Comparativo: 10 formatos de áudio e quando você deve utilizá-los

Por Sérgio Oliveira

Tudo começou com o Windows 95, que popularizou os computadores com capacidades multimídia e familiarizou o grande público com os primeiros arquivos de áudio. De lá para cá, os gigantescos WAV caíram em desuso e o MP3 passou a reinar absoluto na preferência popular.

Apesar disso, há muitos outros formatos de arquivo de áudio disponíveis na atualidade. AAC, FLAC, OGG e WMA são apenas alguns deles, e levam muita gente a se perguntar qual o formato ideal.

A verdade é que todos os tipos de arquivo de áudio podem ser classificados em três grandes categorias. Logo, basta conhecer essas categorias e escolher o formato que melhor atenderá às suas necessidades.

Formatos de áudio sem compressão

Esse formato captura e converte todo o espectro sonoro em formato digital, sem aplicar qualquer técnica de compressão ao longo do processo. O resultado são arquivos que exigem bastante espaço de armazenamento em disco - algo em torno de 34 MB por minuto em arquivos estéreo de 24-bit e 96 KHz.

PCM

A sigla PCM significa Pulse-Code Modulation, uma representação digital crua dos sinais analógicos de áudio. Para entender melhor o que exatamente isso significa, cabe explicar que sons analógicos existem como ondas; portanto, para convertê-las em formato digital, o som tem de ser amostrado e gravado em intervalos (ou pulsos).

Sendo assim, esse formato possui uma espécie de "taxa de amostragem", que determina o intervalo de cada amostragem, e um "bit depth", que define quantos bits serão utilizados para representar cada amostragem. Ou seja, não há compressão envolvida no processo e a gravação digital se aproxima bastante do som analógico capturado.

Onde é mais utilizado?

Atualmente, o padrão PCM é mais empregado em CDs e DVDs. Há um subtipo de PCM chamado LPCM, que captura as amostragens e intervalos lineares. Este é o formato mais popular do PCM e amplamente empregado pela indústria fonográfica e cinematográfica.

WAV

Desenvolvido pela Microsoft em parceria com a IBM em 1991, o WAV é uma sigla que significa Waveform Audio File Format. Esse foi o formato de áudio predominante na primeira metade dos anos 1990, tornando-se extremamente popular com a chegada do Windows 95 ao mercado.

Por ocupar bastante espaço em disco, muitos acreditam que todos os arquivos WAV não passam por um processo de compressão - o que não é verdade. Atualmente, o formato funciona apenas como um container para outros formatos de áudio, o que significa que ele pode conter outros formatos, inclusive os que sofrem compressão.

Onde é mais utilizado?

Na atualidade, os arquivos WAV contêm áudio descomprimido no formato PCM. Para um melhor entendimento, o que se faz é capturar e converter o som para PCM, e então embrulhá-lo num arquivo WAV. Isso ocorre para que não haja problema de compatibilidade, já que os computadores Windows conseguem decodificar o formato com facilidade e sem a necessidade de um plugin externo.

AIFF

Sigla para Audio Interchange File Format, pode-se dizer que o AIFF é o WAV que a Apple criou para o Mac em 1988.

Tal como seu irmão mais novo, o AIFF serve de container para outros formatos de áudio, de maneira a facilitar a reprodução deles no Mac OS.

Onde é mais utilizado?

Tal qual o WAV, o AIFF é usado de embrulho para arquivos no formato PCM. Ele também é amplamente empregado por aplicativos como o GarageBand e o Logic Audio, embora estes utilizem versões modificadas do AIFF.

Enquanto os formatos sem compressão ocupam muito espaço, os comprimidos com perdas são ideais para quem apenas quer curtir um som

Formatos de áudio comprimido com perdas

Também chamados de lossy, esses arquivos são conhecidos por perderem dados durante o processo de compressão a que são submetidos. Isso significa que há um sacrifício de qualidade e fidelidade em detrimento do tamanho final do arquivo. Mas não se desespere, pois, na maioria dos casos, a diferença é imperceptível.

Mesmo assim, o ideal é que o áudio não passe por uma compressão muito acentuada, caso contrário ruídos e distorções começarão a aparecer aqui e acolá, comprometendo a qualidade geral do som.

MP3

Sigla para MPEG-1 Audio Layer 3, o MP3 foi lançado em 1993 e catapultado para os braços do público com o advento de programas P2P como Napster, KaZaa, eMule e similares.

A grande sacada desse formato é que ele elimina todos os dados que estão além do espectro sonoro audível da maioria das pessoas e comprimir todo o restante. O resultado disso são arquivos de áudio leves, que ocupam pouco espaço, e que mantêm uma fidelidade bastante satisfatória em relação ao formato original.

Onde é mais utilizado?

Praticamente todos os dispositivos com capacidade de reprodução de áudio suportam o MP3, sejam eles PCs, Macs, Androids, iPhones ou Smart TVs. Atualmente, pode-se dizer que este é o formato universal de áudio.

AAC

O Advanced Audio Coding (AAC) foi desenvolvido em 1997 com a ambição de tomar o lugar do MP3, mas, como você deve estar imaginando, não deu muito certo.

Apesar de não ter sido abraçado pelo público, o AAC é tecnicamente superior ao MP3 em vários aspectos. O mais notório deles é o algoritmo de compressão que o formato emprega. Comparando dois arquivos AAC e MP3 codificados no mesmo bitrate, o AAC mostrará uma qualidade de som superior ao MP3.

