Twitter tenta tranquilizar anunciantes após "efeito Elon Musk"

Twitter tenta tranquilizar anunciantes após "efeito Elon Musk"

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 28 de Abril de 2022 às 11h17
Claudio Schwarz/Unsplash

O Twitter pode ter entrado em contato com agências de publicidade para tranquilizar os anunciantes quanto aos planos de Elon Musk de acabar com a moderação de conteúdo na plataforma. Segundo o jornal Financial Times, a rede social teria garantido que anúncios jamais serão exibidos próximos a conteúdos ofensivos ou atitudes tóxicas.

Musk prometeu que, sob sua supervisão, o Twitter adotará uma política mínima de intervenção, com total apoio à "liberdade de expressão" e com supostas remoções de conteúdo apenas quando houver violação legal. Há algum temor, contudo, que essa liberação aumente os casos de discurso de ódio, desinformação, movimentos antivacinas/anticiência e ataques a minorias.

Obvio que nenhuma grande marca gostaria de se associar a coisas negativas, ainda que indiretamente, razão pela qual a luz amarela se acendeu nos departamentos de marketing por todo o mundo. O comunicado do Twitter supostamente não traz muitos detalhes técnicos de como as coisas devem funcionar, mas parece ter sido construído para frear eventuais temores de que a liderança de Musk leve a um cenário pessimista na rede.

Hoje, o Twitter luta para conseguir fontes de renda alternativas que mantenham os lucros. Por enquanto, a plataforma se sustenta financeiramente com a verba dos anunciantes, em um modelo que pode ser muito perigoso para qualquer negócio, pois sofre impacto de terceiros — como o Google e a Apple.

Perder potenciais interessados em injetar dinheiro para vender produtos ou serviços certamente não está nos planos da companhia. Para efeito de comparação: o Twitter teve US$ 4,5 bilhões de receita publicitária em 2021 contra US$ 144 bilhões da Meta, dona do Facebook e Instagram.

Preocupação com a "liberação geral"

Grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), também expressaram preocupação que uma liberação total de discursos ajudem a reforçar falas racistas, tóxicas e preconceituosas. Isso seria um total retrocesso em uma plataforma que implementou ações para dar mais segurança e tranquilidade para que todos possam ter um perfil social.

O presidente da NAACP, Derrick Johnson, por exemplo, emitiu um comunicado no qual pede a Musk que garanta a liberdade de expressão, mas impeça discursos de ódio. "Desinformação, informações falsas e discurso de ódio NÃO TEM LUGAR no Twitter”, disse. Ele classificou como negativa a possibilidade de retorno de figuras como o ex-presidentre Donald Trump, porque isso seria uma "placa de Petri" para discursos de ódio ou mentiras que "subvertem nossa democracia".

Musk não quer comprar a rede pelo potencial de lucro, mas sim para ter uma ferramenta de comunicação forte nas mãos. Aliás, a própria rede social já ajudou o bilionário a ganhar muito dinheiro com flutuações no mercado de cripto e com a divulgação das suas empresas Tesla, SpaceX e The Boring Company.

Por envolver um toque ideológico na movimentação de compra do Twitter, Musk pode conseguir atrair a atenção de alguns empresários que apoiem sua forma de pensar. Se isso der certo, talvez os anunciantes atuais não sejam tão relevantes assim, a ponto de serem substituídos por novos. O jeito é aguardar para ver como o mercado publicitário vai reagir e acompanhar os balanços financeiros da rede social do passarinho.

Fonte: Financial TimesNAACP  

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