Review Realme GT2 Pro | Topo de linha para fugir de Apple e Samsung

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 18 de Maio de 2022 às 15h00
Ivo Meneghel Jr/ Canaltech

A Realme lançou o primeiro topo de linha no Brasil em 2022, com a chegada do GT 2 Pro. O aparelho é interessante, com especificações dentro do esperado para um celular da categoria e alguns pontos que podem atrair a curiosidade.

A traseira com um acabamento diferente é um dos pontos interessantes. Outro é sua câmera microscópica, que registra detalhes de texturas das superfícies. De resto, um Snapdragon 8 Gen 1, tela AMOLED com boa resolução e alta taxa de atualização e bateria generosa de 5.000 mAh.

Mas será que o Realme GT 2 Pro entrega experiência suficientemente satisfatória para atrair quem quer escapar dos topo de linha de Apple ou Samsung? É o que eu vou tentar responder nesta análise.

Prós

  • Desempenho suave
  • Tela nítida e fluída
  • Ótimo conjunto de câmeras
  • Recarga rápida com adaptador na caixa

Contras

  • Bateria dura menos que concorrentes
  • Ultrawide fraca para fotos noturnas
  • Faltam extras (recarga sem fio, proteção contra água e poeira)

Design e Construção

  • Dimensões: 163,2 x 74,7 x 8,2 mm
  • Peso: 189 gramas

O design do Realme GT 2 Pro é um de seus destaques, e traz a assinatura de Naoto Fukusawa, que o desenhou junto à fabricante. A parte traseira possui um acabamento em biopolímero, material de base biológica que parece papel. As laterais são de alumínio, enquanto a frente é toda protegida por vidro.

A sensação do dispositivo na mão é bem confortável e, às vezes, parece mesmo uma folha de papel. Na maior parte do tempo, entretanto, parece que se trata de um material emborrachado. Não sei se o uso normal, com o tempo, pode causar algum desgaste à traseira, mas ela parece durável.

Traseira de 'biopolímero' é um dos destaques em design do Realme GT 2 Pro (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

O material está disponível nas opções verde e branco, ambos com a assinatura do designer Naoto Fukusawa ao lado do módulo de câmeras. Já nas cores preto e azul, você encontra um acabamento mais tradicional, sem a assinatura de Fukusawa. Contudo, só a versão na cor branca com acabamento similar a papel chegou oficialmente ao Brasil. Se você gostou da outras cores, terá que importar.

Aliás, o módulo de câmeras é bem interessante. Ele tem dois sensores gigantes, e um bem menor ao lado, com dois flashes LED, um acima e outro abaixo. Trata-se da câmera microscópica, que tira fotos de detalhes das superfícies. Falo mais sobre isso mais para a frente.

Na parte frontal, a Realme optou por um furo no canto superior esquerdo para a câmera de selfies. O aparelho tem um bom aproveitamento para a tela. Já as laterais são retas na parte superior e inferior, e arredondadas nas laterais.

Os botões de volume ficam à esquerda, e o de energia, à direita. Abaixo, o Realme GT 2 Pro tem a gaveta de chips, conector USB-C e uma saída de som.

Tela

  • Tamanho: 6,7 polegadas, 108,0 cm² de área, ~88,6% de ocupação;
  • Tecnologia do painel: LTPO2 AMOLED;
  • Resolução e proporção: Quad HD (1440 x 3216 pixels), 20:9;
  • Densidade aproximada: 526 pixels por polegada;
  • Extras: 120 Hz, HDR10+.

Não há muito o que falar da tela deste celular. Ela tem tudo o que se espera de um modelo topo de linha atualmente: bom tamanho, resolução que garante excelente densidade de pixels e boa taxa de atualização. Além de ter um painel que garante brilho intenso para usar na rua e contraste bacana para assistir a vídeos.

