Adeus silicone? Startups testam novos tipos de próteses biodegradáveis

Adeus silicone? Startups testam novos tipos de próteses biodegradáveis

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 04 de Julho de 2022 às 12h20
Westend61/Envato

Se depender das novas pesquisas científicas, pacientes que usam próteses mamárias — por questões de saúde ou estéticas — terão novas opções de materiais no futuro, além do silicone. Atualmente, empresas trabalham no desenvolvimento de novos compostos, envolvendo materiais biodegradáveis e impressão 3D.

Em laboratório, os testes das startups Healshape, Lattice Medical e CollPlant buscam verificar a segurança dos implantes impressos em 3D. A tecnologia deve "desaparecer", enquanto células da própria paciente se multiplicam e promovem a reconstrução da mama.

O primeiro teste humano com um implante deste tipo deve ser realizado no dia 11 de julho, nos Estados Unidos. O experimento será coordenado pela startup Lattice Medical. “Todo o implante é degradável”, explica Julien Payen, CEO da empresa, para o jornal The Guardian. “Após 18 meses, você não terá nenhum produto em seu corpo”, acrescenta.

Startups usam impressoras 3D para criar a próxima geração de implantes de mama, sem silicone (Imagem: Westend61/Envato)

Agora, a Healshape deve iniciar os estudos clínicos — aqueles feitos em humanos — em até dois anos. E a CollPlant também se organiza para as pesquisas do tipo.

Como funcionam as futuras próteses biodegradáveis?

No caso da tecnologia em desenvolvimento pela Healshape, a ideia é usar um tipo de hidrogel para imprimir, em 3D, um implante que será lentamente "colonizado" pelas próprias células de gordura da pessoa — que foram retiradas de alguma parte do corpo e injetadas no local. O implante deve desaparecer em até nove meses.

Já a startup CollPlant trabalha em uma alternativa semelhante, através do uso de uma biotinta de colágeno — extraída de folhas de tabaco, mas que foi geneticamente modificada para produzir colágeno humano. Agora, a Lattice Medical desenvolveu uma espécie de gaiola, feita com um biopolímero degradável. Em todos os casos, o próprio organismo é o responsável pela regeneração.

Vale lembrar que, todos os anos, cerca de 2 milhões de mulheres são diagnosticadas com câncer de mama. Como parte do tratamento, muitas pacientes removem pelo menos uma das mamas e o uso da prótese de silicone é a alternativa mais comum para reconstrução dos seios.

Por que prótese de silicone pode não ser a melhor opção?

Viver com uma prótese de silicone não significa ter as mesmas sensações que antes e o processo de adaptação pode não ser tão simples. No streaming, a questão é bastante discutida pela série The Bold Type, disponível na Netflix. A personagem Jane Sloan (Katie Stevens) passa por uma cirurgia preventiva — após descobrir ser portadora de um gene associado a um tipo de câncer de mama raro e agressivo, depois de ter perdido a própria mãe para a doença — e tem dificuldades em aceitar a nova prótese como parte de seu corpo.

Além da questão de se sentir confortável com a prótese, cirurgias do tipo podem provocar rejeições e infecções. “É um risco bastante alto. Há 10% de chance de perder um implante”, explica Shelley Potter, cirurgiã oncoplástica da Universidade de Bristol e do Bristol Breast Care Centre. Também há o fato de que, dependendo da prótese, os implantes necessitam ser substituídos a aproximadamente cada 10 anos. Diante desse cenário, novas opções para reconstrução das mamas são mais que necessárias.

Fonte: Com informações: The Guardian  

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