019-nCoV, evitando que o vírus se espalhe para outros pacientes no hospital. Autoridades chinesas também implementaram chatbots, dotados de Inteligência Artificial (IA) para atender chamadas de telefone e, rapidamente, distribuir recomendações médicas.

“O big data e a IA não são apenas instrumentos para aumentar a eficiência da gestão da cidade e os avanços na área da saúde, durante eventos públicos de emergência [como este]”, escreveu Robin Li, fundador e CEO da Baidu, em uma carta interna verificada pelo SCMP, “mas também pode capacitar todos os setores e se tornar uma força motriz."

Fonte: Futurism

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