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Infinito: Capitão América estrategista na melhor saga recente da Marvel

Por| 20 de Março de 2022 às 11h00

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Marvel Comics
Marvel Comics

Pouco falada, muito lida e importantíssima para as adaptações no cinema posteriormente, Infinito, história lançada pela Marvel Comics em 2013, foi a melhor saga recente da editora nos últimos anos — sim, as Guerras Secretas de 2015 também foram incríveis, mas Infinito teve importância ainda maior nos bastidores, como veremos abaixo. E mais: foi nesse evento que vimos a faceta estrategista pouco explorada em toda a história do Capitão América.

No começo dos anos 2010, Jonathan Hickman, após ter feito um excelente trabalho com o título mensal do Quarteto Fantástico, assumiu os Vingadores. Sua passagem pelos Maiores Heróis do Mundo só terminaria nas Guerras Secretas de 2015, mas tudo o que ele semeou teve rápidos resultados na ópera espacial Infinito.

A tarefa de Hickman era difícil, em uma época em que a Disney ainda não havia comprado a Fox. A Marvel Entertainment, então liderada por Ike Perlmutter, queria que os X-Men e o Quarteto Fantástico ficassem por tempo indeterminado “na geladeira” — qualquer nova história ou personagem alimentaria os direitos autorais que não estavam sob posse da Casa das Ideias no momento.

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Então, Hickman propôs a retomada de uma nova “Era Heróica” com a iniciativa Marvel Now, após um período em que a Marvel tinha se dedicado ao legado, com versões mais jovens e de diferentes gêneros de heróis conhecidos. Para isso, ele deixaria os X-Men de lado e destacaria os Inumanos; e investiria no lado cósmico, para construir uma trama que serviria, posteriormente, para “aposentar” temporariamente o Quarteto Fantástico no soft reboot das Guerras Secretas de 2015.

Assim nasceu a trama de Infinito, que envolve, principalmente, o grupo lIluminati (formado por Homem de Ferro, Namor, Pantera Negra, Homem de Ferro, Doutor Estranho, Reed Richards e Professor X) e os Vingadores.

O caminho até Infinito

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Jonathan Hickman tem um jeito próprio de se aprofundar na ficção científica. Quem acompanha sua atual fase nos X-Men, que, aliás, está terminando, sabe como ele pode ser detalhista e complexo. No caso de Infinito, Hickman, embora tenha sido mais “simplista”, ainda assim exige um jeito próprio de compreender sua trama.

Em primeiro lugar, ele voltou a citar planetas que a Marvel deixou de comentar nas décadas anteriores, como Spartax, o lar de J’son, pai de Peter Quill, o Senhor das Estrelas dos Guardiões da Galáxia (sim, nos quadrinhos, Ego, o Planeta Vivo, não é pai de Starlord); Hala, onde habitam os Kree; e Gálador, casa dos galadorianos que criaram os avançados Cavaleiros Espaciais (como Rom).

Em seguida, Hickman trouxe de volta Estigma, poderoso personagem de John Byrne que não fazia parte da continuidade Marvel; e criou outros, como Máscara Noturna, Ex-Nihilo e outras criaturas, que, embora pareciam não fazer sentido na trama, tiveram o papel de conduzir o mistério de como os Construtores poderiam destruir o universo. Esta é uma raça ancestral ligadas ao início de tudo, e que estariam fazendo uma “limpeza”, com o objetivo de um novo começo.

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Para completar, Hickman também introduziu as Incursões, que são pontos de conexão entre os dois mesmo planetas de realidades diferentes do Multiverso. Isso passou a acontecer com mais frequência, o que obrigou os Illuminati, que se juntaram justamente para enfrentar ameaças dessa natureza, a agir proativamente.

Ficaria difícil explicar com minúcias todos os elementos em jogo. Contudo, para compreender melhor Infinito, basta saber que os Construtores passaram a ameaçar todos os planetas do universo, conquistando um a um, até chegarem próximos de um certo planeta Terra.

Infinito mostra a faceta estrategista do Capitão América

Enquanto a ameaça dos Construtores avançava pelo cosmos rumo à Terra, os Illuminati também se preparavam para enfrentar a vinda de Thanos, que, aparentemente, estava de novo atrás da Joias do Infinito. Com isso, parte dos heróis fica no planeta; e o Capitão América, a Capitã Marvel, Thor e demais vão para o espaço, para se juntar ao Conselho Galático (Krees, Skrulls, S’hiars, entre outros) contra a ameaça crescente dos Construtores.

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Embora na primeira batalha dos Vingadores e o Conselho Galático tenham comemorado uma aparente vitória contra os Construtores, após conseguirem abarter alguns inimigos, na verdade, a atuação foi um desastre: resultou na captura de vários heróis e da armada de defesa acuada, escondida em um planeta. Parte da ofensiva desajeitada foi causada pela má liderança de J’son de Spartax, que, além de causar baixas, secretamente se rendeu aos Construtores e revelou a localização dos rebeldes.

