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Plasticose: doença do plástico já afeta pássaros

Por| Editado por Luciana Zaramela | 07 de Março de 2023 às 13h26

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Wirestockc/Envato
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Produzido em larga escala para os mais diversos fins e pouco reciclado, o plástico está se tornando um componente comum em muitos ecossistemas. Cientistas já identificaram microplásticos na neve, nas plantas, no sangue humano, no cérebro de bebês e, agora, no sistema digestivo de aves. Eis que, nos pássaros, o material derivado do petróleo já é conhecido por causar uma nova doença, a plasticose.

O diagnóstico da plasticose em aves é um marco para a ciência, já que este é o primeiro registro de uma doença causada diretamente pela abundância de plásticos no mundo. Até então, sabia-se que os microplásticos poderiam ser ingeridos por diferentes animais, mas os efeitos eram desconhecidos — nos humanos, ainda não se conhece as possíveis complicações, mas, em breve, isso também pode mudar.

Qual espécie de pássaro é afetada pela doença do plástico?

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A primeira doença provocada pela ingestão sistêmica de plástico foi descoberta por pesquisadores do Museu de História Natural, no Reino Unido, e dio Instituto de Estudos Marinhos e Antárticos, na Austrália. Por enquanto, o diagnóstico foi somente confirmado em aves da espécie pardela-de-patas-rosadas (Ardenna carneipes), que vivem isoladas em na ilha de Lord Howe a 600 km da costa da Austrália. No entanto, os autores suspeitam que a doença pode acometer outros pássaros ainda não estudados.

É importante destacar que, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e Recursos Naturais (Iucn), esta é uma espécie de ave "quase ameaçada de extinção". Com os danos à saúde provocados pela ingestão de microplásticos, é possível que o risco, revisado a última vez em 2018, aumente ainda mais.

O que a doença plasticose causa nos pássaros?

Publicado na revista científica Journal of Hazardous Materials, o estudo detalha que a plasticose é causada por pequenos pedaços de plástico — que podem ser visíveis a olho nu, medindo 1 mm ou mais — que provocam feridas (lesões) e inflamações crônicas no trato digestivo das aves. As cicatrizes (fibroses) acabam limitando e afetando as funções do estômago.

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“As glândulas tubulares, que secretam compostos digestivos, são talvez o melhor exemplo do impacto da plasticose”, afirma o co-autor do estudo, Alex Bond, em comunicado. "Conforme o plástico é consumido, essas glândulas começam a se atrofiar até que, finalmente, perdem as característica de sua estrutura", acrescenta.

Sem essas glândulas, as aves estão mais vulneráveis ​​a infecções e parasitas. O problema de saúde também limita a capacidade de absorção de algumas vitaminas. Além disso, as cicatrizes fazem com o que o estômago se torne menos flexível, tornando menos eficaz na digestão geral dos alimentos. Em filhotes, essas dificuldades e o excesso de plásticos podem provocar o óbito.

"Embora essas aves possam parecer saudáveis ​​por fora, elas não estão bem por dentro", acrescenta o cientista Bond. Agora, a equipe busca entender quais outros órgãos e sistemas podem ser afetados pelo plástico, como os pulmões.

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Fonte: Journal of Hazardous MaterialsMuseu de História Natural e Iucn