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Alimentos ultraprocessados ​​"enganam" o organismo para você comer mais

Por| Editado por Luciana Zaramela | 18 de Julho de 2023 às 11h38

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AtlasComposer/Envato
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De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros e chilenos, o consumo de alimentos ultraprocessados foi relacionado a quase 60 mil mortes prematuras no Brasil, apenas em 2019. Além de causar prejuízos à saúde, esse tipo de alimento "engana" o organismo para comer mais e ainda conta com propriedades viciantes.

Em entrevista à BBC, o Dr. Chris Van Tulleken, autor do livro Ultraprocessed People: Why Do We All Eat Stuff That Isn't Food... and Why Can't We Stop (em tradução livre, "Pessoas ultraprocessadas: por que todos nós comemos coisas que não são comida... e por que não podemos parar"), o alimento ultraprocessado é tão macio que comemos antes que nossos hormônios intestinais tenham tempo de nos recuperar e nos dizer que estamos cheios.

"Quando sua comida é macia e densa em energia, você a come em uma taxa muito maior do que a comida de verdade. Existem muitos e muitos estudos mostrando que esta é uma das coisas mais importantes que determinam o apetite", apontou Tulleken.

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Segundo o especialista, o alimento ultraprocessado é consumido a uma taxa que seu intestino não consegue acompanhar e assim a pessoa consome mais calorias. Tulleken ressalta que essa comida é digerida tão cedo no intestino que nunca chega à parte do intestino que libera os hormônios que sinalizam a hora de parar de comer.

Alimentos ultraprocessados viciam

Outro ponto é o vício desencadeado por alimentos ultraprocessados. O especialista conta que, para fazer o livro, conversou com muitas pessoas da indústria alimentícia, que alegaram saber dos potenciais viciantes dos alimentos, mas não podem ser os primeiros a tomar uma providência quanto a isso, considerando a concorrência.

"Muitos deles me contaram sobre um processo de pesquisa em que a comida é colocada em grupos focais: tem uma caixa de cereal A e B, e os cientistas estão tentando descobrir qual vai para o mercado. Se os grupos focais consumirem 5% a mais da caixa B, essa é a que vai para o mercado porque vai vender bem", revela o autor.

Logo, essa é a realidade comercial da maneira como as empresas operam. Eles não podem fabricar alimentos que as pessoas comem menos.

Malefícios dos alimentos ultraprocessados

Diversos artigos científicos lançam luz sobre os malefícios desse tipo de alimentação. Um artigo publicado na revista eClinicalMedicine apontou que ultraprocessados aumentam risco de câncer e contribuem para declínio cognitivo. Outra pesquisa chegou a revelar que os emulsificantes de alimentos ultraprocessados prejudicam o intestino.

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O próprio Chris van Tulleken chegou a adotar uma dieta que consistia em 80% de consumo de alimentos ultraprocessados durante 30 dias, resultando em uma série de mudanças negativas em seu corpo e cérebro.

Ao final do teste que tinha como premissa entender como os ultraprocessados agem no cérebro e no corpo, o médico estava com 6,5 quilos a mais, sendo cerca de três quilos relacionados à gordura corporal. Com base nesse resultado, ele calcula que manter essa dieta por seis meses faria com que ele engordasse mais seis quilos.

Fonte: University of Michigan, PubMed Central, BBC Science Focus