Review Galaxy S22 Ultra | O celular mais completo até o momento

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 10 de Março de 2022 às 09h00
Ivo Meneghel Jr/Canaltech

O Galaxy S22 Ultra é uma fusão das linhas Galaxy S e Note. Com a S Pen integrada e muitos recursos tanto de usabilidade como de câmeras, o celular da Samsung é o mais completo já lançado até hoje.

Mas será que ele atende tanta promessa? O aparelho finalmente chegou ao Brasil com chip da Qualcomm, depois de três gerações de Exynos. As câmeras zoom melhoraram, de acordo com os primeiros testes publicados na internet. E a fabricante promete nitidez e equilíbrio impressionantes com a ‘Nightography’.

Eu testei o Galaxy S22 Ultra e trago aqui uma análise do que eu achei do aparelho em todos esses aspectos. Desde já adianto que, sim, ele entrega muito. Mas há alguns probleminhas, contornáveis via atualização de software, que pode sair nos próximos meses.

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Prós

  • Celular robusto em todos os aspectos
  • Tela excelente
  • Conjunto de câmeras completo
  • Ótimos desempenho e autonomia
  • Recursos extras interessantes

Contras

  • ‘Nightography’ decepciona um pouco
  • Zoom da câmera ainda apresenta algumas falhas

Design e Construção

  • Dimensões: 163,3 x 77,9 x 8,9 mm
  • Peso: 228 gramas

O Galaxy S22 Ultra é um híbrido das linhas Galaxy S e Note. Porém, seu visual lembra muito mais o último modelo desta segunda do que o Galaxy S21 Ultra, considerado seu antecessor direto. A ideia é justamente integrar a linha Note ao S22 Ultra, tanto que o aparelho já vem com a S Pen.

E o que mais lembra o Galaxy Note 20 é justamente o formato retangular, com cantos mais retos, especialmente as partes de baixo e de cima. As laterais são mais curvadas, acompanhando a tela, que “vaza” para os lados.

Parte inferior do Galaxy S22 Ultra com a S Pen, saída de som, conector USB-C e gaveta de chips (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Nelas, você só vai encontrar antenas de sinal móvel e os botões de volume e energia. É na parte de baixo que tem mais elementos: S Pen, saída de som, conector USB-C, microfone e gaveta de chips, com espaço apenas para dois nano SIM.

Na frente, você tem um aproveitamento frontal de mais de 90%, com bordas muito pequenas e um furo discreto centralizado no topo para a câmera de selfies. Atrás, um vidro fosco com seis furos, sendo três grandes, dois menores e um bem pequeno, para câmeras e flash, tudo na parte superior esquerda.

O Galaxy S22 Ultra tem acabamento em alumínio nas laterais e vidro na frente e atrás. E chegou ao Brasil em quatro opções de cor: branco, preto, verde ou vinho. Tudo isso em um corpo com certificação IP68, que oferece proteção contra poeira e submersão em até 1,5 metro de água por 30 minutos.

Tela

  • Tamanho: 6,8 polegadas, 114,7 cm² de área, ~90,2% de ocupação;
  • Tecnologia do painel: AMOLED Dinâmico 2X;
  • Resolução e proporção: Quad HD (1440 x 3088 pixels), 19,3:9;
  • Densidade aproximada: 500 pixels por polegada;
  • Extras: 120 Hz, HDR10+, Always on Display.

Em time que ganha, não se mexe, então não há grande evolução em tela. A Samsung manteve o mesmo tipo de painel e resolução. É um display excelente, com taxa de atualização adaptável de até 120 Hz e resposta ao toque de 240 Hz.

A Samsung optou por repetir o tamanho de 6,8 polegadas, mas agora o dispositivo tem uma curiosa proporção de 19,3:9, em vez dos mais comuns 19:9 ou 19,5:9. Nada que afete a sua experiência.

Tela do S22 Ultra é excelente para jogar e para assistir a filmes e séries (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Só mudou a intensidade do brilho máximo, que pode chegar agora a 1.750 nits. E é, de fato, uma tela muito brilhante, que garante ótima visualização em qualquer ambiente, mesmo embaixo da luz do sol. Não vi nenhum problema neste sentido com o Galaxy S22 Ultra.

Sobre a resolução, é importante notar que o Quad HD é o máximo, e não o padrão. Ao configurar o celular, você tem uma tela Full HD, que já é excelente para as 6,8 polegadas do dispositivo.