Onde é mais utilizado?

Embora não tenha colado como um formato popular, o AAC é amplamente empregado pelo YouTube, Android, iOS, iTunes e os videogames portáteis da Nintendo e Sony.

OGG (Vorbis)

Diferentemente dos demais formatos apresentados até aqui, o OGG trata-se, na verdade, de um container e não de um formato de compressão. Ou seja, seu papel é basicamente carregar consigo formatos menos conhecidos, de maneira a facilitar sua reprodução sem a necessidade de plugins externos. O mais popular deles é o Vorbis.

Lançado em 2000, o Vorbis fez seu nome por aderir aos princípios open source e por gerar arquivos menores e com mais qualidade que a concorrência.

Onde é mais utilizado?

Devido à popularidade do MP3 e do AAC, o OGG não encontrou um espaço para chamar de seu no mercado. Apesar disso, ele é bastante difundido entre os apreciadores do software livre, sobretudo os usuários de Linux.

WMA

Sigla para Windows Media Audio, o WMA foi lançado em 1999 e passou por várias alterações desde então. Na contramão do Vorbis, trata-se de um formato proprietário criado e mantido pela Microsoft.

A ideia do formato é corrigir algumas falhas apresentadas pelo método de compressão do MP3, o que o aproxima bastante do que é feito pelo AAC e OGG. Embora não seja tão popular quanto deveria, tecnicamente o WMA é superior ao MP3.

Onde é mais utilizado?

Por se tratar de um formato proprietário, são poucos os dispositivos que suportam o WMA. Alie isso ao fato dos resultados proporcionados por ele serem semelhantes ao AAC e OGG, então teremos a desculpa perfeito para não usar o WMA.

Os formatos comprimidos sem perdas trazem áudio de qualidade superior

Formatos de áudio comprimido sem perdas

Finalmente, há a categoria dos arquivos de áudio lossless. Aqui são reunidos os formatos que empregam um método capaz de reduzir o tamanho do arquivo sem perder qualquer qualidade no processo. O problema é que, embora comprimidos, esses arquivos ocupam entre duas e cinco vezes mais espaço em disco que um arquivo lossy.

Apesar disso, é o formato ideal para os audiófilos de plantão e para aqueles que buscam qualidade acima de qualquer coisa, mas querem ter de armazenar arquivos gigantescos sem compressão.

FLAC

Sigla para Free Lossless Audio Codec, o FLAC rapidamente se tornou o formato lossless mais popular após ser lançado em 2001.

O grande diferencial do FLAC é sua capacidade de comprimir o arquivo original em até 60% sem perder um único bit de dado no processo. Além disso, ele é open source e livre de royalties, não prevendo qualquer pagamento de propriedade intelectual a quem o utilizar.

Onde é mais utilizado?

Atualmente, o FLAC é suportado pela maioria dos apps e dispositivos reprodutores de áudio. Graças a toda essa popularização, o formato tem conseguido fazer frente ao MP3, com a vantagem de oferecer arquivos de áudio de qualidade superior.

ALAC

O Apple Lossless Audio Codec (ALAC) é a alternativa da Apple ao FLAC. Originalmente, ele surgiu como um formato proprietário, mas, ao perceber a popularização do concorrente, a Apple decidiu torná-lo open source e livre de royalties.

Onde é mais utilizado?

O ALAC cumpre bem o seu papel, mas é menos eficiente do que o FLAC no que diz respeito a compressão - gerando, portanto, arquivos mais pesados. Mesmo assim, o formato tem sua cota no mercado porque o iTunes e o iOS oferecem suporte nativo a ele e barram qualquer tentativa de suporte ao FLAC.

WMA

Sim, você não está lendo errado. O WMA possui tanto um formato lossy quanto um lossless - e ambos empregam a mesma extensão. Confuso? Definitivamente.

No comparativo com os demais concorrentes, o WMA Lossless é a pior alternativa de todas. Além de gerar arquivos maiores que o FLAC e o ALAC, este é um formato proprietário que só é suportado pelo Windows e pelo Mac.

Onde é mais utilizado?

Por ser proprietário, o fator limitador do WMA é a quantidade restrita de dispositivos que o suportam. Além disso, o formato não é o mais eficiente de todos, o que leva as pessoas a optarem pelo FLAC.

Então, qual formato você deve usar?

Apresentadas as três categorias de formatos de áudio e suas principais opções, podemos dizer que a maioria das pessoas decidem pelo seguinte:

  • Se você está capturando e editando vídeos, utilize formatos sem compressão. Dessa forma, você trabalhará com a melhor qualidade de áudio possível, podendo exportar tudo para um formato comprimido da sua escolha ao fim do trabalho.
  • Se você é um fã de música e tem apreço pela fidelidade sonora, utiliza formatos lossless, sem perda de dados. Há uma grande variedade de álbuns disponíveis em FLAC por aí, mas atente para o espaço de armazenamento disponível, já que eles ocupam de duas a cinco vezes mais espaço.
  • Se pouco importa a fidelidade de áudio e você só quer curtir uma sonzeira, ou não tem lá muito espaço em disco disponível, utilize os formatos lossy, com perda de dados. A maioria das pessoas não conseguem notar a diferença entre esses arquivos e os lossless, então não há muito problema em optar por eles.

E você? Qual seu formato de áudio preferido? Tem outra dica para que os demais leitores escolham a melhor opção numa determinada situação? Então deixe seu comentário na caixa aqui embaixo.

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