TikTok defende novas leis de privacidade e reforça que não repassa dados à China

TikTok defende novas leis de privacidade e reforça que não repassa dados à China

Por Igor Almenara | Editado por Douglas Ciriaco | 28 de Outubro de 2021 às 17h29
Alexander Shatov/Unsplash

Esta semana foi marcada pela primeira audiência do TikTok no congresso dos Estados Unidos. O diretor de políticas públicas da rede social nas Américas, Michael Beckerman, esteve ao lado de representantes do Snapchat para esclarecer pontos importantes sobre a própria empresa e demonstrar apoio na criação de nova legislação para privacidade de menores de idade.

Os vazamentos mais recentes envolvendo o Facebook e suas consequências sobre a saúde mental de menores de idade que motivaram as audiências nesta terça-feira (26). O TikTok e o Snapchat ressaltaram as próprias propostas para tentar se distanciar da percepção de que são parecidos com o Facebook, mas não conseguiram convencer os congressistas. "Ser diferente do Facebook não é uma defesa", disse um deles.

“O TikTok é uma plataforma de entretenimento global onde as pessoas criam e assistem vídeos curtos”, contou o executivo, que ressaltou ainda o fato de contas gerenciadas por menores de idade não terem acesso a mensagens diretas e outros recursos sociais.

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O TikTok até tentou se distanciar da proposta do Facebook, mas o CEO da rede rival comentou sobre sua competição acirrada (Imagem: Felipe Freitas/Canaltech)

Desde o início da tempestade de vazamentos de documentos internos do Facebook começou, legisladores estadunidenses voltaram a discutir a importância de implementar uma nova legislação para proteger crianças no ambiente virtual, principalmente nas redes sociais.

Essa perspectiva de que “todos fazem parte do mesmo bolo” também foi colaborada pelas falas do CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, em uma videochamada de resultados da empresa divulgado também esta semana. O executivo se referiu ao TikTok como “um dos concorrentes mais eficazes” do segmento e ressaltou que o Instagram Reels é a resposta do Facebook para a popularidade crescente da rede chinesa.

A ex-funcionária do Facebook que deu início ao problema acusa a empresa de "visar lucro acima de tudo" (Imagem: Envato/gpointstudio)

Apesar de tentar se distanciar do problema, o TikTok pediu aos Estados Unidos que leis mais abrangentes em torno da proteção de dados fossem criadas. A empresa concordou, junto com o Snapchat e o YouTube (que também estava presente na audiência), que pais e responsáveis deveriam conseguir apagar dados dos próprios filhos da internet — desde fotos, a detalhes como localização e hábitos online.

TikTok tenta se afastar da China

Em um desvio da pauta principal, senadores estadunidenses tiraram dúvidas quanto a relação entre o TikTok e o governo chinês. “Nós não compartilhamos nenhuma informação com o governo chinês”, respondeu o diretor ao ser questionado sobre o assunto pela senadora Marsha Blackburn. A congressista dizia estar preocupada com a coleta de dados do TikTok, incluindo áudio e a localização do usuário, e com as chances de Pequim ter acesso a esses dados.

Segundo o diretor, o TikTok mantém os dados da rede social salvos e gerenciados nos Estados Unidos, enquanto backups de segurança ficam em servidores localizados em Singapura. A equipe de segurança que lida com esses sistemas, inclusive, é norte-americana, contou o executivo.

Vale lembrar que o TikTok já esteve na mira do governo dos EUA por supostas relações com a China, mesmo após o fim do mandato do presidente Donald Trump, com quem travaram uma briga intensa no ano passado. Por meses, a rede social foi acusada de representar um sério risco à segurança nacional.

Fonte: TechCrunch, Reuters, The Verge

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