Os Vingadores e o Conselho Galático foram atacados novamente, o que deixou os rebeldes em posição ainda mais delicada, já que os Construtores conquistavam cada vez mais planetas. Foi quando o Capitão América resolveu tomar a liderança e se fez ser ouvido pelos representantes do Conselho Galático, que, então, acatariam suas ordens.

É aí que vemos o soldado que só não mudou de patente até hoje porque nunca quis. A primeira coisa que o Capitão América pensa em fazer é reaver os poderosos heróis aliados que foram capturados. Para isso ele precisa encontrá-los. Em seguida, Rogers cria uma distração para conseguir penetrar o local e libertar os prisioneiros. Isso inclui a participação de Thor, do Estigma, do Hulk e da Capitã Marvel.

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“Esse é um mundo de Vingadores”

Rogers, como porta-voz do Conselho Galático, anuncia aos Construtores a rendição da aliança. Thor é enviado a Hala, que tem uma posição estratégica próxima da Terra, para formalizar a desistência dos rebeldes. Na chegada ao planeta, Odinson é obrigado a deixar seu martelo longe, como prova de que ele iria sem intenções ofensivas. Ele envia o martelo Mjolnir para longe e entra de mãos limpas para o planeta dos guerreiros Kree.

“Está maluco Rogers? Thor é um guerreiro, não um diplomata!”, reclama J’son de Spartax. Mas ele não sabia que a ida do Deus do Trovão foi minuciosamente planejada pelo Capitão América e Odinson.

Enquanto ele se ajoelha, o Mjolnir dá uma volta no sol e retorna energizado, à toda velocidade, atravessando o corpo de um dos Construtores — mostrando que, sim, eles podem ser destruídos. Neste momento, Thor, que é conhecido por toda a galáxia pelos seus feitos em batalhas épicas, emite um battlecry a todos os guerreiros Kree, que imediatamente formam um exército à disposição de Rogers.

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Em seguida, a Capitã Marvel, com a ajuda da mente de Banner e de Stark, localizam os prisioneiros e liberam poderosos aliados, que se juntam à ofensiva surpresa de Rogers contra as principais naves dos Construtores. O Hulk, que nessa época usava o intelecto com laboratório da SHIELD e depois “cedia” sua versão destruidora para missões de combate casca-grossa, entra em um dos cargueiros e o abate completamente com as próprias mãos.

O Estigma entra no combate para derrubar outras naves, enquanto a Capitã Universo, que já ajudou os heróis várias vezes no passado e tem ligações com os Construtores, acorda de um coma e auxilia os Vingadores, que já começavam a superar os invasores.

A cada mundo libertado, os Vingadores ergueram uma bandeira com o símbolo do grupo, dizendo “esse é um mundo de Vingadores”. Ao final, com a vitória, o Capitão América diz em um comunicado transmitido pelo Conselho Galático a todos os planetas que se reergueram. “A partir de agora, a jurisdição da atuação dos Vingadores não se limita à Terra, e sim a todo os planetas.”

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As autoridades do Conselho Galático passaram a respeitar a Terra e os Vingadores, calados, enquanto os Vingadores celebravam uma vitória temporária no espaço. Porque, enquanto isso, no mesmo momento, Thanos avançava contra os heróis remanescentes, em busca das Joias do Infinito.

Iluminatti: heróis ou vilões?

Vale destacar que, simultaneamente ao conflito no espaço, os Vingadores que ficaram na Terra, reforçados por vários outros heróis que não faziam oficialmente parte do grupo, lidavam com as Incursões e a chegada de Thanos. Antes de falar sobre a invasão do Titã Louco, é preciso destacar as ações do grupo Iluminatti, que, de certo ponto de vista, pode classificá-los como antagonistas na trama de Infinito.

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Para começar, para tentar defender a Terra, o grupo destruiu um planeta com milhões de pessoas nele. Em seguida, capturou Cisne Negra e a manteve em cativeiro, sendo questionada e torturada. Depois, os Iluminatti usaram o Capitão América, que vestiu a Manopla e as Joias do Infinito para acabar com outros mundos que ameaçavam a Terra em novas Incursões. Isso destruiu quase todas as Joias, já que Rogers, embora seja um herói de grande capacidade física e mental, não tinha a constituição perfeita para conseguir manipular as seis gemas simultaneamente.

Só sobrou a Joia do Tempo, que foi usada posteriormente na saga Tempo Esgotado. E os Iluminatti ainda apagaram a mente do Capitão América, que, posteriormente, recobrou suas memórias, em um dos duelos mais interessantes contra Tony Stark. Para completar, o grupo ainda criou uma bomba específica para destruir as Terras que insistissem nas Incursões.

Os próprios Iluminatti descobriram que a Terra nunca deixaria de receber Incursões, pois o planeta era o ponto focal para a destruição e o recomeço do Multiverso. Isso leva a trama para as Guerras Secretas de 2015.

