Quando começamos a transformar os alimentos em ultraprocessados?

Quando começamos a transformar os alimentos em ultraprocessados?

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 07 de Agosto de 2021 às 09h00
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As comidas processadas estão entre nós há bastante tempo, desde o primeiro momento em que nossos ancestrais descobriram ser possível cozinhar um alimento. A prática, que antes era simplesmente uma forma de conservar a comida, hoje se tornou sinônimo de má alimentação.

São diversas as técnicas de processamento dos alimentos, entre fermentação e moagem, por exemplo, feitas para várias finalidades, como trazer mais sabor e maciez, permitindo também uma melhor extração dos nutrientes. Já com o salgamento e pasteurização, a comida se torna mais segura, eliminando os microorganismos nocivos à saúde e durando mais tempo.

Mas quando foi que os alimentos processados se tornaram o que são hoje? Tudo começou com os refrigerantes, que surgiram há 250 anos na Grã-Bretanha graças ao 4ª Conde de Sandwich, que era responsável pelo bem-estar da Marinha britânica. Com a ajuda do químico Joseph Priestley, ele descobriu uma forma de tornar a água potável vencida mais tragável, uma vez que os tripulantes ficavam muito tempo a bordo e os alimentos acabavam estragando.

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Imagem: Reprodução/topntp26/Freepik

A água, então, passou a ser transformada em gasosa com a adição de dióxido de carbono. Ao contrário do que ele pensava, a água gaseificada, ou carbonatada, não era capaz de prevenir o escorbuto, sangramento gengival provocado pela deficiência de vitamina C no organismo. Porém, a bebida se tornava levemente antimicrobiana devido à acidez. Depois do sucesso da água com gás, chegou a vez da água tônica ser considerada uma bebida medicinal. Feita com o quinino das cascas da árvore cinchona, o líquido ficou conhecido como um antimalárico e passou a ser altamente consumido em meados do século 19.

Transformação

Hoje, no entanto, os refrigerantes estão bem distantes do que as bebidas com gás eram no passado, contando com altos teores de açúcar, por exemplo. O mesmo aconteceu com cereais matinais, carnes, derivados do leite, entre outros produtos, que começaram a ser criados para suprir a demanda por mais sabores, cores, texturas e cheiros.

Com o avanço das químicas, então, surgiram os alimentos ultraprocessados, que contam com substâncias que não seriam encontradas em uma cozinha, com pouca ou praticamente nenhuma proporção de alimentos reais em sua composição. Em entrevista à BBC, a nutricionista Priscila Machado, da Universidade Deakin, na Austrália, explica que são usados aditivos cosméticos nesses alimentos, que dão gosto ao que não teria gosto nenhum em sua forma natural.

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Porém, esses aditivos não adicionam nada nutritivo aos alimentos, inclusive acabam removendo substâncias importantes, como antioxidantes e fitoquímicos. Ainda que os nutrientes sejam adicionados de volta ao produto, essa adição não funciona da mesma maneira que aconteceria em sua forma natural.

Veja exemplos de alguns alimentos ultraprocessados:

  • Alimentos instantâneos e congelados (macarrão, sopa, lasanha, etc.);
  • Cereal matinal;
  • Salames, salsichas, presuntos e outros embutidos industrializados;
  • Sorvetes;
  • Salgadinhos e batatas chips;
  • Bolachas recheadas e biscoitos;
  • Refrigerantes;
  • Doces e chocolates;
  • Fast food;
  • Ketchup, maionese e molhos;
  • Pães industrializados.

Hoje, um dos maiores problemas dos alimentos ultraprocessados é a quantidade de açúcar refinado, que é usado não só para dar sabor e adoçar, mas também para fornecer textura, cor e volume, e também para conservar. Para o futuro, especialistas acreditam que será preciso encontrar outras formas de processar os alimentos, enquanto uma dieta a base de plantas começa a ganhar mais evidência.

Fonte: BBC

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