Realme GT 2 Pro tem tela AMOLED (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Sua taxa máxima de emissão de luz chega a 1.400 nits, que não é suficiente para superar o Galaxy S22 Ultra, mas passa o Galaxy S22 e o iPhone 13. Ou seja, é uma das telas mais intensas disponíveis na atualidade, e você deve ficar mais que satisfeito ao assistir a vídeos ou jogar neste aparelho.

A taxa de fluidez também é muito boa, e você tem a opção de forçar a mais alta, deixar no padrão de 60 Hz ou usar uma seleção automática. Neste último caso, que é o padrão, o aparelho aumenta ou reduz a frequência do display conforme compatibilidade do app. Isso garante boa fluidez sem gastar tanta bateria.

Configuração e Desempenho

  • Sistema operacional: Android 12 sob Realme UI 3.0;
  • Plataforma: Snapdragon 8 Gen 1 (4 nm);
  • Processador: Octa-core (1x 3,0 GHz Cortex-X2 + 3 x 2,5 GHz Cortex-A710+ 4x 1,8 GHz Cortex-A510);
  • GPU: Adreno 730;
  • RAM e armazenamento: 8/128 GB, 8/256 GB, 12/256 GB, 12/512 GB.

O Realme GT 2 Pro é um celular topo de linha, e portanto vem com o melhor processador que um celular Android poderia ter no momento de seu lançamento. O Snapdragon 8 Gen 1 já amadureceu bem e entrega experiência excelente para qualquer tarefa, das mais leves às mais pesadas.

Porém, eu senti um pequeno problema no aparelho durante os testes. Quando eu saía de um app, ele levava cerca de um segundo sem resposta na tela. É uma travada bem pequena e que não acontece sempre, mas é algo para a Realme ficar de olho.

Isso aconteceu principalmente ao sair de TikTok ou Instagram. Então a culpa pode muito bem ser dos aplicativos, e não do celular em si. Mas, reforço, é algo para a empresa observar.

Pontuação no Wild Life, do 3D Mark, e no teste de CPU do Geekbench (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

De resto, nada a relatar. O smartphone roda qualquer jogo com tranquilidade, e dá para manter as configurações de gráfico padrão sem medo. Em muitos casos, você consegue até melhorar as opções gráficas para ter uma experiência ainda melhor.

Se, por algum motivo, você achar que o desempenho não está suficiente, pode ativar o modo GT. Porém, tenha em mente que isso vai reduzir consideravelmente a duração da bateria.

Os resultados de benchmark ficaram dentro do esperado para um aparelho com o Snapdragon 8 Gen 1. Foram 2537 pontos com 15,2 fps no Wild Life Extreme, do 3D Mark, semelhante ao que vimos no Galaxy S22 Ultra e o Redmagic 7.

"O Realme GT 2 Pro é rápido, estável e tem suporte ao 5G. Um topo de linha que vai entregar bom desempenho por mais de três anos."

— Felipe Junqueira

Usabilidade

Este celular já tem o Android 12 instalado sob a Realme UI 3.0 ao sair da caixa. A empresa não é muito clara com relação à sua política de atualizações e costuma demorar consideravelmente para liberar novas versões.

O Realme GT 2 Pro ainda vem com muitos aplicativos pré-instalados, e a maioria pouco útil para o público brasileiro. Tem um ícone do PUBG Mobile na tela inicial, mas é apenas um link para baixar o jogo de verdade — o que, de certa forma, é até melhor do que ter o jogo em si ocupando espaço de armazenamento.

Menu de configurações do Realme GT 2 Pro é organizado, mas pode demorar um pouco para você entender a lógica (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

A interface pode parecer um pouco confusa no início, mas, com alguns dias de uso, você começa a se encontrar com tranquilidade. O menu de configurações é consideravelmente diferente de outros Android, mas dá para pegar o jeito. Há uma lógica compreensível ali dentro.

Este aparelho ainda tem leitor de impressão digital sob a tela, com leitura bem rápida e precisa.