"A tela do Galaxy S22 Ultra é ótima em todos os sentidos, e tem excelente resposta ao toque. É muito boa tanto para assistir a filmes e séries quanto para jogar."

— Felipe Junqueira

Configuração e Desempenho

  • Sistema operacional: Android 12 sob One UI 4.1;
  • Plataforma: Qualcomm Snapdragon 8 Gen 1 (4 nm);
  • Processador: Octa-core (1x 3,0 GHz Cortex-X2 + 3x 2,4 GHz Cortex-A710 + 4x 1,8 GHz Cortex-A510);
  • GPU: Adreno 730;
  • RAM e armazenamento: 12/256 GB, 12/512 GB.

Depois de três gerações da linha Galaxy S com a versão Exynos no Brasil, finalmente a Samsung trouxe o modelo com chip da Qualcomm para cá. De acordo com comparativos disponíveis na internet, é de fato a melhor opção, tanto em desempenho quanto na eficiência energética.

O Galaxy S22 Ultra é um celular muito veloz. Não tive nenhum problema com travamentos ou engasgos nem nada do tipo durante os testes. O celular sempre carregou aplicativos em um tempo bom, e troca entre apps abertos com suavidade incrível.

Câmera frontal do Galaxy S22 Ultra fica em um discreto furo na parte superior da tela (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Quer jogar? Pois está aqui uma excelente opção, independente do jogo que você quiser rodar. E nem precisa se preocupar muito em reduzir qualidade gráfica, porque o S22 Ultra aguenta sem reclamar por um longo tempo. Joguei bastante Asphalt 9 e COD Mobile sem um só engasgo.

Mas há um probleminha: o aquecimento. Notei isso principalmente ao tirar fotos com o modo noturno ativado. E nem precisa ficar muito tempo com a câmera aberta, ele esquenta um pouco de maneira rápida. E se você forçar muito o hardware, pode ficar difícil segurar o dispositivo.

Resultados no 3D Mark (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Isso aconteceu comigo uma única vez, durante o teste de benchmark mais pesado que eu rodei. E ainda assim, o smartphone da Samsung conseguiu uma pontuação muito boa no Wild Life Extreme Unlimited, do 3D Mark: 2.292 pontos e 13,7 fps. Ficou pouca coisa atrás do iPhone 13 Pro, que chegou a 2.608 pontos e 15,6 fps.

Além do desempenho seguro e fluido, as opções de memória que vieram ao Brasil não deixam espaço para reclamação. O mais em conta tem 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento, enquanto o mais parrudo apenas dobra o espaço, repetindo a RAM.

"O Galaxy S22 Ultra é um celular rápido e com desempenho seguro. O único problema é que esquenta um pouco. É uma questão que deve ser corrigida com atualização de software em algum momento."

— Felipe Junqueira

Usabilidade

A Samsung soltou o Galaxy S22 Ultra com o Android 12 instalado por baixo da interface One UI 4.1. É o sistema mais completo da empresa, com recursos que talvez você nem chegue a usar, mas não pesam a ponto de atrapalhar.

O interessante é que se trata de um software intuitivo, e é fácil encontrar o que você precisa. Nesse aparelho, temos recursos bacanas como carregamento sem fio e modo DeX, como se espera de um topo de linha da Samsung. E há a promessa de atualizações do Android por até cinco anos.

Presença da S Pen de fábrica é apenas um dos diferenciais do Galaxy S22 Ultra (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

A leitura de impressão digital fica sob a tela, e tem boa precisão, mas pode ser interessante cadastrar o mesmo dedo duas vezes para acelerar o reconhecimento.

Por fim, a S Pen já vem integrada ao aparelho e oferece ainda mais possibilidades de uso. Ela permite escrever notas à mão na tela, tirar fotos com o celular fora do seu alcance e facilita o recorte de imagens para criar emojis, por exemplo.

Câmeras

  • Principal: 108 MP, abertura f/1.8, auto foco a laser, estabilização óptica de imagem;
  • Ultrawide: 12 MP, abertura f/2.2, 120°, auto foco;
  • Teleobjetiva 1: 10 MP, abertura f/4.9, auto foco, estabilização óptica de imagem, zoom óptico 3x;
  • Teleobjetiva 2: 10 MP, abertura f/2.4, auto foco, estabilização óptica de imagem, zoom óptico 10x
  • Selfies: 40 MP, abertura f/2.2;
  • Vídeos: 8K a 24 fps (máx., principal), 4K a 60 fps (máx., frontal).

