Como foi a última morte de Wolverine? E o que aconteceu depois disso?

Por Claudio Yuge | 25 de Outubro de 2020 às 13h00
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Depois de uma série de mortes chocantes nos quadrinhos de super-heróis dos anos 1990, em especial a do Superman, o óbito de um personagem nessa seara passou a ser uma coisa, digamos, mais banal. Atualmente, a Marvel Comics já deixou claro, publicamente, que, embora mortes continuem acontecendo em suas páginas, elas não são definitivas e apenas funcionam como ferramentas em arcos dramáticos. Ou seja, ninguém mais efetivamente vai dessa para uma melhor nas páginas da Casa das Ideias.

Pouquíssimas mortes continuam intocadas na Marvel, como a do Capitão Marvel original, que, ainda assim, de vez em quando aparece “vivo” em uma ou outra saga. Nos X-Men de Jonathan Hickman, há um processo constante de “ressurreição”, que envolve um grupo de mutantes e o próprio Professor Xavier. Mas, antes mesmo dessa nova fase dos Filhos do Átomo, houve uma última morte que foi “mais sentida”, por assim dizer: a de Wolverine.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

O querido anti-herói canadense já foi dado como morto em outras ocasiões, mas esta última realmente foi tratada como “morte oficial”, inclusive com um arco na revista mensal que “preparou o leitor” e uma minissérie chamada A Morte de Wolverine — tudo para tornar a coisa toda mais séria. E lá se foram seis anos de lançamento deste evento, dos quais quatro Wolverine ficou fora de cena — o que pode ser considerado uma eternidade para o mutante mais popular da Marvel Comics.

Como foi que isso aconteceu? E quais foram as consequências? As respostas você pode ler logo abaixo.

Desgaste de três décadas

Wolverine nasceu na revista The Incredible Hulk #180, de novembro de 1974. Mas seu desenvolvimento se deu mesmo nos anos 1980, quando conhecemos mais sobre seu passado no Japão, pelas mãos de Frank Miller e Chris Claremont; e quando ele passou a ser uma referência maior nos X-Men, em arcos históricos, a exemplo da Saga da Fênix.

Nos anos 1990, Logan chegou ao seu auge, especialmente com a nova fase de Jim Lee e com a popularidade da animação dos X-Men na TV. O personagem ganhou mais estofo em seu passado, em especiais como Arma X; e passou a ser um carro-chefe da Marvel. Só que aí começou sua queda: em uma década especialmente frágil para os quadrinhos de super-heróis, somente os mutantes saíram “ilesos” das baixas vendas — e parte desse sucesso está atrelado a Wolverine, que praticamente se tornou onipresente nos títulos da Marvel, e não somente os dedicados aos Filhos do Átomo.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Assim, Wolverine teve seu adamantium arrancado de seu corpo, foi dado como morto diversas vezes, retornou a Japão, virou agente da SHIELD e se tornou fugitivo da mesma entidade, tornou-se arauto do Apocalipse, entre várias outras aventuras. Já no final dos anos 2000, um dos “arquitetos” da Casa das Ideias explorou, então, um lado inédito que mudou a visão sobre o personagem, considerado virtualmente imortal, dado os seus poderes regenerativos, capacidade de luta e adamantium.

Mark Millar, ao lado do ilustrador Steve McNiven, imaginou um cenário em que Logan já não tem um fator de cura tão regular e está extremamente abatido, cansado por perder tantas batalhas e que não tira mais suas garras de seus punhos. Old Man Logan se tornou um clássico instantâneo, uma espécie de “Cavaleiro das Trevas do Wolverine”. Nesse momento, sua versão idosa se tornou muito mais interessante que a original, que estava se sobrecarregando de histórias ruins, devido ao desgaste do personagem.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Foi aí que a Marvel e os próprios leitores passaram a concordar que talvez fosse melhor dar um fim à atual versão e ficar um pouco com seu modelo do futuro, como forma de “reboot” de Wolverine. E foi exatamente isso que aconteceu em novembro de 2014, justamente no aniversário de 40 anos da primeira aparição de Logan na batalha entre Hulk e Wendigo.

Como foi a Morte de Wolverine?