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A invasão de Thanos

Inicialmente, pensava-se que Thanos invadiria a Terra mais uma vez em busca das Joias do Infinito. Antes de chegar ao planeta, ele enviou um batedor para reunir informações. Esse servo alienígena criado com o propósito apenas de receber ordens, conseguiu invadir Atillan, o lar dos Inumanos, o que, claro, deixou o rei Raio Negro, que também é integrante dos Iluminatti, furioso.

Antes da chegada de Thanos, ele enviou sua Ordem Negra para enfrentar os Iluminatti e descobrir onde eles deixaram as Joias do Infinito. O Pantera Negra enfrentou Estrela Negra, enquanto Doutor Estranho teve sua mente vasculhada e apagada por Fauce de Ébano. O Fera, que substituiu o Professor Xavier nos Iluminatti, encarou Corvus Glaive e Supergigante ao lado dos X-Men.

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Próxima Meia-Noite foi atrás de Namor, que confrontou a vilã nas ruínas de Atlântida, já que a cidade submarina e seu povo haviam sido devastados na batalha contra o Pantera Negra e Wakanda, como um dos resultados da briga entre os Vingadores e os X-Men — falaremos sobre isso em outra ocasião.

Thanos foi pessoalmente enfrentar os Inumanos, que não resistiram ao seu ataque. Raio Negro conseguiu ferir bastante o Titã Louco, mas, no final, caiu. Antes disso acontecer, ele ativou uma Bomba Terrígena que causou uma onda de transformação nas pessoas que possuíam DNA de Inumano, mas ainda não haviam manifestado poderes — isso normalmente acontecia em Atillan, no ritual de passagem de jovens para a vida adulta, mas, desta vez, foi forçada pelo líder dos Inumanos.

Assim, o filho de Thanos, Thane, manifesta seus poderes. Nesse ponto, a trama já mostrava que o Titã Louco estava na Terra para matar seu filho, e não atrás das Joias do Infinito. Os Vingadores que estavam no espaço tiveram pouco tempo para celebrar a vitória fora da Terra. Com a ajuda dos Guardiões da Galáxia, eles conseguiram destruir uma barreira que os impedia de voltar para o planeta.

No confronto com Thanos, Hulk conseguiu deixá-lo ocupado o suficiente para que Thor e os outros também equilibrassem o conflito. No final, Thane, usou seus poderes instáveis, que conseguiram aprisionar seu pai em um cubo de âmbar, como um castigo de experimentar a morte em vida, conscientemente preso, sem poder fazer nada — vale destacar que essa é uma homenagem a uma história antiga de Jim Starlin, criador de Thanos.

A importância de Infinito

Se você notou várias similaridades com o que vimos nos cinemas em Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato, já deve ter imaginado que não foi por acaso. Infinito teve forte influência em ambos os filmes, e ainda terá em outras adaptações da Marvel Studios.

A Ordem Negra, os batedores, a abordagem de invasão semelhante, a luta entre Thanos e Hulk, o aprisionamento de Doutor Estranho por Fauce de Ébano; são muitas as inspirações que saíram dos quadrinhos para as telonas. E mais: a rusga entre Namor e Pantera Negra, que começou no caminho para Infinito, também deve ser adaptada para o próximo filme do Pantera, Wakanda Forever.

Infinito pavimentou caminhou para as já comentadas Guerras Secretas de 2015, assim para o que ocorreu depois, na saga Tempo Esgotado. E muitas das subtramas que aconteceram paralelamente estabeleceram plots interessantes para cada participante do evento, inclusive os próprios Iluminatti. Não se surpreenda se o grupo aparecer em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura com uma postura antagonista, como o que vimos no caminho para Infinito.

Editorialmente falando, Infinito é uma pérola dos quadrinhos de massa. Jonathan Hickman tem uma forte assinatura gráfica. Os capítulos são apresentados de forma curta, cobrindo vários cenários e personagens, como um épico visual em uma ópera espacial. Cada número da edição principal, assim como os títulos conectados em narrativas paralelas, foram lançados com a mesma identidade visual e a cor de uma das Joias do Infinito.

Além disso, foi uma forma interessante de os autores cumprirem a decisão de Permultter, de afastar os X-Men e o Quarteto Fantástico do protagonismo na Marvel Comics. Com o destaque ganho em Infinito, os Inumanos ficaram em primeiro plano, deixando os mutantes de lado temporariamente. E as Guerras Secretas de 2015 são, acima de tudo, uma maneira que a Casa das Ideias encontrou para dizer um “até breve” à primeira família de heróis dos quadrinhos.

Bem, depois disso tudo, dá para dizer que esta é a melhor saga recente da Marvel Comics. E que será difícil de superar, devido à importância no contexto da época e em tudo que influenciou nos anos seguintes, seja nos quadrinhos ou no cinema e TV.