A Samsung criou o neologismo ‘Nightography’ para descrever a grande evolução prometida nas câmeras da série Galaxy S22. No caso do S22 Ultra, isso inclui ainda fotografias com aproximação óptica, que têm uma perda bem menor de qualidade à noite.

Mas, na prática, não é bem assim. Eu tirei muito mais fotos com pouca luz do que em ambientes bem iluminados, justamente para testar essa proposta diferente da Samsung. Na tela do celular, realmente parece que temos fotos incríveis. Uma série de imagens que eu fiz com a Lua e prédios ao fundo teriam ficado excelentes, não fosse o foco.

'Nightography' faz trabalho excelente, mas você deve avisar ao aparelho onde está o foco da imagem (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Claro que, neste caso, o erro foi meu de não avisar ao aparelho onde estava o objeto da foto. O Galaxy S22 Ultra conseguiu fazer uma correção impressionante do cenário, e apesar de o céu aparecer estourado na hora do clique, ficou visível e consideravelmente fiel ao que eu via a olho nu. Ao mesmo tempo em que eu aparecia no quadro.

Isso acontece em muitos cenários com pouca luz, mas é necessário usar o modo noturno. O que limita bastante o alcance do zoom, que fica travado no máximo a 10x, quando no modo normal dá para aproximar até 100x.

Falando em zoom, não vi o avanço todo que se propaga pelas redes sociais. Dá para tirar fotos com muito mais qualidade do que os antecessores e aproximar um pouco mais, mas não achei muito melhor do que o Galaxy S21 Ultra já entrega.

O destaque fica para o zoom de 3x, que já faz uma espécie de desfoque de fundo natural. Achei que fica até melhor do que o modo retrato em si, que é bem mais artificial, mas também desfoca bem mais e destaca melhor o objeto da foto.

Selfies

A câmera frontal do Galaxy S22 Ultra consegue registrar um nível de detalhes impressionante com pouca luz, especialmente no modo noturno. Porém, aqui, vale a mesma observação quanto à tal ‘Nightography’, que pode decepcionar um pouco.

Câmera frontal consegue segurar ótima nitidez com o modo noturno (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Mesmo assim, considerando principalmente os resultados em ambientes com luz mais equilibrada, achei que é o maior salto em comparação com as gerações anteriores da série. Mais do que as câmeras teleobjetivas.

A Samsung ainda pode melhorar a redução de tremidas do modo noturno com uma atualização no futuro.

Gravação de vídeo

O Galaxy S22 Ultra grava vídeos em resolução até 8K com 24 quadros por segundo, mas ele oferece muito mais do que isso em videografia. Há uma boa quantidade de recursos de captação que são bem interessantes para criadores e até para quem gosta de filmar com o celular.

Além do modo profissional, o aparelho tem uma visão do diretor, que grava com a frontal e ainda entrega o quadro da principal, ultrawide e teleobjetiva. Você pode escolher em tempo real qual será gravada, sem perder as outras de vista.

Teleobjetiva de 3x faz um 'modo retrato' natural (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

E ainda tem o vídeo em retrato, que separa o objeto em foco do restante, desfocando o que não precisa ficar em evidência. Eu testei bastante esse recurso e achei bem interessante, apesar de observar algumas pequenas falhas. Nada que não possa melhorar em lançamentos futuros.

Seja como for, o Galaxy S22 Ultra é o melhor celular Android para gravar vídeos. A estabilização é muito boa, a qualidade é excelente e a precisão das cores é mais que satisfatória.

"O conjunto de câmeras do Galaxy S22 Ultra é o melhor do mundo Android e rivaliza de perto com os iPhones 13. E ainda supera os celulares da Apple em alguns quesitos."

— Felipe Junqueira

Sistema de Som

Um celular topo de linha precisa ter um sistema de som estéreo, e o Galaxy S22 Ultra não desaponta neste sentido. Não apenas tem dois alto-falantes que reproduzem áudio separadamente, como são potentes e quase sem distorções.

O celular da Samsung consegue reproduzir sons agudos, médios e graves com precisão muito boa para um celular. Considerando a limitação do tamanho dos dispositivos de áudio, algumas distorções são naturais.

Porém, o aparelho está muito acima da média no quesito qualidade de áudio. E dá para escutar satisfatoriamente mesmo em ambientes mais barulhentos.

