Review Motorola Edge 20 Lite | Um Moto G refinado

Review Motorola Edge 20 Lite | Um Moto G refinado

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 28 de Setembro de 2021 às 11h10
Ivo/Canaltech

A Motorola lançou recentemente no Brasil três novos smartphones da família Edge muito interessantes: todos os modelos têm 5G e câmera de 108 MP, mas o Motorola Edge 20 traz tela OLED de 144 Hz, enquanto o Motorola Edge 20 Pro se destaca pelo chipset Snapdragon 870. O Edge 20 Lite, por sua vez, conta com uma bateria de 5.000 mAh como diferencial.

Após analisar a fundo os dois aparelhos mais potentes da família, chegou a vez de vermos se o Edge 20 Lite traz um conjunto interessante para competir com os smartphones intermediários de Samsung, Xiaomi e Realme no mercado brasileiro.

Prós

  • Boa tela OLED;
  • Desempenho decente;
  • Bateria de longa duração.

Contras

  • Construção muito simples;
  • Câmeras não agradam.

Confira o preço atual do Motorola Edge 20 Lite

Design e construção

Logo de cara, o visual do Edge 20 Lite me remeteu aos aparelhos da linha Xiaomi Mi 11 — o que considero um ponto bem positivo. O modelo Lite tem um bump de câmeras compacto, porém com três níveis graças ao sensor com incríveis 108 MP. A peça é saltada do corpo do aparelho e pode arranhar com facilidade se colocada sob superfícies ásperas — felizmente, a Motorola inclui uma capinha na caixa.

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(Imagem: Ivo/Canaltech)

As semelhanças com o Mi 11 acabam por aqui, já que a tampa traseira e as laterais são de plástico. O material não seria um problema, principalmente porque outros intermediários também compartilham da mesma peça, mas a sensação ao pegar o smartphone na mão é de que se trata de uma construção bastante básica, próxima a de aparelhos de entrada.

Apesar de o Edge 20 Lite seguir a proposta "grandalhona" dos irmãos, eu gostei mais da pegada do aparelho mais simples por conta da traseira levemente curvada e pelas dimensões maiores.

  • Dimensões: 165,9 x 76 x 8,3 mm
  • Peso: 185 g

Se a construção não é um dos principais destaques do Motorola Edge 20 Lite, ao menos seu visual é bem bonito: o modelo que testamos veio numa cor grafite bem sóbria, porém elegante — o smartphone também pode ser encontrado na opção verde, sendo bem mais simpática.

Na parte da frente temos as bordas inferior e superior mais espessas. Elas são bem visíveis se o tema do sistema for claro, mas “somem” no modo escuro devido à tela OLED. Também temos um recorte circular para a câmera frontal; o aro tem um tom levemente prateado, opção geralmente usada em aparelhos mais básicos, e fica bem mais aparente.

O Edge 20 Lite tem uma construção bem básica, bastante próxima a da linha Moto G. Ainda assim, o smartphone ganha pontos pelo visual semelhante aos Mi 11, da Xiaomi.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

Conexões e slots

Por ser um modelo mais acessível, foram preservadas as entradas para cartão de memória e fones de ouvido, características ausentes nos Edge 20 e 20 Pro. Também temos suporte às redes 5G (incluindo o 5G DSS), Wi-Fi ac dual-band, Bluetooth 5.0 e NFC para pagamentos por aproximação.

O alto-falante do Edge 20 Lite é mono e parece ser o mesmo presente nos Edge 20 e 20 Pro. A ausência de alto-falantes estéreo não chega a ser um problema por aqui se considerarmos sua proposta mais básica, mas foi algo que critiquei muito nos modelos mais potentes.

Tela

Para competir com os intermediários da Samsung, a Motorola incluiu uma tela OLED em toda linha Edge 20, inclusive no modelo mais básico. O Edge 20 Lite é equipado com um painel de 6,7 polegadas com resolução Full HD+ (2.400 por 1.080 pixels), suporte a um bilhão de cores e HDR10+.

Mesmo trazendo um display parecido com o dos seus irmãos — ou seja, com cores vivas, fidelidade de cores escuras e definição agradável —, o brilho máximo não é tão intenso. Ainda assim, a qualidade de imagem é bem próxima dos Galaxy A mais recentes, o que é excelente.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

Outra diferença do Edge 20 Lite em relação aos irmãos é a taxa de atualização, que cai de 144 Hz para 90 Hz. A mudança é aceitável, principalmente porque ajuda a diminuir o seu custo final, e acaba não sendo um downgrade muito perceptivo na prática, pois a navegação no sistema e em jogos continua bem suave.

