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5 filmes de sucesso que não adaptaram gibis e dialogam com HQs famosas

Por| 06 de Setembro de 2023 às 19h43

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Bold Films/Marvel Comics
Bold Films/Marvel Comics

Alguns filmes e séries de sucesso, mesmo que não tenham uma conexão direta, dialogam de forma intrigante com HQs famosas. São produções de diferentes mídias que vieram de contextos, épocas e núcleos criativos distintos; mas “conversam” tão bem que esse flerte chega a ser confundido com “adaptação acidental” ou “coincidência cósmica”. Abaixo estão algumas obras audiovisuais que combinam tanto com gibis cultuados que deveriam vir juntas no streaming, nas salas de cinema, ou nas bancas.

Antes de mais nada, vale lembrar que a Sétima e a Nona Arte possuem elementos linguísticos que as tornam “irmãs”. O Cinema é a arte sequencial dinâmica, que explora o drama por meio da atuação e aproveita bem os recursos audiovisuais na construção do fluxo cronológico da narrativa.

Já Quadrinhos são a arte sequencial estática, que promove um constante exercício de criatividade. Isso acontece nos espaços em branco entre os quadros. Isso obriga nossa imaginação a completar, apenas com os estímulos da visão, as lacunas temporais e os outros sentidos, como o som, por exemplo, por meio da simbiose entre palavras e imagens.

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As obras que escolhi abaixo não são adaptações, nem possuem ligações diretas entre si. Os autores talvez até se conheçam ou tenham noção da existência uns dos outros; e, em alguns casos, possivelmente beberam de fontes semelhantes.

Mas, com certeza, nenhum deles queria intencionalmente dialogar de maneira tão íntima como acabaram fazendo. E por que viajei nisso? Bem, porque sou fã de todos, e, quando consumi essas obras, lembrei imediatamente um do outro.

E, o mais importante: essa lista talvez deixe os cinéfilos curiosos pelas “adaptações acidentais” de suas produções favoritas, assim como pode fazer o mesmo com os leitores. Melhor ainda, de repente pode despertar o apetite dos que ainda não degustaram nada disso. Então, sem mais delongas, vamos aos cinco filmes de sucesso que dialogam com HQs famosas.

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5 filmes de sucesso que dialogam com HQs famosas

Para facilitar, os filmes têm uma breve sinopse. Em seguida, detalho os elementos que se conectam com os quadrinhos, que, para não deixar o texto muito extenso e chato, não me aprofundei tanto no enredo.

Aí vai de cada um buscar mais detalhes nas próprias obras — sem preguiça:

Coração Satânico | Hellblazer

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Lançado em 1987, o filme de Alan Parker narra a jornada do detetive particular Harry Angel (Mickey Rourke) procurando por Johnny Favorite, um cantor desaparecido. Angel é contratado por um misterioso cliente, o enigmático Louis Cyphre (Robert De Niro). A investigação envolve figuras estranhas que morrem violentamente, e penetra em um mundo místico ambientado na atmosfera vodu da Louisiana.

Para começar, a atmosfera misteriosa e a busca enigmática, que escala para os ares sobrenaturais com referências a práticas vodu e magia sombria fazem parte da espinha dorsal de Hellblazer. Além disso, nessa época, Rourke era muito parecido com John Constantine, tanto na aparência quanto no comportamento e até no figurino. E até as locações, subtextos e o antagonista são típicos de uma trama do bruxo de rua/detetive do oculto da DC Comics — Coração Satânico dialoga, especialmente, com a fase de Jamie Delano e Garth Ennis.

Seven | Demolidor/Batman

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Lançado em 1995, o longa dirigido por David Fincher narra a história de dois policiais, o jovem e impulsivo David Mills (Brad Pitt), e o veterano William "Smiley" Somerset (Morgan Freeman). Ambos são encarregados de investigar um serial killer que baseia os seus assassinatos nos sete pecados capitais.

A atmosfera soturna, violenta e enigmática, com uma narrativa crua que flerta até com o sobrenatural, dialoga bem com o Demolidor do Brian Michael Bendis ou do Ed Brubaker — especialmente com a temática sobre pecados, já que o Diabo da Cozinha do Inferno sempre reflete sobre sua fé cristã; e com o Batman: Ano Um de Frank Miller e David Mazzucchelli e/ou Batman: O Longo Dia das Bruxas de Jeph Loeb e Tim Sale, que mostra um Bruce Wayne ainda impulsivo e inseguro desenvolvendo suas habilidades como detetive frente a um serial killer muito metódico e esperto.

Drive | Wolverine/Lobo Solitário

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Drama e suspense policial neo-noir se juntam no longa de 2011, dirigido por Nicolas Winding Refn. Na trama, um calado e misterioso motorista que trabalha como mecânico e dublê de filmes de Hollywood (Ryan Gosling), também atua sigilosamente como piloto de fuga de bandidos e mafiosos. Ele se envolve com Irene (Carey Mulligan), uma solitária garçonete casada e mãe de um pequeno filho que sofre a violência de um relacionamento tóxico. Para proteger a moça e a criança, o herói sem nome segue uma jornada brutal e sem volta.

Embora Drive tenha uma atmosfera soturna com ambientação oitentista, o protagonista é uma releitura moderna dos anti-heróis anônimos do faroeste. Itto Ogami, do clássico mangá Lobo Solitário, também justifica seu comportamento protetor e violento com uma bússola moral que busca a redenção, especialmente por conta de sua preocupação em defender os mais fracos, em especial as crianças. Wolverine teve influência de Lobo Solitário e também passou a ser assim, a partir da fase de Frank Miller — e pode colocar Kill Bill, de Quentin Tarantino, nessa conta, já que uma clara referência ao material dos quadrinhos japoneses de Kazuo Koike e Goseki Kojima.

Top Gun: Maverick | Lanterna Verde

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Lançado em 2022, o longa dirigido por Joseph Kosinski se destacou por trazer de volta dos anos 1980 o impulsivo e indisciplinado aviador naval Pete 'Maverick' Mitchell (Tom Cruise). Embora charmoso, destemido e habilidoso, ele precisa lidar com seus próprios medos para confrontar o passado difícil enquanto treina uma tropa de jovens pilotos, incluindo o filho de seu falecido melhor amigo, para uma missão perigosa.

Tudo o que mais faltou na adaptação cinematográfica do Lanterna Verde está em Top Gun: Maverick, pois a jornada de Hal Jordan é sobre um talentoso, impulsivo e solitário piloto de testes, que precisa enfrentar seus temores. Assim como Maverick, Jordan precisa transformar rivalidades e medos em parcerias e respeito.

Mistérios e Paixões | Black Hole

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Naked Lunch, lançado em 1991, com direção de David Cronenberg, baseado no romance autobiográfico homônimo do autor beatnik William S. Burroughs, a trama é ambientada em 1953 e gira em torno de Bill Lee (Peter Weller), um aspirante a escritor. Sua jornada lisérgica cheia de insetos é repleta de simbolismos que criticam o anestesiante e burocrático cotidiano de trabalho em massa — ainda mais com as viagens “brisantes” capazes de perturbar qualquer mente sã.

O enredo de Black Hole, do quadrinista Charles Burns, não tem nada a ver com isso: é ambientado nos subúrbios de Seattle em meados da década de 1970 e gira em torno de um grupo de adolescentes que contraem uma misteriosa doença sexualmente transmissível conhecida. As mutações físicas bizarras desenvolvidas pelos jovens e atmosfera igualmente “brisada” e perturbadora dialogam de uma forma tão íntima com o filme que Cronenberg e Burns parecem almas gêmeas.