O quinto e o sexto volume da série mensal do Wolverine se tornou basicamente “o caminho” para a trama principal. Vale destacar que o título já não vendia muito na época e os mutantes, em geral, sofriam com uma fase ruim que parecia nunca acabar — e mais tarde, veio a revelação que Ike Perlmutter, executivo da Marvel Entertainment, na época tinha “segurado” o desenvolvimento dos X-Men por conta da treta envolvendo os direitos vendidos para a Fox, que se rejeitava em negociar com o crescente Marvel Studios.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Em 2013, Wolverine vinha revisitando seu passado, enquanto Old Man Logan já começava a aparecer com mais frequência nos títulos mutantes. Foi então que nosso Logan da cronologia atual teve seu corpo contaminado por um vírus do Microverso, que tornou seu fator de cura inativo. Seu corpo passou a se deteriorar com mais facilidade e, claro, sem os ossos inquebráveis, ele se transformou em um alvo muito mais vulnerável para seus inimigos.

O Senhor Fantástico se dispôs a tentar ajudar Wolverine, mas ele decidiu que continuaria a viver dessa forma mesmo, pois, além de teimoso, o baixinho canadense passou a aceitar sua nova condição como destino — afinal, ele mesmo sabia que qualquer que viva tanto tempo talvez considere uma rara possibilidade de morte como um final mais comum e apropriado para sua própria história.

Nessa época, Wolverine dividia seu tempo entre os Vingadores e os X-Men, não somente como herói, mas também no papel de diretor da Escola Jean Grey para Jovens Superdotados. E, mesmo assim, decidiu encarar seus maiores rivais, que, claro, também já estavam sabendo que o anti-herói não andava mais o mesmo. No final, Logan enfrenta o Doutor Cornelius, um dos responsáveis pelo projeto Arma X e pela injeção de adamantium no corpo do X-Man.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Após um combate feroz, Cornelius perece e, antes de ir, ele questiona a Logan quais foram suas grandes realizações na vida. Wolverine, então, decide fica sob um tanque de adamantium quente, que cobre seu corpo. Ele morre por sufocamento, após o endurecimento do metal que o salvou por tantos anos.

O que aconteceu depois da morte de Wolverine?

Vários personagens conectados a Wolverine, como Dentes-de-Sabre, X-23, entre outros, passaram a seguir seu legado e, no final, X-23 é que acabou se tornando a detentora desse nome. A Marvel Comics aproveitou a popularidade da personagem no filme Logan, que já havia se inspirado na trama de Old Man Logan, para tornar a “filha do Wolverine” como sua sucessora oficial. Essa também foi uma oportunidade de apresentar mais diversidade e dar ao público feminino sua própria versão do famoso anti-herói.

Old Man Logan se tornou mais presente e seu estilo de “Wolverine clássico”, com instinto assassino e um passado ainda mais sombrio, foi um sucesso. Ele passou a fazer parte dos X-Men de nossa era e teve a oportunidade de encontrar com seu “eu” mais jovem antes de se despedir em sua própria linha cronológica.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Wolverine voltou aos poucos aos Universo Marvel, em meados de 2018. Ele começou reaparecendo com seu corpo jovem e completamente renovado, ainda mais poderoso que o anterior. Logan, inicialmente, ressurgiu em algumas “cenas pós-créditos” de títulos da Marvel, portando a Joia do Tempo.

Mais tarde, ele deixou de lado a gema e ficamos sabendo, em uma trama que não vale muito a pena contar agora, que, basicamente, Wolverine teve seu corpo e mente trazidos de volta por conta de um processo criado pela vilã Persephone, com participação de Sotera. A trama de retorno foi, em geral, bem ruim e cheia de buracos e saídas mirabolantes de roteiro. Mas, o que importava, naquele momento, era que o Logan de nossa época deveria, definitivamente, voltar ao Universo Marvel.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Inicialmente, Wolverine demorou um pouco para se restabelecer e veio até com um poder diferente, o de aquecer suas garras em momentos de muita fúria. Mas com o iminente reboot dos X-Men nas mãos de Jonathan Hickman e o começo da jornada de um novo Logan no Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês) pela frente, a Casa das Ideias decidiu trazer de volta seu mais popular mutante novamente no auge de seu temperamento e porte físico.

E, assim, temos de volta aquele assassino impiedoso com seu próprio código de honra, em referência aos anti-heróis de filmes de faroeste. Ele continua amável com as crianças, teimoso e agora até aceita fazer parte de um “trisal” com Ciclope e Jean Grey — amando Scott, inclusive, com a mesma intensidade que ama Jean. Este é o Wolverine “2.0”, um clássico atualizado que voltou a fazer sucesso nas mãos de Hickman.

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