Apple quase baniu aplicativos do Facebook da App Store, revelam documentos

Apple quase baniu aplicativos do Facebook da App Store, revelam documentos

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 25 de Outubro de 2021 às 18h12
Reprodução/India Today

Parece loucura, mas documentos internos da Apple mostraram que a criadora do iPhone quase baniu o Facebook e o Instagram da sua loja oficial de aplicativos em 2019. Segundo documentos internos, chamados Facebook Papers e vazados pela denunciante Frances Haugen, a empresa teria sido acusada de violar termos da App Store.

A confusão teria ocorrido porque o Facebook teria supostamente permitido atividade abusiva na rede, após mulheres filipinas terem reclamado de práticas criminosas na rede. Elas acusam a plataforma de ser conivente com a prática de tráfico de pessoas, pois permitia que grupos e o Marketplace fossem usados para compra, venda e negociação de mulheres para trabalharem como empregadas domésticas no Oriente Médio.

O Facebook teria permitido comercializar, vender e comprar mulheres asiáticas para trabalharem como empregadas domésticas no Oriente Médio (Imagem: Reprodução/Facebook)

Segundo a agência de notícias Associated Press, até hoje, dois anos após as denúncias, ainda é possível localizar usuários em busca de "empregadas" (khadima, em árabe) para trabalhar em suas resistências, em especial mulheres africanas e sul-asiáticas, com idades e preços listados. Mais de 60% das solicitações teriam vindo da Arábia Saudita e cerca de 25% foram originárias do Egito, de acordo com uma análise de 2019 do Facebook.

Essas mulheres são enviadas para um país completamente diferente, sem saber falar a língua e ficam presas nas casas dos patrões — conforme exposto pela AP, há casos onde elas sequer possuem a chave. A matéria ressalta que os salários pagos são irrisórios e as condições, em muitos casos, beiram a escravidão, sem contar os casos de abusos.

Esse tipo de prática, obviamente, é condenada pela Apple, que mantém uma política rígida de controle sobre o conteúdo dos apps listados. O Facebook então reuniu todas as providências tomadas e enviou para a Maçã, que, possivelmente para não levantar uma polêmica muito grande, recuou ao permitir que as duas redes sociais seguissem disponíveis para usuários do iOS na App Store.

Facebook no centro de várias polêmicas

Documentos vazados por Haugen revelaram diversas questões internas da rede, como a destinação de grande parte do orçamento para manter adolescentes na plataforma e os planos para "lucrar a qualquer custo", mesmo que isso implique em disseminar discórdias na rede social. O ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro, revelou que vários funcionários estavam frustrados por não terem feito nada para impedir que as coisas saíssem do controle.

A rede social foi acusada de saber que exerce impacto negativo sobre meninas adolescentes — em geral, deixá-las insatisfeitas com seus corpos — e não ter tomado medidas concretas para combater essa prática. Alguns veículos chegaram a estampar os slides usados pela plataforma para mostrar os lados positivos e nocivos da exposição ao Instagram.

O Facebook investe na criação de ferramentas para melhorar a experiência dos adolescentes no Instagram, mas há quem diga não ser suficiente (Imagem: Divulgação/Instagram)

Na semana passada, foi divulgado também que a rede social tem problemas com seu algoritmo de moderação, ainda pouco eficaz e com dificuldades para idiomas além do inglês. O sistema de inteligência artificial confundiu um vídeo de tiroteio em massa com uma ida ao lava-jato e brigas de galos foram erroneamente sinalizadas como acidente de carro.

Sobre o caso apresentado, o Facebook enviou um comunicado à AP no qual garante haver “prevenção direcionada e campanhas publicitárias de apoio em países como as Filipinas, onde os dados sugerem que as pessoas podem estar em alto risco de exploração”. O veículo de mídia, contudo, alega que a companhia não respondeu a perguntas específicas feitas sobre suas práticas.


Fonte: Associated Press  

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