Professor da Universidade de Nova York diz que Tesla será comprada em até um ano

Por Rafael Arbulu | 29 de Maio de 2019 às 13h41
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O professor da Universidade de Nova York, Scott Galloway, fez uma previsão audaciosa no evento South by Southwest (SXSW) em março deste ano: ele antecipa que a Tesla, fabricante de automóveis elétricos de luxo liderada por Elon Musk, será adquirida por alguma outra empresa dentro de um ano.

A princípio, o parágrafo acima parece aleatório, porém Galloway tem crédito em suas previsões: quando a Amazon anunciou a sua aquisição da rede de mercados populares norte-americana Whole Foods, ele antecipou a compra meses antes de ela ocorrer.

Nesse final de maio, estamos vendo sinais de que Galloway pode ter acertado mais uma: atualmente, a Tesla vem passando por graves problemas de desvalorização acionária, com seus papéis na Bolsa sendo comercializados a menos de US$ 200 — uma queda de 35% nos meses mais recentes, desde que o ano começou. Analistas indicam que a demanda pelos automóveis fabricados pela empresa segue em queda, o que fariam dela uma excelente candidata a ser comprada por uma empresa grande de tecnologia, a preços populares.

O Canaltech recentemente publicou nota, mostrando que, em um passado distante, Elon Musk teve encontros com a Apple para tratar justamente deste assunto. Na época, porém, a Tesla tinha mais valor do que tem hoje.

Elon Musk (foto), CEO da Tesla: especialista antecipa aquisição da montadora de carros elétricos em até 12 meses

Agora, Galloway reforça sua previsão com mais detalhes: falando durante a apresentação do podcast Recode with Sara Swisher, da Vox Media, nessa última sexta (24), o professor universitário disse: “Eu acho que os investidores estão finalmente se cansando dessa situação. Minha previsão é a de que, dentro de 12 meses, a Tesla terá valor abaixo de US$ 100 por ação e provavelmente será adquirida porque há valor real nela”.

Por “valor real”, Galloway provavelmente se refere aos avanços da montadora americana na área de dirigibilidade autônoma e pesquisas de inovação: goste ou não da Tesla, o seu sistema de piloto automático é, hoje, um dos únicos comercialmente disponíveis ao público e também um dos mais populares. A empresa também investe em novas funções para seus veículos e consegue implementá-las via atualização de software, algo que outras montadoras ainda têm dificuldade em fazer.

Mas quem tem essa grana?

A Tesla, hoje, tem um valor de mercado que rodeia a casa dos US$ 35 bilhões. Com a desvalorização prevista por Galloway, é possível que esse valor caia para algo entre US$ 20 bilhões a US$ 25 bilhões. Mesmo com uma queda tão brusca, são poucas as montadoras que poderiam dispor de tanto dinheiro para adquirir a empresa de Elon Musk: “Mesmo se cair de US$ 35 bilhões para US$ 17 bilhões… temos talvez umas duas empresas que poderiam comprá-la: talvez a Toyota, talvez a Daimler Benz, mas isso é uma aposta meio fraca”, ele disse.

Ao invés disso, Galloway aponta para o mercado tecnológico. Rumores de uma aquisição da Tesla pela Apple vêm flutuando o noticiário especulativo há anos, vide o link que postamos mais acima. "Os caras que poderiam comprá-la, que realmente têm esse balanço financeiro, são as empresas de tecnologia, mas elas não querem entrar nos negócios de baixa margem”, argumenta Galloway. “Será que a Google começaria a ver ‘carros’ como mais uma plataforma para anúncios, talvez?”

O professor da Universidade de Nova York, Scott Galloway: "Tesla será adquirida por uma empresa de tecnologia, não por outra montadora" (Foto: Hubert Burda Media)

Vale citar, por exemplo, que a Amazon registrou um balanço comercial de US$ 17 bilhões recentemente. E a empresa vem investindo muito em áreas inovativas do mercado de automóveis: recentemente, a empresa anunciou um investimento na Rivian, uma montadora de SUVs elétricos.

De qualquer forma, Galloway está seguro de que, se de fato alguém comprar a Tesla, não será nenhuma montadora automotiva: “[A Tesla] É uma grande marca, com um grande produto. Mas elas [montadoras] não vão comprá-la”.

A Tesla não quis comentar as especulações.

Fonte: Business Insider; Recode Podcast (via Spotify)

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