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Água engarrafada pode conter centenas de milhares de microplásticos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 09 de Janeiro de 2024 às 10h44

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Envato/stevanovicigor
Envato/stevanovicigor

A água potável vendida em garrafas de plásticos pode conter muito mais microplásticos e nanoplásticos do que se pensava anteriormente, segundo cientistas da Universidade Columbia. Em novo estudo, eles identificaram cerca de 240 mil fragmentos de plástico detectáveis em um litro d’água.

Em 2018, a partir de um estudo que mediu apenas os microplásticos — fragmentos maiores de plástico não reciclado —, o consenso era de que um litro de água deveria conter, em média, 325 partículas plásticas. O salto é gigantesco entre as pesquisas e, em partes, é explicado pelo uso de tecnologias melhoradas na hora da medição.

Aqui, vale destacar que o novo estudo analisou a concentração de plásticos em garrafas de água vendidas nos EUA. No entanto, as descobertas devem se desdobrar, em algum nível, para outros itens alimentícios que são engarrafados, como refrigerantes ou mesmo ketchup e maionese.

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O que são nanoplásticos?

Em média, os microplásticos variam entre 5 milímetros a 1 micrômetro — para comparar, um fio de cabelo humano tem cerca de 70 micrômetros de diâmetro. Agora, os nanoplásticos são aquelas partículas com menos de 1 micrômetro e, por isso, são medidos em bilionésimos de metro.

Os microplásticos já são considerados nocivos para a saúde. Inclusive, causam doenças em aves marítimas. Só que os nanoplásticos, por serem ainda menores, conseguem atravessar dos intestinos e dos pulmões diretamente para a corrente sanguínea e, então, viajar para outros órgãos, como o coração e o cérebro. Nestas circunstâncias, a ciência ainda não sabe quais são os riscos e nem o nível de toxidade tolerável.

Presença na garrafa de plástico

Publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o novo estudo fez a contagem de nanoplásticos a partir do uso de dois lasers simultâneos e ajustados para fazer a ressonância das moléculas plásticas nas amostras. Em seguida, um algoritmo interpretou os resultados, revelando a contagem final.

No total, foram detectados de 110 mil a 370 mil fragmentos de plástico em cada litro, sendo que 90% deles eram nanoplásticos (com cerca de 100 nanômetros). Enquanto isso, o resto era composto por microplásticos. 

Entre os tipos de nanoplásticos encontrados, estavam: 

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  • Polietileno tereftalato (PET);
  • Poliamida (PA);
  • Poliestireno (PS);
  • Policloreto de vinila (PVC);
  • Polimetilmetacrilato (PMMA), também conhecido como acrílico.

De onde o plástico veio?

Muito provavelmente, estes nanoplásticos entram na água, conforme o material é “espremido” ou exposto ao calor, durante o manuseio. O abrir e o fechar a tampa também pode liberar mais fragmentos. Além disso, parte desse material pode chegar através dos filtros usados no processo de purificação.

Futuro da pesquisa

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Agora, os pesquisadores da Columbia querem ir além da água engarrafada. “Há um enorme mundo de nanoplásticos a ser estudado”, lembra Wei Min, biofísico e co-autor do estudo, em nota. A ideia é investigar a quantidade de plásticos na água da torneira.

Para Min, “não é o tamanho [dos micro ou nanoplásticos] que importa. São os números, porque quanto menores as coisas, mais facilmente elas podem entrar em nós”. Hoje, os riscos associados a essa material ainda são desconhecidos.

Fonte: PNAS e Universidade Columbia