Câmeras

  • Principal: 50 MP, abertura f/1.8, autofoco multidirecional, estabilização óptica de imagem;
  • Ultrawide: 50 MP, abertura f/2.2, campo de visão de 150º;
  • Microscópio: 3 MP, abertura f/3.3, lente de aumento de 40x;
  • Selfies: 32 MP, abertura f/2.4;
  • Vídeos: 8K a 24 fps (máx., principal), 1080p a 30 fps (máx., frontal).

As câmeras do Realme GT 2 Pro são bem boas. Não chegam ao nível de um Galaxy S22 Ultra ou iPhone 13, mas não fica muito distante. Notei algumas falhas pequenas na faixa dinâmica em alguns cenários, mas ele entrega fotografias muito bacanas no geral.

A ultrawide consegue repetir bem a qualidade da câmera principal, mas tem uma falha maior na faixa dinâmica, com um contraste um pouco mais exagerado. Além disso, acertar o foco é um pouco mais difícil no sensor de campo de visão ampliado.

O problema fica nas fotos noturnas, que ficam bem abaixo dos concorrentes citados. Não chega a ficar ruim, se você tiver paciência e souber trabalhar com a luz disponível a seu favor. Um ponto a favor do Realme GT 2 Pro é que o modo noturno liga sozinho, mas não tem como desativar, também.

Câmeras do Realme GT 2 Pro funcionam muito bem (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

A câmera microscópica é uma função bem interessante, mas não acho que tenha muita função real no dia a dia dos usuários. Dá para pegar detalhes de superfícies de maneira simples, e você aprende como usar em pouco tempo.

O modo retrato consegue acertar bem o recorte na maioria das vezes. Para quem fotografa próximo ao objeto, no entanto, nem é necessário ativar o recurso. O desfoque natural já deixa a foto com uma aparência profissional bem bacana.

Selfies e gravação de vídeo

A câmera frontal também funciona muito bem em diferentes cenários, incluindo o contraluz. O Realme GT 2 Pro consegue manter um bom nível de detalhes mesmo no modo noturno.

E o modo retrato também funciona muito bem nas selfies. Só deixa a desejar em situações de baixa luminosidade.

A gravação de vídeos possui estabilização mais que satisfatória e captação de áudio de boa qualidade. A resolução máxima se iguala aos principais aparelhos do mercado, com o 8K a 24 quadros por segundo. No entanto, a câmera frontal é mais limitada, ficando com o Full HD.

"A câmera microscópica é legal, mas não sei se será acionada muitas vezes além dos primeiros dias de uso."

— Felipe Junqueira

Sistema de Som

O Realme GT 2 Pro tem áudio estéreo, com um alto-falante na parte inferior e outro na mesma saída de som das chamadas. Este último é levemente mais baixo que o primeiro, mas funciona mais como um auxílio, mesmo. E ajuda a entregar uma profundidade no som.

Achei o sistema no geral bom, com potência bem forte. O único porém é que me soou um pouco abafado, se a gente comparar com outros modelos topo de linha, como Galaxy S22 Ultra, iPhone 13 Pro ou até mesmo o Redmagic 7. Para citar celulares que tive em mãos recentemente.

Ao menos há opção de conectar dispositivos de áudio externos via Bluetooth ou usando um cabo USB-C. Para fones de ouvido P2, será necessário um adaptador.

Bateria e Carregamento

  • Capacidade de carga: 5.000 mAh;
  • Recarga: até 65 W com fio.

Uma capacidade de 5.000 mAh é um ótimo número para um celular topo de linha em 2022. Isso coloca o Realme GT 2 Pro em pé de igualdade com o Galaxy S22 Ultra, ao menos em quantidade de carga. Mas e o tempo de uso, consegue se igualar ao telefone da Samsung, ou até mesmo superar?

Eu testei o aparelho tanto no uso do dia a dia quanto em reprodução de vídeos na Netflix. Neste segundo caso, o aparelho terminou três horas de uso com a tela em 50% do brilho com 84% de carga restante. Um número muito bom, que significa autonomia estimada em 18,75 horas. Um pouco abaixo do S22 Ultra, no entanto.

