Samsung anuncia seu Chromebook no Brasil por R$ 1.099. Veja o que achamos dele

Por Pedro Cipoli | 13.02.2014 às 13:04

No dia 12/02 a Samsung anunciou o seu Chromebook série 3 aqui no Brasil, poucos meses após a Acer fazer o mesmo no ano passado, mas somente na versão Wi-Fi. Ele será fabricado no Brasil e trará um layout em português (com "ç") e será disponibilizado em poucos lugares para que as pessoas não o confundam com notebooks "normais", ou seja, aqueles equipados com o sistema Windows. Temos em mãos a versão internacional, trazendo o mesmo hardware e configuração do modelo fabricado aqui, e vamos conhecê-la em detalhes.

Design

Uma das vantagens de se utilizar um processador ARM é que ele não precisa de um sistema de refrigeração ativo (com cooler), pois não esquenta tanto quanto um processador Intel ou AMD. Isso permite que o Chromebook seja mais fino e precise de uma bateria menor, o que impacta diretamente sobre a sua espessura de somente 1,75 cm. Poderia até ser mais fino, afinal é exatamente o mesmo processador do Nexus 10 com seus 8,9 mm, mas a proposta dos Chromebooks impede grande redução na espessura.

Nos Estados Unidos os Chromebooks de qualquer fabricante (HP, Acer e Toshiba também fabricam) são modelos de baixo custo, com um preço médio de R$ 250, o que os impede de serem mais finos. Por esse motivo é natural esperar todos eles sejam construídos em plástico (assim como o modelo da Samsung) e sejam um pouco mais grossos, mas não faz com que eles tenham um visual "barato". Muito pelo contrário. Apesar da espessura do Série 3, ela tem um excelente apelo visual e irá agradar à maioria dos usuários.

Um dos destaques desse modelo da Samsung em especial é a qualidade do teclado, que surpreendeu as nossas expectativas por ser um modelo de baixo custo. Chromebooks não trazem as teclas "F" como PCs e Macs, mas trazem acesso direto às funções de atalho, e mesmo se tratando de um modelo de 11,6 polegadas, a experiência ao digitar não é prejudicada, pois a Samsung aproveitou todo o espaço disponível para colocar teclas de tamanho decente para quem costuma digitar por longos períodos.

O touchpad também não fica para trás, com um bom tamanho e resposta ao toque satisfatória. Sentimos falta somente de um botão físico para o clique esquerdo. A tela conta com resolução de 1.366 x 768 e possui basicamente a mesma qualidade do Ativ Book 9 Lite da Samsung, ou seja, tem bons ângulos de visão e se comporta bem em situações onde há muito reflexo, mas o brilho máximo é bastante baixo se comparado a outros modelos na mesma faixa de preços.

Especificações técnicas

O Série 3 é diferente do Série 5 por trazer um processador ARM ao invés do Intel. Como dissemos, as configurações são as mesmas do Nexus 10: processador Exynos 5 dual core de 1,7 GHz (Cortex-A15), 2 GB de memória RAM e GPU Mali-T604, o suficiente para o uso básico e, em nossa opinião, com uma performance geral melhor do que a que vimos no Android do Nexus 10. Um dos motivos é a diferente resolução dos dois aparelhos, já que o Nexus 10 conta com uma tela de 2.560 x 1.600, quase 4 vezes mais resolução, o que alivia o processador gráfico.

Comparado com os Chromebooks com Celeron ULV geração Haswell a performance é ligeiramente menor, mas usar um processador ARM tem uma vantagem inegável: não é necessário ter um sistema de refrigeração ativo, o que elimina a necessidade de entradas ou saídas de ar e coolers, sendo o último passo para notebooks sem qualquer parte móvel, já que o armazenamento fica por conta de um SSD de 16 GB. Pausa: 16 GB? Só isso? Exatamente, o mesmo armazenamento de boa parte dos smartphones.

Essa não é uma característica do Chromebook da Samsung somente, mas de todos os Chromebooks. Como se trata de um sistema que funciona na nuvem em teoria não é necessário tanto espaço de armazenamento. Bem, não sabemos se isso vai funcionar direito por aqui, afinal nossa internet não tem tanta qualidade como a dos Estados Unidos. De qualquer forma, quem compra um Chromebook ganha 100 GB de armazenamento no Google Drive por 2 anos, onde provavelmente ficará boa parte dos arquivos do usuário para serem acessados via streaming.

Extras

A Samsung disse que não irá produzir modelos 3G no Brasil em um primeiro momento, então como conexões sem fio temos somente o Wi-Fi dual-band nos padrões a/b/g/n e o Bluetooth. Um ponto que nos surpreendeu nesse modelo é que, apesar de pequeno, ele é capaz de produzir um som de boa qualidade com suas duas caixas de 1,5 watt cada uma (3 watts no total), algo bastante incomum em netbooks.

As conexões com fio incluem duas portas USB (uma 2.0 e outra 3.0), um leitor de cartões SD e uma saída HDMI. Há uma falha aqui. O Série 3, assim como os Chromebooks que usamos até agora (3 até então), não é capaz de usar somente a tela externa. O display principal continua sendo o do netbook, mostrando que o Chrome OS ainda não possui um bom suporte a vários displays.

Um dos pontos mais desejados é a duração de bateria de até 7 horas, como diz a ficha técnica. Não conseguimos alcançar esse valor, mas sim algo entre 5,5 horas e 6 horas em uso. Ao diminuirmos o brilho da tela para aproximadamente 30% e interagirmos pouco com a máquina até chegamos nas 7 horas, mas esse é um cenário dificilmente próximo do dia a dia de muitas pessoas.

Conclusão: vale a pena?

O mesmo Samsung Chromebook série 3 que custa R$ 249 nos Estados Unidos é trazido ao Brasil por R$ 1.099, uma conversão com que nós, brasileiros, infelizmente já estamos acostumados. Isso o coloca em uma posição delicada, já que ele fica posicionado ao lado de modelos com Windows 8 e processadores Core i3 de terceira geração, capazes de entregar muito mais recursos para o usuário comum. Isso é no mínimo estranho, já que o preço dos modelos com Windows já inclui a caríssima licença OEM (que aumenta consideravelmente o valor), enquanto o Chrome OS é gratuito.

Considerando isso, ele passa a ser uma boa opção somente para quem realmente está cansado do Windows e quer um netbook com outro SO para carregar por aí. É importante lembrarmos que ele dificilmente será a sua máquina principal, já que não possui suporte a nenhum dos aplicativos do Windows ou Mac OS X como Photoshop ou mesmo um outro navegador como o Firefox ou Opera. Pior: mesmo sendo baseado em Linux ele não é compatível com nenhum dos programas do pinguim.

Ele chegou no Brasil para aproveitar a baixa popularidade do Windows 8 e 8.1, que cai no desgosto do usuário a cada dia que passa, sendo uma alternativa relativamente barata para quem não está disposto a encarar o preço dos MacBooks por aqui, já que são raros os modelos vendidos com alguma distribuição Linux. Para quem está procurando uma máquina para carregar na mochila e possui um bom computador em casa (com Windows, Linux ou Mac OS), ele passa a ser uma opção interessante.

Vantagens

  • Teclado e touchpad de alta qualidade;
  • Bateria de longa duração (embora não traga as 7 horas prometidas pelas Samsung).

Desvantagens

  • No Brasil ele perde o seu principal diferencial de netbook de baixo custo para tarefas básicas, concorrendo diretamente com modelos com Windows com configuração superior;
  • Não há uma versão 3G, algo essencial para o Chrome OS.