É interessante ver que a Motorola vem diminuindo a distância para a Samsung quando o assunto é tela. Os painéis OLED dos novos Edge 20 possuem ótima definição, cores brilhantes e brilho agradável.

Configurações e desempenho

Internamente, o Edge 20 Lite roda o Dimensity 800U 5G da MediaTek, chipset intermediário construído em 7 nm. Ele traz oito núcleos trabalhando a até 2,4 GHz, além de 6 GB de memória RAM e 128 GB de armazenamento interno expansíveis via cartão de memória.

Em jogos, o smartphone da Motorola me surpreendeu positivamente: Asphalt 9, por exemplo, teve um excelente desempenho por aqui mesmo com os gráficos no máximo. Eu só notei uma demora maior durante o carregamento em relação a outros modelos da concorrência, sem contar com travamentos pontuais nas telas de menu.

Angry Birds, Subway Surfers, PUGB Mobile e Pokemon Mobile também não apresentaram quedas na taxa de quadros, o que é excelente. Em Dead by Daylight, no entanto, um dos títulos mais pesados da Play Store, só consegui ter uma jogatina fluida deixando os gráficos no baixo/médio.

Com relação aos aplicativos, também não tive do que reclamar: mensageiros e redes sociais rodaram sem sinais de engasgos e travamentos, mostrando um ótimo gerenciamento de RAM.

Para quem curte números e comparações, o Edge 20 Lite fez 1.570 pontos em um dos testes do 3D Mark, plataforma de benchmark que testa a capacidade do processador em processar gráficos em 3D. A pontuação fica bem próxima do alcançado por smartphones como OnePlus Nord, Realme 7 5G e o antigo Google Pixel 3.

O chipset Dimensity 800U do Edge 20 Lite não é tão potente, mas consegue rodar títulos pesados numa boa sem muitas exigências gráficas.

Sistema e interface

O Edge 20 Lite roda a nova versão da interface My UX, baseada no Android 11. A modificação da Motorola ainda se inspira no Android “puro”, mas também adiciona alguns recursos próprios muito interessantes, como os populares gestos para ligar a lanterna e acionar a câmera. O Gametime também está presente e permite gravar a tela durante a jogatina, bloquear notificações e aprimorar o desempenho.

Outro ponto positivo da interface My UX é a possibilidade de personalizar diversos setores do sistema, como cores predominantes, fontes, formato de ícones e widgets.

Surpreendentemente, o Edge 20 Lite também é compatível com a plataforma Ready For, que basicamente transforma o celular em um computador. Devido ao menor poder de processamento, no entanto, não temos o acesso sem fio, ou seja, é preciso conectá-lo via cabo a uma TV ou monitor.

Qualidade sonora

O Edge 20 Lite é equipado com apenas um alto-falante na parte de baixo, igual aos seus irmãos mais potentes. Apesar de ter uma qualidade sonora inferior aos sistemas de som estéreo de aparelhos como Samsung Galaxy A52 e A72, a solução da Motorola não faz feio, trazendo vozes brilhantes e potentes, e músicas bem definidas mesmo no volume máximo. Transmissões ao vivo e vídeos no YouTube também são interessantes.

Câmeras

Embora o Edge 20 Lite seja o irmão mais básico da família, a Motorola não economizou no conjunto fotográfico e trouxe uma câmera principal de 108 MP, a mesma dos modelos mais caros. Também há um sensor ultra-angular de 8 MP, acompanhado de outro focado em profundidade. Já a frontal tem 32 MP, também sem diferença em relação aos irmãos.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

Se olharmos somente os números, os 108 MP do Edge 20 Lite poderiam até surpreender, mas não foi bem isso o que eu percebi durante os testes. As fotos tiradas com o sensor principal são agradáveis, porém inferiores às do Realme 8 Pro, por exemplo — outro intermediário com câmera de 108 MP.

Onde o conjunto fotográfico do Edge 20 Lite mais peca é no pós-processamento do chipset Dimensity 800U da Mediatek, deixando as cores mais brilhantes, porém com um aspecto mais artificial. Eu não acho que as fotos sejam ruins, mas já vi concorrentes que possuem sensores com menos resolução entregarem resultados mais interessantes.

(Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

O pós-processamento do chipset também não faz um bom trabalho em ambientes noturnos, adicionando brilho e nitidez exagerados — com isso, os ruídos se tornam bem mais presentes.

(Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

O software da câmera também atua para fazer fotos com modo retrato, mas não espere uma performance consistente em todas as ocasiões — entretanto, quando funciona, temos uma ótima separação de objetos e fundo desfocado natural.

(Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

A câmera ultrawide de 8 MP foi a que mais gostei, principalmente por conseguir fazer fotos macro interessantes e acima da média para a categoria intermediária. Em ambientes bem iluminados, o sensor oferece cores vivas e uma definição agradável.

(Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

No vídeo, o Edge 20 Lite também grava em até 4K a 30 fps ou 1080p a 30/60/120 fps. A qualidade é decente para a categoria, com boas cores e estabilização eletrônica agradável, mas não se destaca em relação aos concorrentes.

Bateria e carregamento

Com 5.000 mAh, o Edge 20 Lite tem uma autonomia de bateria excelente. No nosso teste padrão de Netflix, com o celular conectado ao Wi-Fi, sem chip de operadora e com brilho configurado em 50%, foram consumidos apenas 17% em três horas de reprodução, o que daria, em média, 17,5 horas de reprodução de streaming nesse teste.

Em outro teste, agora reproduzindo o uso diário, com uma hora de transmissões ao vivo na Twitch, 50 minutos de músicas no Spotify, 30 minutos de vídeos no YouTube, 30 minutos de redes sociais e 20 minutos de jogos, o intermediário saiu de 100% para 71%, uma ótima autonomia para a categoria.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

Vale mencionar que, para eliminar a interferência da flutuação de sinal de celular na autonomia de bateria, nós removemos quaisquer chips de operadora do aparelho para realizar esses testes. Contudo, isso influencia positivamente nos resultados de autonomia.

No carregamento, a maior capacidade do Edge 20 Lite faz com que ele demore um pouco mais para recarregar, mas a velocidade ainda é ótima. Usando o carregador de 30 W incluso na caixa, o smartphone foi de 10% a 100% em pouco mais de uma hora, sendo que metade da carga foi enchida em meia hora.

Concorrentes diretos

O Edge 20 Lite foi lançado por salgados R$ 2.999, e, por esse preço, você já encontra conjuntos mais interessantes há venda no Brasil, inclusive da própria Motorola. Entre os principais concorrentes do aparelho temos não só os Samsung Galaxy A52 5G e Realme 8 5G, como também o Motorola Moto G 5G para quem busca outro aparelho 5G da Motorola.

Bom, com relação ao intermediário da Samsung, o Edge 20 Lite perde na qualidade das fotos, mesmo com uma câmera de 108 MP, na tela, na construção e no sistema de áudio. Basicamente, ele se sobressai apenas na velocidade de carregamento e na autonomia de bateria.

Samsung Galaxy A52 5G (Imagem: Ivo/Canaltech)

O Realme 8 5G, por sua vez, tem um acabamento equivalente ao do Edge 20 Lite, assim como a qualidade sonora e a bateria. Entretanto, a Realme faz um trabalho mais competente nas câmeras, mesmo tendo um chipset relativamente inferior. Já o intermediário da Motorola ganha em tela, já que traz uma OLED de 90 Hz, e na velocidade de carregamento.

Agora, se você não curtiu muito o Edge 20 Lite, outros intermediários da Motorola podem ser uma opção. O Moto G 5G, por exemplo, pode ser encontrado por menos de R$ 2 mil e traz chipset Snapdragon 750G, tela LTPS LCD de 6,7 polegadas, três câmeras traseiras com principal de 48 MP e bateria de 5.000 mAh.

Motorola Moto G 5G (Imagem: Ivo/Canaltech)

Conclusão

O Edge 20 Lite faz parte da linha Edge, que é mais voltada para um público que procura uma experiência mais diferenciada e premium — características que os Motorola Moto G não entregam. Entretanto, a sensação que eu tive após alguns dias de testes foi que eu estive diante de um Moto G, só que mais refinado.

O intermediário tem boa tela, ótimo desempenho para a categoria e bateria de longa duração. Entretanto, peca principalmente em câmeras, além da construção mais simples.

Seu preço de lançamento de R$ 2.999 também não é nada convidativo, ainda mais considerando que a própria Motorola possui aparelhos intermediários com 5G bem mais baratos e interessantes. Basicamente, o Edge 20 Lite é o modelo que não justifica o seu alto preço — e por isso eu só compraria ele quando estivesse mais barato que essas três alternativas que citamos aqui.

E aí, mesmo com as críticas, curtiu o Motorola Edge 20 Lite? Confira uma oferta especial que preparamos para você!

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