E a tendência se repete no uso real. Foram 7 horas de teste, alternando entre apps mais populares de redes sociais, reprodução de vídeos e jogos e um pouco de tempo em standby. O Realme GT 2 Pro ficou com 71% de carga restante, um consumo de 29% e média de 4,14 pontos percentuais de consumo por hora.

Tempo de uso é bom, mas fica abaixo dos principais concorrentes (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

O Galaxy S22 Ultra ficou com cerca de 3,37 pontos percentuais de consumo a cada hora. Mas, claro, o consumo sempre vai variar de acordo com a sua necessidade, força do sinal, quantidade de apps rodando em segundo plano e dispositivos conectados ao aparelho.

Uma coisa interessante é que o celular da Realme tem suporte à recarga de 65 W e vem com adaptador de parede desta potência na caixa. Infelizmente não consegui fazer testes suficientes para checar o tempo de recarga, mas dá para esperar que ele preencha toda a bateria em menos de uma hora tranquilamente.

O Realme GT 2 Pro não possui suporte a recarga sem fio.

Concorrentes Diretos

Os principais concorrentes do aparelho da marca chinesa foram citados ao longo deste texto. Trata-se do Galaxy S22 Ultra, iPhone 13 Pro Max e o Motorola Edge 30 Pro. Também podemos incluir o Xiaomi 12 na lista.

Todos eles entregam desempenho semelhante, exceto pelo iPhone 13 Pro Max, que tem o chip A15 Bionic, mais potente. A duração de bateria do Galaxy S22 Ultra e do iPhone 13 Pro Max é um pouco melhor, pelos testes que fizemos aqui no Canaltech.

Galaxy S22 Ultra ainda é o Android a ser batido em 2022 (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

E os celulares de Samsung e Apple também superam o Realme GT 2 Pro em câmera, mas o modelo chinês consegue competir bem com os dois. E fica bem acima do que Xiaomi 12 e Edge 30 Pro entregam neste departamento.

A questão é o preço a se pagar. O Galaxy S22 Ultra pode ser encontrado por cerca de R$ 7.000, enquanto o iPhone 13 Pro Max fica na mesma faixa, dependendo de ofertas disponíveis no dia da compra. O Motorola Edge 30 Pro fica mais em conta, na casa dos R$ 5.300, ao passo que o Xiaomi 12 pode ser importado por menos de R$ 5.000.

Já o Realme GT 2 Pro chegou ao Brasil com preço de lançamento em R$ 5.999 em sua versão com 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. Naturalmente, esse preço deve cair com o passar dos meses, colocando o celular como concorrente de peso nesse espaço dos top de linha.

Realme GT 2 Pro: vale a pena?

A Realme tem como objetivo se tornar uma das três maiores vendedoras de celulares do planeta nos próximos anos. E se conseguir manter a qualidade dos celulares que lança no nível atual, pode conseguir atingir esta marca.

O Realme GT 2 Pro entrega o que se espera de um celular topo de linha: alto desempenho, ótima tela e câmeras interessantes. Só peca por não ter diferenciais, como um carregamento por indução ou proteção contra água e poeira.

Vejo este modelo como uma alternativa com câmeras bacanas para competir, ao menos neste quesito, com Samsung e Apple. Ainda faltam alguns detalhes para chegar ao nível das duas concorrentes, mas o caminho está certo. Ou seja, é uma boa alternativa aos modelos das empresas mais famosas do setor, especialmente por chegar com um preço de lançamento mais baixo, saindo por R$ 5.999 já no lançamento.

Quanto aos diferenciais, quem sabe em lançamentos futuros. Mas se a Xiaomi entrou no top 3 sem eles, não vejo razão para a Realme não competir ali em cima com modelos topo de linha com conjunto mais equilibrado.