O único defeito é a ausência de uma entrada para fone de ouvido. Aí ficam as opções de usar um fone com cabo USB-C, um adaptador P2 para USB-C ou fones Bluetooth.

Bateria e Carregamento

  • Capacidade de carga: 5.000 mAh;
  • Recarga: até 45 W com fio, 15 W sem fio.

Pelos meus testes, a bateria do Galaxy S22 Ultra é um dos pontos altos do dispositivo. Para um topo de linha, o celular da Samsung consegue ficar bastante tempo longe da tomada, com tempo de uso bem próximo do iPhone 13 Pro.

A estimativa de uso do S22 Ultra ficou em 20 horas no teste de reprodução de vídeo. Foi um consumo de apenas 15% da carga na Netflix durante 3 horas, com a tela em 50% do brilho.

Teste de uso real teve consumo de 27% da carga em 8 horas (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Já o uso real mostra que a eficiência energética está muito boa. Eu usei o celular da Samsung por um dia inteiro e, em 8 horas de jogos, redes sociais e vídeos, o aparelho ficou com 73% de carga. E isso com o eSIM ativado em chamadas de emergência — ou seja, havia uma busca constante de sinal de rede.

Em suma, o Galaxy S22 Ultra tem bateria para dois dias de uso médio. Isso pode variar de acordo com a quantidade de aplicativos instalados e as tarefas que cada pessoa executa no dia a dia, mas a princípio ele deve entregar um dia inteiro longe da tomada mesmo para quem for mais exigente.

Falando em recarga, o celular aguenta adaptador de até 45 W de potência, além de 15 W em carregadores sem fio. E envia carga sem necessidade de cabos com potência de 4,5 W. Porém, este modelo não vem com carregador na caixa.

Concorrentes Diretos

Por enquanto, os principais concorrentes do Galaxy S22 Ultra são a série iPhone 13, com o Pro Max como o mais próximo pelo tamanho da tela, e o Motorola Edge 30 Pro. Mas nenhum deles é tão completo em recursos adicionais quanto o modelo da Samsung.

O iPhone 13 Pro Max tem preço ainda mais alto, e fica devendo o modo desktop e o suporte à caneta, que facilita o uso em diferentes atividades. Porém, tem chipset mais poderoso, sistema mais otimizado e um conjunto de câmeras que rivaliza muito bem. Tudo isso por valor entre R$ 8.300 e R$ 9.000 na versão com 256 GB.

Já o Motorola Edge 30 Pro é inferior em diversos aspectos, como tela, construção e conjunto de câmeras. Mas consegue entregar desempenho um pouco mais fluido, devido à interface mais limpa, com menos processos em segundo plano. E custa cerca de R$ 5.800.

Outros modelos topo de linha de 2022 ainda devem chegar ao Brasil nos próximos meses para rivalizar com o Galaxy S22 Ultra. Mas nenhuma fabricante parece disposta a entregar tantos extras quanto a Samsung em seu topo de linha mais avançado.

Samsung Galaxy S22 Ultra: vale a pena?

O Galaxy S22 Ultra tem tudo para ser o smartphone do ano, especialmente para quem preza pelas câmeras. Apesar de algumas falhas, o celular entrega um conjunto robusto, poderoso e consistente em todos os aspectos.

Os pontos fortes incluem desempenho fluido, boa autonomia de bateria, conjunto de câmeras completo e construção robusta. A tela é um diferencial, e deve ser a melhor do mercado ao menos até que apareçam outros topo de linha para o ano de 2022.

Além de tudo isso, o celular da Samsung é o mais completo em recursos disponível no mercado, com recarga sem fio reversa, modo desktop e suporte à S Pen.

Câmeras do S22 Ultra são "cravadas" na tampa traseira (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Já os pontos fracos moram nos detalhes. A tal da ‘Nightography’ não entrega a nitidez esperada em ambientes mais escuros, mesmo em áreas abertas. E o software precisa de mais otimização, já que o aparelho esquenta em uso mais pesado, incluindo as câmeras.

Outro fator que pode afastar potenciais compradores é o preço. Este conjunto completo não sai barato, e a Samsung lançou o dispositivo por R$ 9.499 na versão de 256 GB. Com o dobro de espaço, o valor salta para R$ 10.499.

No varejo, você já encontra por R$ 8.500 à vista. O preço deve cair aos poucos conforme 2022 avança. Quando isso acontecer, o Galaxy S22 Ultra será uma opção excelente para quem quer o celular mais completo disponível no mercado.