Sony Xperia J, um smartphone básico com um design inovador

Por Pedro Cipoli

Com exceção dos modelos de smartphones com teclados QWERTY, grande parte dos smartphones traz telas de 3 até 6 polegadas e formatos parecidos, e a ergonomia de uso fica por conta do tamanho do aparelho. Mesmo que vários modelos de vários fabricantes sejam bastante diferentes uns dos outros, a estrutura permanece a mesma, composta por um formato reto com chanfros nas laterais e quinas.

Alguns fogem desse formato, como é um caso de alguns modelos da linha Lumia, que possuem telas curvas, mas nada que mude a forma padrão de segurar o telefone. O modelo que vamos conhecer hoje, o Xperia J da Sony, tem uma proposta um pouco diferente: logo que o seguramos pela primeira vez, percebemos que ele se encaixa de forma bem mais confortável na mão, justamente por ter uma traseira curva.

Com uma tela de 4 polegadas, ele não é algo que possa ser chamado de "grande" se comparado aos lançamentos atuais e traz o famoso design utilizado pela Sony em seus modelos Xperia. A parte traseira possui um formato côncavo que o faz com que a "pegada" com apenas uma das mãos seja bastante firme, o que é uma boa notícia para quem costuma digitar com o teclado virtual com apenas uma das mãos.

A tela é um outro ponto que chama a atenção, já que utiliza a tecnologia BRAVIA Engine e tem resolução bastante satisfatória: 854x480 (formato 16:9), resultando em uma densidade de pixels de 245 pontos por polegada quadrada. Mesmo não utilizando retroiluminação por LEDs, a imagem possui uma ótima qualidade, até com a iluminação LCD convencional, o que não incomoda os olhos, como vemos em modelos de baixo custo.

Seu processador é um Cortex-A5 single-core de 1,0 GHz. O gadget é equipado com 512 MB de memória RAM e possui uma GPU Adreno 200 — exatamente as mesmas especificações do Optimus L7 da LG que testamos aqui algum tempo atrás. Achamos estranho a escolha da Sony em equipar o Xperia J com um um hardware tão defasado, mas essas escolha traz algumas vantagens.

Em nosso artigo sobre os principais modelos Cortex da ARM, explicamos que o Cortex-A5 é modelo mais lento de toda a família, mas por outro lado consome quantidades baixíssimas de energia. Aliado a uma bateria de 1750 mAh, o resultado é uma autonomia de aproximadamente 2 dias de uso moderado, mesmo com uma conexão 3G ativa e escutando música por várias horas seguidas.

Podemos ver o Xperia J como um player de música que faz ligações, pois o aparelho engasga mesmo ao reproduzir vídeos com resolução HD, por ter uma GPU bastante fraca. Com 4 GB de memória interna, dos quais apenas 2 GB ficam disponíveis para o usuário instalar aplicativos, este também não é um aparelho para quem costuma instalar apps da Play Store com frequência.

Se trouxesse um chip dual-core, o Xperia J seria um modelo fantástico, mas infelizmente ele tropeça tanto em algumas tarefas que é até difícil se acostumar. Por exemplo, o GPS (com A-GPS) funciona com bastante precisão, mas é mais rápido encontrar um ponto de táxi e pedir informações do que esperará-lo processar nossa localização atual. Entrar no Facebook é uma tarefa que exige boas doses de paciência, mesmo com uma rede Wi-fi.

É sim um modelo de entrada, mas mesmo estes agora trazem chips dual-core e uma GPU mais avançada. Tanto a câmera frontal quanto a traseira são VGA — a traseira de 5 megapixels é até capaz de tirar fotos com alguma qualidade em ambientes com boa iluminação (nem tente fazer o mesmo em ambientes fechados ou com pouca iluminação), mas a frontal de 0,3 megapixels é realmente bastante limitada (nos lembra o antigo Motorola Razr V3. Alguém lembra dele?). O bluetooth também é um modelo já antigo, versão 2.1, mas nada que seja tão grave.

Na embalagem temos um carregador de tomada, um cabo USB para conectar ao PC e um fone de ouvido P3 do tipo earbud, com ergonomia e qualidade de som muito semelhante ao modelo utilizado na geração anterior de iPhones e iPods, além dos manuais e termos de garantia.

Quando o ligamos pela primeira vez vimos que ele rodava a versão 4.0 do Android (Ice Cream Sandwich), mas ficamos felizes de saber que já havia uma atualização para a versão 4.1 (Jelly Bean) pronta para ser instalada, o que mais uma vez mostra que grande parte dos fabricantes de aparelhos não os atualiza por uma simples questão de marketing, afinal, como dissemos, as especificações do Xperia J estão longe de ser consideradas potentes.

Conclusão

O Xperia J da Sony pode ser encontrado no mercado brasileiro por cerca de R$ 649, preço bastante atraente para quem deseja um smartphone com tela de qualidade, autonomia de bateria acima da média e de quebra um MP3 player portátil, mas está longe de agradar quem está acostumado a rodar algum game um pouco mais pesado ou mesmo ver vídeos em alta definição.

Quem está em busca de um smartphone simples verá o Xperia J com bons olhos, ainda mais se inserir um cartão micro SD de grande capacidade (o apaelho suporta até 32 GB), mas este não é um modelo que sobrevive ao tempo. O que queremos dizer com isso é que, atualmente, ele já não é capaz de rodar grande parte dos apps mais sofisticados, situação que ficará cada mais patente conforme os desenvolvedores lançarem novas versões de seus aplicativos e jogos.

Vantagens

  • Preço atraente;
  • Tela de qualidade;
  • Autonomia de bateria acima da média;
  • Design inovador, saindo do formato padrão da grande maioria dos modelos atuais.

Desvantagens

  • Especificações bem desatualizadas;
  • Pouca memória interna. Um cartão SD incluso na embalagem não seria nada mal;
  • Câmera de baixíssima qualidade.
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